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A expectativa para o retorno de Star Wars às telonas em 2015 era grande, afinal, mais de 10 anos haviam se passado desde que os fãs assistiram um episódio da saga de George Lucas nos cinemas. J.J. Abrams foi o escolhido pela Disney, a nova detentora da Lucasfilm, para retomar à história e criar uma nova trilogia que finalizaria o arco da família Skywalker, iniciado 38 anos antes.

O resultado foi um filme a princípio muito bem recebido por fãs e críticos, mas que, ao ser revisto, se mostrou um pastiche do original de 1977. Ainda que tenha introduzido um novo trio de personagens, O Despertar da Força reciclou todas as ideias do primeiro filme da saga: um dróide recebe uma importante informação no deserto, se perde, é encontrado por um jovem órfão cuja origem não se conhece, e que partirá em uma aventura com um mentor.

Após a constatação de que Abrams se arriscou pouco, alguns fãs e críticos chegaram ao consenso de que estava na hora da saga encontrar novos rumos. Coube a Rian Johnson a ingrata missão. Seu episódio VIII trouxe novos conceitos para o universo estabelecido por Lucas, reviravoltas na trama e uma visão completamente diferente da de Abrams, que pregava o desprendimento dos velhos personagens e de todas as ‘regras’ estabelecidas naquele universo. A Força poderia estar com qualquer um, e não seria preciso ser ‘filho de alguém’. Nas palavras de Kylo Ren, “Deixe o passado morrer. Mate-o, se for preciso.”

Apesar da boa recepção por parte da crítica especializada, o episódio de Johnson causou a fúria de boas parte dos fãs da saga, insatisfeitos com as mudanças. Teve até petição online para que o filme não fosse considerado canônico, ou seja, que deixasse de ser um capítulo oficial da franquia.

Apesar do esforço de Johson em criar algo novo, e deixando de lado o exagero dos fãs mais ‘xiitas’ da saga – que inclusive passaram a perseguir e ofender o diretor nas redes sociais – Os Últimos Jedi, de fato, sofre com escolhas de roteiro questionáveis, viradas excessivas e com pouco sentido, além de novos personagens entediantes e poucos carismáticos e cenas de ação mal coreografadas, apesar de visualmente muito bonitas.

Foi o suficiente para que a Disney ligasse o sinal amarelo, reforçado pelo fraco desempenho nas bilheterias de Han Solo: Uma História Star Wars, spin-off lançado alguns meses após Os Últimos Jedi. J.J. Abrams, então foi chamado para retornar e concluir a história que ele mesmo começou, com o derradeiro (ao menos por enquanto) episódio A Ascensão Skywalker.

E como previsto, Abrams não seguiu a pegada de Johnson, e mais do que isso, simplesmente jogou fora ou ignorou 90% do legado do último episódio, o que fica nítido já na primeira meia hora do longa. Questões como a origem de Rey, dada como resolvida em Os Últimos Jedi – a protagonista descobria que seus pais eram anônimos que a venderam por nada – voltam à tona, e personagens criados por Johnson, como Rose, são relegados na trama, com pouquíssimo tempo de tela.

É uma verdadeira resposta de Abrams ao filme  de Johnson, com direito até mesmo à uma cutucada ao último episódio em uma fala de um dos principais da saga. Abrams segue sua proposta segura, talvez covarde, de entregar aos fãs o que eles querem ao invés de provocá-los, mesmo que isso signifique um filme arrastado, pouco inspirado, e repleto de  fans services que não agregam em absolutamente nada à história. A última parte do filme é repleta deles, com personagens clássicos da saga aparecendo – um deles pode até passar despercebido, já que tem apenas uma fala.

