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Iron Fist

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Quem assistiu a 1ª temporada de “Punho de Ferro” (Iron Fist), série original da Netflix em parceria com a Marvel, com certeza ficou com um estranho gosto amargo na boca ao ver Danny Rand, interpretado por Finn Jones, nas telas. Isso porque o herói nada se parecia com os quadrinhos, com um temperamento explosivo, impulsivo, imaturo e com poderes pouco explorados. Erros escancarados no roteiro, como arcos de personagens incompletos, diálogos preguiçosos e lutas mal coreografadas, fizeram desta a série de qualidade mais mediana entre a parceria da rede de streaming e a Casa das Ideias.

A situação também não foi das melhores na série “Os Defensores” (The Defenders), que foi a união do Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro contra a organização do Tentáculo. Apesar do hype para esta série estar gigantesca, ela também deixou a desejar. E entre todos os heróis, novamente Danny era o menos interessante entre os quatro. Eis que a 2ª de Luke Cage, que contou com a participação especial de Finn Jones, deu um vislumbre das mudanças que o seu personagem sofreu, e isso já foi o suficiente para reacender a esperança no coração de quem acreditava em uma redenção da parte dos roteiristas. E quem acreditou na mudança se surpreendeu positivamente!

Com 3 episódios a menos que a temporada antecessora, cortando várias partes dispensáveis que apenas tomavam tempo de tela nos quase 60 minutos de cada capítulo e deixando o tudo mais dinâmico, 2ª temporada de Punho de Ferro trouxe de volta os personagens Joy Meachum (Jessica Stroup), Ward Meachum (Tom Pelphrey), Colleen Wing (Jessica Henwick), Davos/Serpente de Aço (Sacha Drawan) e a mais nova adição para a série, Mary Walker (Alice Eve).

A trama agora é muito mais simplista que anterior, que deixou diversos pontos em abertos ou mal explorados, principalmente com seus vilões. O tema principal se tornou a família e tudo gira em torno disso: Danny não consegue enxergar o mau que Davos, seu irmão de consideração, está fazendo a ele; Joy deseja se vingar de seus irmãos por todos os segredos em relação a seu pai; Ward tenta se reaproximar de Joy enquanto lida com problemas de drogas; e Colleen tenta saber mais sobre o seu passado ao mesmo tempo que tem dificuldades em enxergar o seu futuro ao lado de Danny.

A direção de todos os personagens é muito boa, porém é novamente Finn Jones que chama atenção por não haver identificação do público com o seu personagem, principalmente quando existe divisão de tela com o vilão. Ele tenta justificar os atos de Davos e uma aproximação que não faz mais sentido, se tornando extremamente infantil e irritante em algumas partes. E assim como as segundas temporadas de Jessica Jones e Luke Cage, o vilão tem poderes similares aos do herói, fazendo um contraponto entre o bem e o mal.

Os irmãos Meachum voltaram melhores, principalmente Ward, que tem uma ótima química com o personagem de Danny. Já Jessica Stroup trouxe uma Joy completamente diferente, fria, irônica e vingativa, porém, após seus segredos serem revelados ela volta a ficar morna  e deixa de agregar significativamente. Já o grande surpresa positiva da temporada é a personagem de Alice Eve, Mary Walker, que tem transtorno dissociativo de personalidade, ou seja, ela possui múltiplas personalidades. Enquanto Mary é uma mulher tímida e amável, Walker é fria, calculista e implacável até ter seu serviço completado. O final da personagem é interessante e nos deixa curiosos pelo seu retorno em um próximo ano.

É muito bom saber que a Netflix e a Marvel ouviu as reclamações dos fãs em relação às fracas cenas de ação da primeira temporada, ainda mais por ser uma série que tem as artes marciais tão vivas em sua essência. A escolha de Clayton Barber, conhecido por coordenar as lutas de Pantera Negra, para comandar as cenas de ação foi extremamente assertiva. E isso ficou em evidência, principalmente nas cenas de luta de Colleen no estúdio de tatuagem.

