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Efeito borboleta. Sempre fui fascinada por textos que falam dele e como ele pode tratar de diversas coisas da nossa vida, mesmo que não tenhamos uma percepção tão ampla de suas consequências. Caso você não saiba, essa teoria diz que uma borboleta batendo suas asas em algum lugar hoje pode causar um grande tornado daqui a semanas em outro ambiente, desde que isso aconteça no momento exato e da forma exata.

Ontem à tarde li um pequeno texto que me fez parar para refletir, um péssimo hábito que tenho. Ele dizia que você não devia se apaixonar por alguém “como ele”. Esse texto diz que depois de imprimir tantas boas lembranças na sua mente, tantos bons momentos, tantas emoções, aquela felicidade acabaria se tornando uma espécie de veneno, para que seu “gosto” fosse sentido “como sangue na sua boca”.

Nossas ações carregam uma carga curiosa de inevitabilidade. Algumas mais do que outras, mas isso não vem ao caso agora. O ponto aqui é: tudo o que nós fazemos (ou por vezes deixamos de fazer) geram consequências num futuro por vezes não tão distante. Qualquer passo dado e toda ação tomada causam uma sequência de passos e ações que fogem assustadoramente do nosso controle.

Nós temos o péssimo costume de odiar coisas que não podemos controlar. Por vezes seremos a borboleta a bater as asas e causar o furacão, fazendo questão de causar boas impressões e gerar boas memórias, mesmo sem ter a certeza de que aquilo vai durar. Ou apenas somos a pessoa que observa tudo isso acontecer, e tem que aceitar que sua vida foi supostamente destruída por esse fenômeno natural.

Aliás, esta seria a palavra perfeita para descrever toda essa situação.“Natural”. Sabendo que nossas ações têm esta carga de inevitabilidade, não podemos controlar qual das duas pessoas seremos, tornando-se um ciclo vicioso e algo natural. Acontece com todos em algum ponto da vida. Não temos poder para determinar como cada um reage a algo, e também não podemos nos lamentar por cargas emocionais acumuladas por outros.

Existe, é claro, uma fina linha entre sentir, porém não poder interferir (empatia) e simplesmente não se importar e nem mesmo querer interferir (apatia). Pessoas que se encaixam nesta segunda categoria nem mesmo se dão ao trabalho de gerar boas lembranças, pois não sentem necessidade de causar boa impressão. Não se importam.

 “Eu sou o herói desta história, e não preciso ser salvo”. Nenhuma frase poderia ser mais perfeita; ao fim do dia, cada um é o herói de sua própria história, e não precisa ser salvo, a não ser que peça ajuda ou salvação. Se você deixa experiências e traumas do seu passado decidirem como você é, não se permite mudar ou se transformar.

Ninguém é obrigado a passar por essa mudança ou autoexame de consciência. Mas nosso dever é perceber como moldamos as pessoas ao nosso redor e como somos moldados por elas. Não somos perfeitos, e é óbvio que em algum ponto deixaremos alguma memória feliz que se tornará amarga na mente das pessoas, e isso é inevitável. Mas ninguém é esse poço de coisas ruins que jorra tristeza em outros que muitas vezes acreditamos ser.

Setembro Amarelo é uma iniciativa curiosa, mas vamos encarar os fatos: nós temos medo de falar do suicídio. A morte nos assusta e ela consegue nos horrorizar ainda mais quando passa a ser cogitada e tentada por alguém. Então nós, seres humanos, vivendo em uma enorme colônia de formigas que decidimos chamar de “sociedade moderna”, evitamos falar da morte.

Suicídio? Ah, isso é coisa de gente louca e cheia de problemas. Quem faz isso só consegue pensar em si mesmo; não é possível que alguém seja tão egoísta ao ponto de esquecer-se da própria família. Olha só aquela garota ali. Tem tudo do bom e do melhor e se matou. Mal agradecida. Imunda. Vai queimar no inferno.

Eu já cometi três tentativas de suicídio.

Em 2015 eu estava deprimida e não entendia tudo o que eu estava sentindo. Era cercada por pessoas que não se importavam verdadeiramente comigo e riam às minhas costas. Sempre brigava com os meus pais. Não conseguia me sentir útil para ninguém e não me sentia capaz de continuar. Escrevi cartas para os meus melhores amigos e me preparei para aquilo. Um conhecido percebeu que algo estava errado e me pediu para falar, e eu falei. Simplesmente anunciei que iria me matar quando chegasse a minha casa após o trabalho. Ele comunicou meus pais, que tiveram uma séria conversa comigo sobre como minha vida valia a pena.

Aqueles pensamentos sumiram por um intervalo de alguns meses. Por vezes eles se esgueiravam pela minha mente, como uma serpente que sorrateiramente ataca o calcanhar de um explorador desavisado. Nunca melhorei completamente. 2016 veio com o primeiro ano da faculdade, um desemprego que me forçou a trabalhar com a minha mãe e uma série de coisas que pareciam dar errado na minha vida. Conheci pessoas novas que me ajudaram a continuar firme, pelo menos por um tempo. Descobri que tenho ansiedade e tomei remédios que me deixavam completamente dopada por um tempo. Resolvi parar.