O modus operandi de Abrams aqui é o mesmo utilizado em O Despertar da Força: fazer quase um remake da trilogia clássica, desta vez reciclando ideias do O Retorno de Jedi. Com a morte de Snoke no filme anterior, Abrams resgatou os Cavaleiros de Ren, esquecidos por Johnson, e ainda ressuscita o Imperador Palpatine como vilão, tido como morto após O Retorno de Jedi. Leia ainda está no filme, mais como um holograma do que outra coisa, apenas respondendo outros personagens com frases genéricas e sempre distante fisicamente. É que a atriz Carrie Fischer, sua intérprete, faleceu em 2016, antes mesmo de Os Últimos Jedi ser lançado. Portanto, Abrams usou imagens de arquivo e truques de câmera para inseri-la no filme. O resultado é estranho, e nos faz questionar se não era melhor ter deixado a personagem morrer no filme anterior, quando sua nave foi explodida pela Primeira Ordem.

Apesar de agradar os fãs – as reações na internet e nas salas de cinema têm sido positivas, principalmente entre quem odiou Os Últimos Jedi – a Ascensão Skywalker pode até ser visto como um filme ok individualmente, mas é um fechamento morno de uma trilogia que não conseguiu justificar sua realização e que, por conta da falta de unidade e a dissonância entre os dois diretores e roteiristas, se tornou desconjuntada e esquizofrênica.

A princípio, a saga Skywalker está finalizada, mas é difícil acreditar que seja pra valer, uma vez que esta já é a terceira vez que ela acaba. Os próximos filmes, caso existam, poderiam deixar de lado os sabres de luz, os jedis e impérios, e focar mais em histórias menores pela galáxia. A série The Mandalorian, comandada por Jon Favreau, pode ser um bom norte.

Para os mais de 40 anos da icônica história vinda de uma galáxia muito distante, a Levi’s se uniu a Disney e a Lucasfilm para criar uma coleção de edição comemorando a épica história de Star Wars.

Coincidindo com o lançamento de Star Wars: Episódio IX e centrada nos personagens icônicos da trilogia original, a coleção Levi’s® x Star Wars apresenta uma variedade dos ícones clássicos da Levi’s® e os favoritos inspirados no streetwear: tees, hoodies e jaquetas Trucker e jeans em uma variedade única de lavagens. Cada peça também apresenta elementos icônicos do universo de Star Wars – estampas famosas do arquivo de personagens e seus bordões clássicos como “Eu sou seu pai”, “Em uma galáxia muito, muito distante…”, e, talvez a melhor de todas, o imortal “GGWWWRGHH!!!!” de Chewbacca.

A coleção Levi’s® x Star Wars estará disponível a partir do dia 4 de novembro no site levi.com.br para o todo o Brasil e venda exclusiva na Levi’s® do Morumbi Shopping com peças limitadas.

 

No último sábado, os fãs paulistas da franquia Star Wars tiveram a oportunidade de assistir o primeiro filme da saga, Uma Nova Esperança (1977) de uma maneira única no Allianz Parque, na Zona Oeste da capital paulista. O Star Wars In Concert, pela primeira vez no Brasil, traz o filme em tela gigante e com acompanhamento musical de uma orquestra, que toca a trilha sonora do filme de maneira simultânea à projeção.

A orquestra escolhida para performar uma das trilhas mais famosas da história do cinema, composta por John Williams, foi a Orquestra Sinfônica Villa Lobos, com cerca de 80 músicos e comanda pela batuta do maestro Thiago Thiberio.

Os cerca de 10 mil fãs – de todas as idades, importante salientar – que foram à moderna arena vibraram com o filme do começo ao fim, aplaudindo a primeira aparição de Darth Vader e a destruição da Estrela da Morte com um tiro certeiro de Luke Skywalker.

No fim da projeção, os músicos foram ovacionados de pé pelos fãs por cerca de cinco minutos, que vibraram ao ouvir o maestro Thiago Tiberio deixar em aberto a possibilidade de uma exibição do quinto episódio da saga, O Império Contra-Ataca, no ano que vem.

