Tag

gravidez

Browsing

Uma pesquisa realizada pela Robert Half em 2013 revelou que em 85% das empresas no Brasil, menos da metade das funcionárias mulheres não voltam a trabalhar após o nascimento de um filho. Diversos fatores impedem tal retorno, mas como aquelas que retomam à rotina lidam com este momento?

O tempo de afastamento das atividades profissionais varia entre quatro e seis meses, dependendo do tipo de ocupação da mulher. Entretanto, a retomada às atividades não é fácil, como no caso de Driele Almeida, auxiliar de farmácia.

Driele já passou por duas gestações, porém, na primeira era autônoma e, desse modo, teve maior liberdade com seus horários. Já em sua segunda gravidez, o retorno ao trabalho foi um pouco mais complicado. “A volta à rotina profissional não é fácil, mas aprendemos que é preciso deixá-los, até para o bem deles. Fiquei quatro meses em casa com minha filha e quando retomei as atividades ela ficou com minha mãe”, conta.

Segundo o estudo Fórum da Criança, divulgado no início de 2015, em Lisboa, dois terços dos avós ficam com os netos em casa. E para 72% dos pais ouvidos na amostra, são eles os principais parceiros nos cuidados e educação de seus filhos.

“Fiz essa escolha de deixar com a minha mãe em vez da creche por confiar plenamente nela e por ela ser aposentada. Não deixaria minha filha com outro alguém que não minha mãe”, diz a auxiliar de dentista.

Para as que moram perto do emprego ou deixam seus filhos em creches próximas, a lei brasileira dá uma ajuda. Logo após o período de afastamento, até o bebê completar seis meses de vida, as mulheres têm direito a dois intervalos de meia hora cada durante o expediente para amamentar.

Para Karla Silva, dentista, a volta à rotina de trabalho foi um pouco diferente. Antes da gestação, ela trabalhava de segunda à sexta, das 9 da manhã às 9 da noite. Porém, após a chegada do bebê, foi necessário reduzir o ritmo.

“Hoje minha filha tem dois anos e quatro meses, mas por ela não estar na escola ainda, meu horário diminuiu bastante. Hoje trabalho das 12 às 18 ou, no máximo, até às 20 horas, de terça e sexta”, comenta a dentista.

Para Carolina Noronha Cruz, psicóloga, é fundamental que as mamães entendam a necessidade de conciliar emprego e família. Ela dá algumas dicas para as mulheres que estão próximas de retomar suas atividades ou já estão trabalhando:

  • Conversar com os filhos e explicar o que está acontecendo, visando ajudá-lo a compreender esta nova fase;
  • Aprender a lidar com a culpa e a sensação de insegurança;
  • Trocar informações com outras mães que passaram pelo mesmo processo;
  • Decidir quem tomará conta do bebê durante a sua ausência.

A psicóloga afirma que ao estimular a linguagem das crianças, a mãe consegue demonstrar o quanto ela é importante e amada. Quanto mais difícil se tornar o processo de adaptação para a mulher, maior será a dificuldade do bebê também. 

“Tomar a decisão de interromper a vida profissional para ficar com o filho em tempo integral pode causar frustrações futuras e cobranças injustas com a criança”, alerta Carolina. Para a especialista, o ideal é decidir a opção com a qual a mamãe ficará mais segura e menos preocupada ou adaptar suas condições de trabalho, sem abrir mão da sua vida como mulher, profissional, esposa e amiga.

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Muitas grávidas e seus parceiros possuem dúvidas sobre o sexo na gravidez. Os médicos não contraindicam esse ato, se a saúde da mãe e do bebê não estiver em risco. Entretanto, é preciso que alguns cuidados sejam tomados.

Nos primeiros meses da gravidez, algumas mulheres estão lidando com os sintomas, náuseas, vômitos e extremo cansaço estão presentes nesse período. Além disso, o casal está absorvendo a novidade e o medo de machucar o bebê e interromper o processo da gestação aparece. É necessário que os pais possam ir juntos ao ginecologista e tirem todas as dúvidas.

“Muitas mudanças acontecem rapidamente no corpo da mulher quando ela está grávida. Mudanças cardiovasculares, sanguíneas, corporais, respiratórias, além da pele, cabelo e unhas. É um turbilhão hormonal e consequentemente emocional. Isso tudo influencia a libido para melhor ou pior”, explica a ginecologista e diretora da clínica Gergin, Barbara Murayama.

As alterações físicas que a gravidez traz à vida da mulher, também faz a diferença na hora do sexo. Os seios ficam maiores e mais sensíveis, o excesso de sangue e líquido circulando pelo corpo inundam os tecidos vaginais e os hormônios da gravidez deixam a vagina mais lubrificada.

O pênis não possui qualquer contato com o neném, o tampão mucoso fecha o colo do útero, impedindo a entrada de bactérias, existe também o saco amniótico que está envolvido no feto. Mas o uso da camisinha é indispensável, já que evita a contaminação de infecções.

“O esperma não prejudica o bebê, nem aumenta contrações. Qualquer doença sexualmente transmissível pode ser contraída na gestação e grávidas tem a resistência do organismo mais baixa naturalmente, então, é recomendado uso de preservativos para evitar doenças”, diz Barbara.

Somente em alguns casos específicos, como sangramento durante a gravidez e risco de parto prematuro, exigem que a relação sexual seja evitada. Segundo Barbara, nesses casos, o pênis pode encostar no colo útero e gerar cólicas e demais problemas, mas só o obstetra de cada mulher pode passar as recomendações mais precisas.

