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Harry potter e a criança amaldiçoada

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Fui ao cinema para assistir ao primeiro filme de Harry Potter com um ano de idade. É curioso perceber como as coisas mudaram de lá pra cá. As histórias do menino órfão que morava em um armário debaixo da escada e que uma vez por ano, no dia 1 de setembro, ia para a estação de Kingscross para pegar um trem que o levaria pra um castelo onde ele iria estudar para se tornar um bruxo fazem parte da minha vida desde antes mesmo eu me entender por gente.

É curioso tentar descrever para um estranho como isso é impactante na vida de alguém, ainda mais quando a explicação vem de alguém com uma tatuagem da saga no braço direito. Muitas vezes nos colocam como loucos infantis, que continuam como bebês seguindo um brinquedo perdido chamado Harry Potter. Não é bem assim. Então vou explicar aqui o que a data de hoje significa para mim e para milhões de pessoas pelo mundo. O que nós conseguimos aprender com essa “simples história infantil” e como ela mudou as nossas vidas.

Harry Potter ensinou uma geração a amar e respeitar o próximo. Nos ensinou que por maiores que os problemas possam parecer, se tivermos pessoas que amamos ao nosso lado nos apoiando e ajudando no necessário, tudo dará certo. Me ensinou que existe uma história escondida por trás até mesmo do maior mal de todos os tempos, nos instigando a saber o que realmente aconteceu. Me ensinou a ser corajosa como os alunos da Grifinória, audaciosa como os da Sonserina, inteligente como os da Corvinal e leal como os da Lufa Lufa.

Aprendi coisas menos explícitas, claro. A depressão pode se manifestar de formas não tão óbvias, como um monstro gigante que suga toda a sua felicidade, e tudo que você precisa para vencê-lo é se apegar às memórias felizes. Ninguém deve viver escondido dentro de um armário. Nem sempre ser escolhido para uma tarefa importante é uma escolha pessoal, e sim algo que o destino nos reservou com um sorriso nos olhos. Principalmente, me ensinou a ser tolerante e a amar como se o mundo fosse acabar amanhã.

O dia de hoje é a representação de como isso ainda impacta as pessoas. Fãs se uniram na estação de Kingscross para demonstrar nossa força e amor, com uniformes e varinhas a postos para a partida do trem para Hogwarts às 11 horas. Até mesmo o painel da própria estação homenageou a saga colocando em seus horários oficiais o icônico trem. Hoje o filho do meio de Harry e Gina, Alvo Severo Potter, o protagonista de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” foi para a escola pela primeira vez. Hoje mais um ciclo se completou, dando início a outro.

Caro amigo leitor que não consegue compreender a importância que esta saga possui, que ela é uma das coisas mais importantes na vida de algumas pessoas, que estes livros tiraram crianças e adolescentes da depressão, que esta autora fez companhia para muitas garotas e garotos pelo mundo simplesmente porque decidiu não desistir do seu sonho e que sua própria história pessoal serve de inspiração para milhões… É a minha vez de não conseguir compreender o seu pensamento.

Mal feito, feito.

Alvo Severo Potter é mandado para a casa de Sonserina. Um Potter na casa de Sonserina. Seria este o começo de uma grande reviravolta no mundo bruxo? Alvo Severo é o filho mais novo de Harry Potter e em seu primeiro ano em Hogwarts, precisa enfrentar o peso de ser chamado de filho do herói e  descobrir como ser  mais que isso.

A oitava história do mundo de Harry Potter é o último e definitivo livro da saga que foi escrita por J.K Rowling e que fez sucesso no mundo todo. A trama se passa 19 anos depois do fim de Relíquias da Morte. O novo livro: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, é originalmente uma peça de teatro que foi escrita por Jack Thorne, John Tiffany, aprovada por J.K. Rowling, e agora foi lançada em livro contendo a versão do texto da peça inglesa.

A história é dividida em duas partes, sendo estas representadas como no teatro, o que seria equivalente ao ato I e ato II. No início, podemos ver como está a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, seus arredores e também conhecer os novos personagens. A princípio, o enredo parece estar sem ideia de como recomeçar a contar tudo o que aconteceu nos livros anteriores sem ficar repetitivo, porém, vai ganhando peso e mostrando que não é apenas uma cópia do material original.

A trama foca em algo muito curioso: a relação de Harry e seu filho, Alvo. O garoto que salvou o mundo bruxo não consegue ser um bom pai para seu próprio filho, e isso é um dos núcleos dramáticos que estão inseridos na narrativa. Tudo o que você sabia sobre Harry Potter é utilizado para passar a melhor e mais profunda nostalgia já escrita até os dias de hoje. Praticamente, em todas as cenas, podemos transitar por elementos que remetem aos filmes Cálice de Fogo e Pedra filosofal, aliás, tudo o que você espera que exista está lá, diante de seus olhos e referenciado com a melhor descrição possível: Dementadores, Azkaban, Sírius Black, Fred e Jorge, Dumbledore, Snape, Quadribol e Voldemort.

A maneira como foi escrita os arcos pessoais de cada personagem é algo que precisa ser elogiado. Podemos perceber características familiares em determinados momentos como o embarque no Expresso de Hogwarts, os rumores sobre um novo vira-tempo e a volta de Lord Voldemort. Ao contrário do que muitos Spoilers da peça de teatro diziam, as situações estão muito bem amarradas e concisas. Tudo se encaixa para o caminhar de uma cena a outra, sem forçar diálogos desnecessários e vazios.

O lado emocional é muito mais explorado que nos livros anteriores, um dos fenômenos disto, é saber que alguns personagens já estão mortos enquanto seus nomes são ditos pelas crianças que não sabem do passado deles. Todos os Flashbacks conseguem ser perfeitos e muito mais desenvolvidos, agora, quase 19 anos depois.

A sequência final consegue trazer boas doses de nostalgia, grandiosas cenas de ação e situações que nunca foram exploradas na trama oficial. O deslize da história acontece no momento em que são realizadas viagens no tempo e são criadas realidades paralelas, o que, por muitas vezes, acaba sendo curioso de início e, depois, é concluído de forma apressada e sem o devido valor que merecia.

Ainda sim, a trama é muito mais que apenas remendar uma história que já havia terminado, é um triunfo ao mundo que todos desejamos conhecer e visitar: o mundo bruxo ao qual  aprendemos que não devemos ter pena dos mortos, e sim dos vivos e, acima de tudo, daqueles que vivem sem amor.

Foto: Setor VIP/ Divulgação.
Foto: Setor VIP/ Divulgação.