No próximo sábado, dia 27, será a vez dos cariocas receberem o Star Wars In Concert, na Jeunesse Arena, com performance da Orquestra Sinfônica Brasileira.

A franquia de filmes Star Wars é uma das mais importantes do cinema e do universo geek. Grande parte do sucesso da franquia é decorrente a sua trilha sonora, que teve composição feita por John Williams para todos os oito filmes da saga, começando com o clássico “Uma Nova Esperança”, pelo qual ele ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original.

Marcando a atemporalidade e a força que o longa possui, o Brasil recebe pela primeira vez a apresentação “Star Wars: A New Hope em Concerto”, em São Paulo e no Rio de Janeiro, em que a trilha sonora será tocada ao vivo por uma orquestra.

No dia 20 de abril, no Allianz Parque, os fãs paulistas poderão assistir ao primeiro longa da franquia ao som da Orquestra Sinfônica Villa Lobos, especialmente formada por músicos da OSESP (Orquestra Sinfônica de São Paulo) e OSMSP (Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo). Já o dia 27 de abril será a vez do Rio de Janeiro receber a apresentação, na Jeunesse Arena, com concerto feito pela OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira).

Os ingressos já estão à venda em https://www.ingressorapido.com.br/,  www.guicheweb.com.br/pesquisa/starwars e pontos de vendas nas duas capitais.

São Paulo

Data: 20/04/2019
Horário: 20h
Local: Allianz Parque – Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-200
Telefone: (11) 4800-6680
Ingressos: De R$ 125,00 a R$ 460,00
*Combo Família – 20% de desconto

Classificação: 12 anos

Rio de Janeiro

Data: 27/04/2019
Horário: 20h
Local: Jeunesse Arena – Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ, 22775-040
Telefone: (21) 2430-1750
Ingressos: De R$120,00 a R$ 420,00
*Combo Família – 20% de desconto

Quem torceu o nariz para O Despertar da Força (2015) pelo fato do filme ser um remix descarado de Uma Nova Esperança (1977), reciclando todas as temáticas e ideias do Episódio IV com nova roupagem e novos personagens, não se decepcionará com Os Últimos Jedi. Pelos menos não por esse motivo.

O novo episódio da saga, escrito e dirigido por Rian Johnson, diretor de filmes indie e com o currículo ainda bastante curto, caminha por novos trilhos jamais explorados na saga e contraria as expectativas de que seria apenas um nova versão de O Império Contra-Ataca (1983), considerado por boa parte dos fãs como o melhor filme da franquia. Não que não haja elementos que emulam o filme de 83. Eles estão lá: a relutância do mestre em treinar seu pupilo, a impaciência do aluno e sua esperança de redenção do vilão. Porém, o filme consegue trabalhar todos esses conceitos de outro jeito, algo que o longa de 2015, de J.J. Abrams, não conseguiu (ou sequer tentou?) fazer.

Em Os Últimos Jedi, o foco da trama é a desconstrução da dicotomia do bem e do mal na qual todos os outros filmes foram calcados. Aqui vemos um Luke Skywalker atormentado pelos erros do passado, um eremita que não deseja ser encontrado e muito menos treinar um novo jedi; Kylo Ren e Rey encontram uma conexão entre si e questionam suas motivações e posições. O que difere o bem do mal, a Resistência da Primeira Ordem, os Jedi dos Sith, senão o ponto de vista? Rogue One (2016), spin-off da saga lançado ano passado, já havia trazido em sua trama questões como essa, mas a pouca profundidade do enredo e dos personagens atrapalhou a execução da ideia.

É um filme pessimista do início ao fim. Não há vitória completa, e nenhuma batalha é vencida sem um custo alto. O humor também é usado de maneira singular na saga, o que alguns podem estranhar e até achar exagerado, mas certamente não é nada que comprometa a obra como um todo.