E falando em Colleen Wing, seu entrosamento com a detetive Misty Knight (Simone Missick), personagem regular de Luke Cage que faz uma ponta em Punho de Ferro, é bem interessante. Quem acompanha os quadrinhos sabe que a dupla Knightwing, também conhecidas como Filhas do Dragão, são personagens recorrentes nas HQs do Punho de Ferro. E se depender dos indícios deixados por elas, possivelmente teremos uma série exclusiva para as duas.

Em linhas gerais, 2ª temporada de Punho de Ferro possui algumas falhas, principalmente com o seu protagonista, mas consegue se redimir ao focar e fechar arcos dos personagens. Entre os principais acertos estão as diversas cenas de Kung Fu clássico e na adição Alice Eve para o elenco. As pontas soltas deixadas propositalmente e o final um tanto quanto inusitado são o suficientes para nos deixar com uma pulga atrás da orelha e pedir por uma 3ª temporada!

Dia 18 de agosto de 2017 foi a data escolhida pela Marvel e pela Netflix para a exibição do seu primeiro crossover: Os Defensores (The Defenders). A série reuniu, pela primeira vez, os quatro heróis de rua: Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro para enfrentarem um perigo que sozinhos não seriam capazes de derrotar.

O maior desafio – e receio de alguns fãs – era unir quatro heróis tão diferentes contra o mesmo mal. De um lado temos um universo místico e fantástico apresentado em Punho de Ferro, do outro temos um universo mais sóbrio e real de vigilantes. Mas se existe algo que a Marvel sabe, e já nos mostrou anteriormente no filme The Avengers: Os Vingadores, é fazer essa convergência de personagens tão diferentes.

Os primeiros dois episódios estão mais focados  em mostrar o que aconteceu com cada personagem após suas séries solos e como as ações de cada um culminaram na união da equipe. O mais interessante é que, apesar deles se desenvolverem bem sozinhos, eles interagem melhor juntos.

As pontas soltas deixadas pelos vilões do tentáculo em Demolidor e Punho de Ferro finalmente são desfeitas. Somos apresentados a vilã misteriosa Alexandra (Sigourney Weaver) e descobrimos que ela é líder da organização, junto com velhos conhecidos como Madame Gao – que continua como uma das personagens mais curiosas até agora. A intenção dessa vez é destruir a cidade de Nova Iorque com a arma perfeita, o Céu Negro, que é ninguém menos que Elecktra Natchios, após ser ressuscitada.

Um dos artifícios mais interessantes na produção é a utilização de cores para destacar os personagens em cena, seja em uma peça de roupa, objetos ou mesmo na iluminação do cenário ou efeito da câmera. O Demolidor é representado pela cor vermelha, Jessica Jones é pela cor azul, Luke Cage pela cor amarela e Danny Rand pela verde. Já a vilã Alexandra é representada pela cor branca e Electra pela cor preta.

O arco dos heróis, desta vez, está bem definido. São 8 episódios para contar uma história grande com começo, meio e fim. Todos têm sua devida importância na trama e dividem o mesmo peso na história, cada um protagonizando uma parte. Apesar dessa distribuição equivalente de protagonismo, é inegável que a atuação de Krysten Ritter e Charlie Cox são excelentes, principalmente quando trabalham em dupla. Mike Coulter e Finn Jones trabalham bem juntos, mas ainda falta certa dinâmica entre os dois, principalmente pela parte de Jones que ainda traz um Punho de Ferro muito imaturo, mas com nuances melhores desenvolvidas que em sua série solo.

Apesar de alguns pontos desagradáveis como a passagem de tempo que é marcada com flashes de Nova Iorque dando um aspecto de novela, e diálogos preguiçosos entre os personagens, Os Defensores se destaca pelas cenas de luta e pelo entrosamento do núcleo principal. Os antagonistas também são bem elaborados e apresentam reviravoltas de tirar o fôlego.

