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Liga da Justiça estreou neste mês e é o primeiro filme da Warner a reunir maior equipe de super-heróis do universo da DC Comics no cinema: Batman (Ben Affleck), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Cyborgue (Ray Fisher).

O longa traz boas cenas de ação, ainda nos 10 primeiros minutos, mas acaba perdendo ritmo ao fazer apresentações rápidas e desconexas dos personagens novos. A única realmente interessante é a de Victor Stone (Cyborgue), um jovem atormentado com as habilidades que adquiriu após um acidente e que se mostra inflexível sobre a possibilidade de utilizar seus poderes para um bem maior por achar que os mesmos são instáveis. Infelizmente essa carga emocional se perde no momento que ele entra para equipe e Cyborgue fica ofuscado no meio dos outros. Já Barry Allen (Flash) é um aparvalhado que serve como alívio cômico, enquanto Arthur Cury (Aquaman) é a “força bruta” para equipe. 

Enquanto nos reencontramos com a mesma Diana Prince do filme solo Mulher Maravilha, temos uma surpresa ao sermos reapresentados a um Batman completamente diferente de Batman VS Superman. Toda a dor e complexidade que mostraram no filme anterior do homem morcego foram enterradas a sete palmos – provavelmente com o super-homem. Agora o personagem traz um ar mais cômico que pode até combinar com o rumo que o filme tenta mirar, mas acaba descaracterizando o personagem. Em certos momentos é difícil acreditar na atuação de Ben Affleck para o papel, ainda mais se comparado com Christian Bale, que reacendeu o espirito do personagem na trilogia Cavaleiro das Trevas.

O grande problema do filme está nas piadas fora de hora, alguns efeitos especiais ruins e na falta de peso do vilão Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) – este é o pior de todos os erros. O antagonista tem suas motivações pouco exploradas; ele tenta juntar as Caixas Maternas, que são unidades de poder inigualável para destruir e conquistar e acaba caindo na mesmice: é unilateral, tem pouco peso em cena tanto em vilania quanto em personalidade e sua única função no filme é ser o motivo para reunir a equipe.

Liga da Justiça, quando comparado aos outros filmes do mesmo universo, é um ponto fora da curva. O tom sombrio que havia sido apresentado em Homem de Aço e Batman VS Superman acabou se perdendo, dando espaço para um tom mais cômico e aventuresco, assim como em Esquadrão Suicida.  Talvez, grande parte dessa diferença seja decorrente da saída do diretor Zack Snyder, que deixou o projeto antes da finalização após uma tragédia familiar, dando espaço para Joss Whedon, que trabalhou em Os Vingadores e Os Vingadores: A Era de Ultron.

Ainda assim, muito conteúdo bom é apresentado no filme. A sintonia do grupo enquanto equipe funciona muito bem e algumas cenas de ação se tornam memoráveis. O destaque de atuação continua com Gal Gadot – assim como fez na ponta que apareceu em BvsS.E, desta vez, ela vem acompanhada de Henry Cavill, que entrega um Superman cânone que gostaríamos de ter visto desde sua primeira aparição nas telonas.

Nesta altura do campeonato, é impossível assistir ao filme e não  criar um comparativo com Os Vingadores, da Marvel. Uma das principais diferenças entre as duas magnatas da cultura pop está na maneira de como esses universos cinematográficos foram construídos; enquanto um estabeleceu quem eram seus heróis e depois montou a equipe, o outro se preocupou em montar uma equipe e só então trabalhar seus heróis.

O fato é que não existe um parâmetro do que é certo ou errado, porém a Marvel, apesar de algumas mudanças nos últimos filmes, continua com a sua fórmula já conhecida pelo fãs. Já a DC e a Warner estão explorando novos caminhos para aumentar a fatia do bolo, mas sabe-se que os resultado do que foi entregue em Liga da Justiça impactará diretamente no narrativa dos filmes que estão por vir.

Há certo receio ao ouvirmos que a DC está lançando outro filme de super herói, já que a maioria de seus antecessores  ou tiveram um péssimo retorno de público, ou uma crítica extremamente dura com roteiros falhos e cheios de respostas e soluções preguiçosas, uma edição que parece ter sido feita por alguém que simplesmente não queria juntar os pedaços e personagens muito, mas MUITO ruins e mal desenvolvidos.

Este não é, nem de perto, o caso de Mulher Maravilha.

O filme conta a história de Diana Prince (Gal Gadot), uma guerreira imortal, filha de Hipólita e princesa da ilha de Themyscira. É mostrado um pouco da infância de Diana e de seu treinamento, e depois de um tempo o gatilho da história do filme acontece: a queda do piloto Steve Trevor (Chris Pine) na praia da ilha. Ele conta a todas as Amazonas sobre a Primeira Guerra Mundial, e Diana decide partir com ele para combater aquele grande mal, que ela acredita ser Ares, o deus grego da Guerra.

Os momentos iniciais do filme consistem basicamente em introduzir Diana em uma sociedade completamente diferente da sua, usando esta adaptação como recurso cômico e momento de leveza. Alguns podem chegar a dizer que este recurso foi utilizado de forma muito drástica ou até mesmo em excesso, mas esse não é o caso. Estes momentos são necessários e contribuem para a construção da personagem e do enredo de forma muito satisfatória.

O roteiro suspira feminismo e empoderamento, tem traços cômicos sem grandes exageros; algumas vezes é estabelecido um clima mais sombrio, que contribui de forma brilhante para a construção da história da personagem. Aqui vemos uma Diana inocente que ainda está descobrindo as coisas boas e ruins sobre o mundo. Ela também está descobrindo seus poderes e do que é capaz, então, por vezes, nos vemos tão surpresos quanto ela. A evolução acontece durante o filme de forma natural, e não drasticamente como já vimos em filmes anteriores da DC.

A diretora Patty Jenkins foi uma ótima escolha. As cenas de luta realçam as habilidades das Amazonas e da própria Diana com um slow motion com enquadramento fechado nos momentos e pontos certos, além de uma trilha sonora que arrepia quem acompanha o filme. O jogo de câmera em momentos decisivos consegue despertar as exatas reações desejadas nos espectadores. Em um certo momento, onde Diana está indo em direção a uma batalha, você se arrepia ao ver, pela primeira vez, o traje dela completo; uma cena simples que consegue nos deixar com as emoções a flor da pele. Você sentirá este momento chegando, assim como muitos outros incríveis que te deixarão arrepiado.

Mulher Maravilha é uma lição de duas horas e vinte e um minutos sobre amizade, lealdade, empoderamento, liberdade, escolhas que temos que fazer (e algumas que não devemos) e, sobretudo, amor.