O ponto fraco do filme é seguir a sina dos segundos capítulos de boa parte das trilogias: não trazer mudanças, evoluções e desenvolvimentos para a história, servindo mais como uma mera ponte para o capítulo final, no qual as verdadeiras reviravoltas e conclusões irão acontecer. Alguns mistérios deixados no ar pelo primeiro filme até são revelados, mas nada muito marcante.

Algo que também incomodou este autor foi a subutilização dos outros vilões da Primeiras Ordem além de Kylo Ren. General Hux, personagem que no primeiro filme chamou a atenção por ser uma espécie de rival de Kylo Ren dentro da Primeira Ordem – o que nos fazia supor que ele fosse tão especial quanto o filho de Han e Leia – numa rivalidade equivalente a de Tarkin e Darth Vader no longa de 77, aqui é reduzido a um mero fantoche atrapalhado, covarde e patético. A Capitã Phasma continua subutilizada e com pouco tempo de tela, enquanto a participação do Supremo Líder Snoke também acaba sendo bastante frustrante, para não entrar em detalhes.

Há menos ação do que no último episódio, mas as cenas de batalhas são lindas e de tirar o fôlego, com destaque para a última, filmada na Bolívia.

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Star Wars: Os Últimos Jedi

Tem coisas essenciais que esperamos encontrar em cada filme ao qual assistimos. Uma boa trama, com roteiro e personagens bem explorados e desenvolvidos é o mínimo que se espera.

Mas e quando você assiste a um filme derivado de uma das franquias mais importantes do cinema e da qual você é grande fã? É razoável deixar todos essas características  que você considera indispensáveis para tornar um filme bom de lado, e se contentar somente ao sentimento de nostalgia trazido por ele?

Primeiro spin-off da franquia Star Wars – se ignorarmos o infantil e um tanto bizarro Caravana da Coragem: Aventura de Ewok -, o filme Rogue One: Uma História Star Wars parece partir da premissa de que a resposta para a pergunta feita no parágrafo acima é realmente sim. O filme dirigido pelo inglês Gareth Edwards (Godzilla) resgata todo o espírito da trilogia original de George Lucas, numa avalanche de fan services, cameos e referências, e ao mesmo tempo traz conceitos e tons nunca usados na saga que vão deixar os fãs de Star Wars com a mandíbula inferior no chão.

Situado entre os episódios III e IV, Rogue One conta a história do grupo de rebeldes que roubou os planos da Estrela da Morte, evento que serve como pontapé inicial para o primeiro filme da franquia, lançado em 1977.

Antes de falarmos sobre tudo que dá certo no filme, é importante enfatizar o seguinte: o filme tem problemas, e não é necessário procurá-los com uma lupa. A coragem de mais uma vez colocar uma mulher como protagonista é louvável e necessária mas, dessa vez, infelizmente, a personagem principal não tem uma presença tão marcante como a Rey de O Despertar da Força de J. J. Abrams, interpretada por Daisy Ridley. Jyn Erso, filha do cientista responsável pela construção da arma de destruição em massa do Império, é um dos problemas mais visíveis do longa. Mal explorado e pouco desenvolvido, o arco da personagem, interpretada por Felicity Jones, é preguiçoso e piegas, sendo baseado praticamente apenas em sua relação com o pai. Muito pouco para uma protagonista de um filme desse porte.

O mesmo problema acontece, em menor escala, com os outros personagens principais. Apesar da interessante variedade étnica (Diego Luna, do México; Donnie Yen e Wen Jiang da China; Riz Ahmed, inglês com ascendência paquistanesa) do elenco principal que torna o grupo de protagonistas universal, a sensação que fica é que o filme joga no lixo a oportunidade de contar a história de personagens com potencial para muito mais.