Os Defensores traz erros e acertos antigos, uma narrativa bem desenvolvida e deixa pontas que nos fazem crer que, mais cedo ou mais tarde, Nova Iorque ainda vai precisar dessa união para se manter de pé.

A Netflix e a Marvel trouxeram a história do último herói que será integrante dos Defensores: Punho de Ferro (Iron Fist). Somos apresentados a Danny Rand (Finn Jones), um jovem que aparece anos depois de ter sido declarado morto em um acidente de avião. Nesses anos que esteve desaparecido, Danny viveu e treinou artes marciais em um monastério, até receber um poder ancestral chamado de Punho de Ferro.  

Danny retorna para Nova York disposto a recuperar o tempo perdido, tanto para tomar seu lugar na empresa que é sua por direito, quanto reconquistar os laços com seus antigos amigos Joy Meachum (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Provar sua identidade é mais fácil na teoria que na prática. Seus antigos amigos – e atuais donos da Rand Corporation, sua organização – não facilitam sua estadia na cidade, e quanto mais Danny prova ser quem é, mais eles têm receio de aceitá-lo e de perder o controle da empresa.

Por ser a última das quatro séries da parceria Marvel e Netflix antes do crossover dos Defensores (que unirá Danny com Luke Cage, Jessica Jones e Matt Murdock), Punho de Ferro está cheio de referências. Temos tudo o que precisamos para ligar a série às demais. Somos reapresentados à advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), de Jessica Jones; temos o retorno da temível e misteriosa Madame Gao (Wai Ching Ho), de Demolidor; e nos reencontramos com Claire Temple (Rosario Dawson), que participou de todas às séries, mas teve uma participação memorável em Luke Cage.

A atuação de Finn Jones como Punho de Ferro é morna. O ator não consegue transpassar a verdade de seu personagem. Apesar das dificuldades em fazer diálogos interessantes – acredite, esse é o grande erro da série –, as cenas de ação são ótimas e envolventes – estão longes de ser a icônica cena do corredor do Demolidor, mas possuem  seus pontos altos.

Quem estava pensando que a série traria mais sobre o misticismo do Universo Marvel se enganou. Ainda estamos curiosos sobre Madame Gao e seus poderes. k’un-Lun, a cidade mística que Danny ficou, é pouco aproveitada em cenas, mas muito citada em diálogos. Mesmo o poder do Punho de Ferro é pouco explorado: só conseguimos ver que Danny está utilizando seu dom quando o seu punho faz um brilho amarelo.

A personagem melhor aproveitada foi Collen Wing (Jessica Henwick), uma professora de artes marciais e uma eximia lutadora e espadachim. Jessica Henwick consegue trazer ótimas cenas em conjunto com Finn e também brilha sozinha – principalmente nas cenas de luta na gaiola quando está com raiva. Claire Temple volta ótima como sempre, graças à atuação de Rosario. A enfermeira mais uma vez se envolve com pessoas poderosas e ajuda em tudo que for necessário para que as coisas andem nos trilhos. Dessa vez somos reapresentados a uma Claire mais forte, determinada e que luta caso seja necessário.

Um dos maiores defeitos da série é ao iniciar e fechar o arco dos vilões. Somos apresentados a tantos personagens que fica difícil – e até cansativo – entender como Danny se livrará deles. Ward; Harold Meachum (David Wenham), pai de Ward e Joy, que estava “supostamente” morto; Bakuto (Ramón Rodriguez), o sensei de Collen Wing; e Madame Gao – que é sem dúvidas a mais interessante de todos. É nesse momento que sentimos falta de um vilão como Killgrave; apesar de ser apenas um vilão, ele consegue atormentar a vida de Jessica Jones de todas as maneiras possíveis.

Punho de Ferro não conseguiu se manter firme em 13 episódios, principalmente se comparado com as outras séries da Marvel, mas mesmo assim é uma história interessante e que merece ser assistida pelos fãs de quadrinhos.