Melhores posições de sexo na gravidez

No começo, qualquer posição pode ser realizada tranquilamente, o abdômen da mulher não pode ser muito pressionado, o parceiro deve tomar cuidado quanto a isso.

No segundo trimestre da gestação, a mulher já se sente mais confortável com a barriga, e as atividades eróticas podem fluir, desde que sejam confortáveis, principalmente para a gestante. “Entre os três e seis meses, a barriga já aparece, a mulher se sente bonita, as alterações cardiovasculares já se acomodaram e há ausência de enjoos. Costuma ser o período de maior libido”, afirma Barbara. Nesse momento, o casal irá usar a criatividade para adaptar posições e criar novas, desde que sejam toleradas, pois a barriga está maior.

Nesse período, deve-se poupar a barriga de situações perigosas. No entanto, as posições recomendadas são as de lado, ou em pé. Se for confortável, a de quatro também pode ser feita, desse modo, a mulher deve apoiar o peso do corpo nos braços, e os movimentos devem ser mais suaves.

Nas posições de lado, chamadas “conchinha e colher”, é melhor que ambos estejam deitados do lado esquerdo, pois do lado direito existe a veia cava, veia que transporta sangue para o bebê e deve ficar livre de pressão. Nessa posição, a mulher pode ficar de frente ou de costas para o companheiro.

A mulher por cima e de frente ou de costas para o parceiro, quando sentados, são maneiras agradáveis de se ter relação. Quando o homem estiver por cima, na posição chamada “papai e mamãe”, é melhor que ele fique de joelhos, assim não depositará seu peso sobre o corpo da mulher. Nesse caso, colocar uma almofada atrás da costas para aliviar a pressão é uma boa opção para a gestante.

Nos últimos meses da gestação, aumenta-se a dificuldade na relação. “O terceiro trimestre varia muito, com a barriga já grande. Algumas podem ter cansaço, dificuldade para encontrar posição para dormir e para fazer sexo. Pode haver queda na libido. Mas tudo isso é muito variável. Mulheres que estão tendo gestação tranquila, sem complicações, dentro de uma ambiente estável emocionalmente, geralmente mantêm um desejo sexual satisfatório durante os 9 meses”, confirma Barbara.

Sensações boas são passadas para o bebe após o sexo, por esse motivo, quando a mulher alcança o orgasmo, seus batimentos ficam acelerados e isso reflete na criança. Muitas observam que o neném fica mais agitado ou mais calmo após o ato, mas é totalmente por conta das atividades hormonais.

Pixabay
Foto: Pixabay

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) mostra que na última década o número de mulheres grávidas após os 40 anos passou de 53,016 para 62.371, o que representa um aumento de 17,6%. A faixa etária que compreende gestantes entre 35 e 39 anos também cresceu: 26,3%, segundo o IBGE. Foram 201.077 gestações em 2003 e 254.011 em 2012.

Dados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apontam que 25% das gestações em mulheres com mais de 35 anos resultam em aborto. A taxa de bebês prematuros também é maior, chegando a 15%, e as principais causas são complicações como diabetes e hipertensão.

Karla Maria Pereira Silva, 39, optou por ser mãe tarde e, apesar das dificuldades para engravidar, não se arrependeu da escolha. “Por ser mais velha, o ânimo é outro. O cansaço é maior, os riscos de doenças genéticas e a ansiedade também. Mas para mim foi o momento certo, estava financeiramente estável, já havia estudado e posso acompanhar minha filha em todas as consultas médicas e atividades”, conta.

Desde os 34 anos, após seu casamento, ela engravidou várias vezes, no entanto, o embrião não se formava. Tentativas e mais tentativas aumentavam ainda mais a expectativa de Karla e de seu marido em relação à gravidez. Após baterias de exames, abortos espontâneos e idas a especialistas de diversas áreas, ela conseguiu uma gestação de sucesso aos 37 anos e teve o bebê aos 38.

“Confesso que não aproveitei muito a minha gravidez por medo. Todos os ultrassons foram tensos, pois lembranças anteriores voltavam. Risco de síndromes, eclampsia, devido eu ter pressão alta, mas a Gabriela nasceu ótima. Fiz cesárea com 38 semanas por indicação médica. Não senti nada tanto na gravidez quanto no parto, somente a ansiedade atrapalhou” relembra.

Maria Emília Souza tem uma história um pouco diferente: aos 44 anos descobriu que estava grávida de seu segundo filho, 21 anos após sua primeira gestação. Ao contrário de Karla, ela não havia planejado ser mãe novamente. “Fiquei com medo no início devido a minha idade, mas a médica me tranquilizou após os primeiros exames”, afirma.

O bebê de Maria, seu segundo menino, nasceu no fim de julho de 2015. Assim como Karla, ela não tem enfrentado complicações, apenas sente ansiedade. “Na minha primeira gravidez, tinha muitos enjoos, praticamente nos nove meses. Desta vez não tive nenhum problema”, diz.

Não existe uma idade certa para engravidar, e apesar dos riscos da gravidez tardia, muitas mulheres têm buscado estabilidade financeira e equilíbrio profissional antes de construir uma família. O universo feminino tem mudado ao longo dos anos, e os métodos anticoncepcionais cada vez mais seguros ajudam as mulheres a decidirem quando ter filhos.

Karla e Gabriela no seu aniversário no último ano / Foto: Arquivo pessoal
Karla e Gabriela no seu aniversário no último ano / Foto: Arquivo pessoal