Porém, para os fãs de Star Wars, os problemas, apesar de perceptíveis, passarão batidos em meio ao clima inédito que Gareth Edwards trouxe à franquia. O diretor entrega um verdadeiro filme bélico, repetindo tudo o que deu certo em sua versão do filme do monstro japonês Godzilla, mas sem perder a estética e nem o espírito que consagraram Star Wars na cultura pop.

O diretor tira vantagem do fato de poder contar a história de um evento que nós sabemos ter ocorrido, mas não como se sucedeu. Novos conceitos, como o extremismo rebelde e o lado sujo da Aliança, dão um tom mais sério e sombrio jamais visto em nenhum dos sete episódios da saga.

Um dos maiores erros da segunda trilogia cometido por Lucas foi ter criado um visual incompatível com a ordem cronológica da saga, que fez com que a tecnologia vista nos episódios I, II e III parecesse mais moderna e avançada do que a dos episódios IV, V e VI. O mesmo erro não é cometido em Rogue One. A estética do filme é totalmente fiel e compatível à identidade visual da trilogia original, desde o design das naves até os Walkers Imperiais, que aparecem mais imponentes e bonitos do que nunca.

Alguns personagens importantes da trilogia original também marcam presença, entre eles o Governador Tarkin e, é claro, Darth Vader, de volta às telonas após o final do episódio III, lançado no agora longínquo ano de 2005. As cenas com o vilão são poucas, porém marcantes, para dizer o mínimo.

K-2SO, o androide grandalhão e inconveniente, é uma das melhores surpresas do filme. Se não tem tanta simpatia como o pequeno BB-8, de O Despertar da Força, é talvez o mais humano de todos os androides retratados na franquia, sendo um bom alívio cômico para a trama.

O terceiro ato do filme é simplesmente de tirar o fôlego. Não se envergonhe se sentir vontade de gritar no meio da sessão. Quando o filme acabar e as luzes acenderem, você verá que todos estarão com a mesma vontade. A últimas duas cenas, em especial, farão arrepiar os pelos mais íntimos dos fãs que se prezam.

Quando se pensa em Star Wars, automaticamente vem à cabeça a maravilhosa trilha sonora criada pelo gênio John Williams. O encarregado da trilha de Rogue One foi o vencedor do Oscar Michael Giacchino, que conseguiu criar uma nova trilha se aproveitando e revitalizando a obra de John Williams.

O fato do filme ter sofrido um processo de refilmagens deixou alguns fãs com o pé atrás, talvez pela lembrança do que aconteceu com Esquadrão Suicida, que passou pelo mesmo processo e  foi lançado como uma verdadeira colcha de retalhos. Para nossa sorte, o mesmo não acontece aqui. A edição final do filme ficou redondinha, e só se percebe que o longa passou por refilmagens pela ausência de algumas cenas presente nos trailers.

Apesar do filme ter estreado nessa quinta-feira (15 de dezembro), o longa já gera discussões e polêmicas por conta de alguns fãs mais precipitados espalhando pelas redes sociais que Rogue One é o melhor filme da franquia. Besteira, não é para tanto. Apesar de, talvez, ser o filme mais empolgante para os fãs, Rogue One é apenas um derivado de um mundo criado  com muita destreza e ousadia por George Lucas. Portanto, o seu valor histórico jamais será comparável aos filmes da trilogia original.

No fim, Rogue One é um filme que não tem vergonha de se mostrar um belíssimo presente para os fãs. Quem não conhece a franquia provavelmente sentirá a falta de personagens mais marcantes, mas talvez sinta-se motivado a assistir todos os filmes da saga e a mergulhar nesse mundo. Já os fãs talvez tenham que deixar uma ambulância a postos na saída do cinema.

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Rogue One: Uma História Star Wars/ Disney Studios

Imagine a situação: você vai ao cinema, gosta do filme, e sente vontade de ter algo que seja relacionado ao que assistiu, pensando nisto, você compra o livro em que foi baseado o longa metragem, ou simplesmente compra o Dvd ou Blu-ray. A tendência nos últimos anos foi investir justamente neste colecionismo nerd, que cresce a cada dia.

Colecionar sempre foi algo divertido e revigorante. A maioria dos colecionadores possui cartões, selos, objetos de decoração, e até mesmo sapatos. Atualmente, o mercado tem uma grande demanda para fabricar produtos que remetem, de alguma forma, aos grandes filmes e seriados aclamados pelo público adolescente e adulto, como Harry Potter, O senhor dos anéis, e Star Wars.

Tudo começou quando as empresas de salgadinhos na década de 90 fabricaram tazos e figurinhas para incluir como brinde e aumentar as vendas. Depois desta grande popularização entre o público, os demais setores da indústria comercial decidiram investir em camisetas, chaveiros, colares, blusas, dvd’s, cd’s, brinquedos e mais recentemente ”Action Figures”, mais conhecidos como figuras de ação.

O Preço do colecionismo Nerd pode variar de acordo com o produto desejado, por exemplo, um livro pode custar em média de R$ 15,00 à R$ 50, 00. Coleções com mais de 4 volumes, conhecidos como sagas, geralmente custam de R$ 80,00 à R$ 120, 00. Apesar destes preços serem salgados, existem pessoas que estão dispostas a pagar para obter o tão desejado item.

Gabriela Ferreira, 18, estudante afirma: ”Comprar produtos de uma determinada saga é como seguir, meio que inconscientemente, uma tradição de família. Meu avô gostava de filmes de rolo, meu pai coleciona DVD’s e eu livros. Então sempre que invisto dinheiro em algo assim, além de escapar da realidade, acabo me sentindo mais e mais conectada com eles, mas não vou mentir, é um costume bem caro.”

Pergunto à colecionadora se comprar Dvds e Blu-Rays ainda atraí sua atenção em uma época em que cada vez mais os serviços de Streaming como o Netflix estão em alta, e ela ressalta: ”Sou uma consumidora compulsiva do Netflix, ainda mais pelas séries e filmes que estão sendo produzidos por eles, mas mesmo assim, ainda tenho aquele prazer em comprar um Dvd físico. É um sentimento semelhante à comprar um livro em tempos onde é possível baixar um PDF.”

Ao primeiro momento, o custo de uma coleção não é algo absurdo, no entanto, com o avanço de novos livros, e novos filmes, torna-se cada vez mais difícil manter o olhar em apenas um ramo. Gabriela Ferreira ainda revela que nunca parou para pensar em seus gastos anualmente, mas acredita que seja algo entre R$ 1000,00 e R$ 1500,00.

Um outro tipo de coleção que também é difícil para manter é a de Action Figures, que são personagens baseados em filmes, séries, e animações japonesas. Diferente de um brinquedo, estes bonecos possuem diversos acessórios como mãos, cabeças, capas, cenários e até bases para diferenciá-los de um produto comum. A maioria custa em média de R$ 200,00 à R$ 3000,00.

No ramo de colecionismo de action figures, os carros chefes são as linhas Cloth Myth, Figuarts, Marvel Legends, e Hot Toys, sendo a linha Cloth Myth da Bandai uma das mais conhecidas por fabricar os bonecos do anime Cavaleiros do Zodíaco. O mercado do colecionismo está a todo vapor, e com o lançamento de novos filmes e animações, a tendência é de alavancar ainda mais o setor de Marketing e da propaganda.

Action Figures da franquia Star Wars / Foto: Hot Toys
Action Figures da franquia Star Wars / Foto: Hot Toys

Nos últimos anos, a participação das mulheres no cinema teve um aumento considerável, mas ainda não é o suficiente. Você sabe dizer o motivo ao qual as grandes produções de filmes não resolvem apostar em heroínas ou simplesmente retratar a mulher sem ser de maneira sexista? Vamos refletir isso com base em fatos históricos e franquias adolescentes.
Desde o início do cinema, o famigerado ‘galã’ sempre foi a aposta de todo e qualquer estúdio para promover seu filme, de modo a ensinar de maneira forçada e alienada o público a entender que a mulher é frágil, e sempre retratam o sexo feminino em cenas de donzela que precisa ser salva. A questão fica por parte do ego masculino que não consegue se provar de modo intelectual e apela para força física, para evidenciar sua ‘superioridade’. O curioso é sempre manter-se em esquemas passados e em quase desuso, afinal, a mãe que trabalha, cuida dos filhos e estuda tem que tipo de relação com a menina que precisa sempre ser salva e não possui a capacidade de vencer sozinha?
Tudo é construído por um sólido esquema de faturamento. Na grande mídia você tem a propaganda destinada a fazer o consumidor pensar que homem é sinônimo de grandeza, e mulher sinônimo de consumismo fútil, ou a ideia ultrapassada dos anos 50 que retrata o sexo feminino como simples donas de casa. As mulheres ganharam espaço logo após os homens retornarem da guerra, elas revidaram, protestaram, discutiram e mudaram seu modo de ouvir e aceitar tudo o que era imposto. Os estúdios de cinema percebendo este crescimento na época, decidiu agradar não apenas o pai e o filhos, mas agora, também as mães.
O gênero apostado foi o romance, porém, é um pouco duvidoso e utópico as relações que ainda são retratadas nos filmes. Hoje em dia, na melhor das hipóteses, você encontrará alguém que goste de você e vice-versa, agora apostar que será um grande amor cheio de promessas, viagens, frases bonitas, poemas intermináveis e juras de amor eterno é um pouco exagerado. Isso não significa que todas as mulheres gostem do tema, também existem as que preferem ação ao romance, o gótico ao clichê, a destruição ao terror e por aí vai.
Atualmente grandes diretores e produções independentes abrem diversas possibilidades para a escolha do que a mulher pretende assistir, ainda que, acabem por retratar alguém com subtítulo de ‘promíscua’, evidenciando um preconceito enraizado de categorizar e padronizar toda e qualquer mulher que seja diferente do personagem retratado nas telonas. Com o passar dos anos, e o avanço de escritoras e diretoras ganhando espaço em meio ao público, muito material está sendo disponibilizado para fazer com que as pessoas possam refletir e perceber o quão genial é ter uma protagonista e o quão diferente é ter uma mãe guerreira, que fale palavrão e que não abaixe a cabeça pra ninguém.
 
Em relação aos filmes citados, ”O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)” retrata uma mulher totalmente diferente, com manias e vocabulário despojados. Um retrato totalmente novo em produções cinematográficas. Casos assim tendem a estar em crescimento, a última grande personagem do gênero foi Rey em “Star Wars: O despertar da força (2015)”, uma menina que cresceu solitária e precisou sobreviver anos sem ter família, e evidencia  o quanto você pode ser independente e não precisar seguir regras para tornar-se uma boa pessoa e atingir seus objetivos.
Katniss Everdeen da franquia “Jogos vorazes (2012)” é um grande ícone a ter uma saudação honrosa, porém aos que prestaram atenção nos filmes e no contexto em que aquilo se passa, o seu mérito é apenas ser guerreira, mas não carrega a independência que o protagonismo feminina precisa. Em uma relação rodeada de clichês e o modo como é controlada pelo governo, acaba por expor sua fraqueza de ser manipulada e jogada contra a parede em situações que vão de razoáveis à totalmente sem nexo.
 
Em suma, o destaque feminino não depende apenas da mulher, a indústria cinematográfica precisa reconhecer que estão ainda presos por lucro e um sexismo camuflado, e a consciência de que estão educando e padronizando toda uma geração que precisa ser reformulada para conceitos verdadeiros e diversificados.

De Amélie Poulain à Katniss Everdeen: A participação das mulheres no cinema
Foto: Disney