No ano novo, minha situação familiar estava ruim de novo. Todos estavam brigando com todos, aquela sensação de fracasso me atingiu de novo, a serpente dessa vez estava enrolada até o meu pescoço, me questionando se eu realmente deveria continuar ali. Fui para a varanda do meu quarto com meu celular nas mãos, e quando eu sentei na mureta que separava minha vida do resto, uma mensagem chegou. “Feliz ano novo!”, seguido de alguns emojis. Eu sorri, respondi e comecei a receber mais algumas. Voltei para dentro do meu quarto e chorei, pensando “e se aquela mensagem tivesse chegado um minuto depois?”.

No começo de 2017 consegui um emprego fixo, e adquiri mais algumas responsabilidades. Aquela pessoinha muito chata e amigável que inconscientemente me salvou no ano novo começou, junto com algumas poucas outras, a me ajudar. Percebi que podia e devia afastar algumas pessoas da minha vida, e o fiz. Aproximei quem eu senti que devia e sumi com quem merecia. Comecei a me sentir melhor, mais confiante e até mesmo mais viva. Percebi que podia sair e aproveitar, manter trabalho e faculdade funcionando e em perfeita harmonia.

Mas a serpente nunca saiu da minha vida. Por vezes no fundo da minha mente e muitas outras bem na frente dos meus olhos, sibilando e sussurrando coisas que eu não queria ouvir. E então ela atacou pela última vez. Há três semanas, fiz algo terrível para os meus pais, que resultou no que eu acho que foi uma das nossas piores discussões. Eu não conseguia respirar e nem raciocinar direito. Essas pessoas, que um dia me ajudaram, receberam uma mensagem dizendo que eu as amava, mas que eu não conseguia mais suportar.

A internet da casa caiu. Eu abri a gaveta do meu criado mudo e saquei cartelas de diversos remédios, comecei a abri-los na cama e peguei uma garrafa de água que eu sempre deixava na cabeceira. Olhei para o meu quarto, correndo os olhos por alguns fragmentos perdidos de memória e lembranças perdidas que pessoas queridas tinham deixado comigo, para que eu soubesse que era alguém. Olhei meus pôsteres do Star Wars na parede, minha estante com meu box de Harry Potter e um desenho do meu rosto, um dos presentes mais significativos que já ganhei. Com um sorriso sincero brotando no meio das minhas lágrimas, comecei a tomar os comprimidos.

Quando cheguei à quarta ou quinta cartela, decidi ligar os dados móveis do meu celular. Pra minha surpresa, várias mensagens estavam me aguardando. Algumas com o tom mais desesperado que outras. Recebi uma ligação. Um serzinho iluminado decidiu me mostrar que não valia a pena continuar. Recebi outra ligação, essa mais exasperada com o medo da perda. Senti-me acolhida, segura.

Salva.

Dormi algumas horas e nem mesmo sonhei; estava completamente dopada. Acordei com tonturas, dores por todo o corpo, enjoos e muito sono: as consequências da quantidade de remédio ingeridas na noite anterior. Naquela fatídica semana eu vaguei pelos meus compromissos rotineiros como um fantasma, simplesmente sendo carregado pela inércia que suas obrigações carregavam. Perguntavam como eu estava e eu respondia que tudo estava bem.

Ainda estou me recuperando, claro. Mas o curioso de tudo isso é que, no momento em que você pensa em tirar sua própria vida, no momento que a serpente enrola seu corpo escamoso em você, tudo o que você consegue pensar é que está sozinho, que ninguém realmente se importa. Que você não faria nenhuma falta. Esse último incidente me provou o completo oposto, mostrando pessoas que realmente querem me ver aqui, enchendo o saco com nerdices e conversas sem sentido nenhum.

Então, para o Setembro Amarelo lembre-se disso: não é preciso um mês para se discutir suicídio. Não é preciso uma época específica do ano para que você demonstre que se importa e que ama alguém; mostrar que aquela pessoa faz a diferença no seu mundo, com a menor atitude que seja pode salvar uma vida.

Suicídios não acontecem apenas em setembro.

Leve isso como prova. O depoimento de uma pessoa que já esteve nos piores e melhores lugares (físicos e figurativos) que a vida pode oferecer. Eu fui salva, tive uma sorte e apoio que não sou e nunca serei digna ou capaz de agradecer o suficiente. Às pessoas que me ajudaram, que estão lendo isso e sabem quem são, o meu obrigado. Aos que não perceberam, tudo bem. Se você não é nenhum dos dois… Procure, tente, ame intensamente, demonstre e seja. Tudo vai ficar bem, ou, pelo menos, vai tentar estar.

Amizade. Uma palavra simples, mas que remete a tantos significados, momentos, vidas. Uma palavra que tem o poder de aquecer o coração por nos fazer lembrar daquele que dá sentido à palavra.

Ter alguém com quem poder contar, compartilhar e viver, com certeza, é um dos maiores presentes dessa montanha-russa chamada vida. Não seríamos nada sem aquele que te incentiva, segura e te faz enxergar, que contribui para ser quem nós somos. Que nos faz começar de novo.

Muitas pessoas passam por nossas vidas, algumas apenas de passagem, outras vem para ficar. Todas essas pessoas deixam para nós uma lição, seja ela boa ou não, que ficará na biblioteca da nossa memória.

Entretanto, nem sempre conseguimos manter uma amizade. Às vezes ela chega ao fim porque assim tinha que ser, porém, não podemos ficar tristes por alguém ter ficado por tão pouco tempo. Essa relação, por mais curta que tenha sido, nos agregou algo, nos fez sermos ainda mais quem somos. Nada foi em vão.

Agradeço a todas as minhas amizades, minhas relações, passadas e presentes. Vocês me fizeram mais humana, me fizeram sentir emoções, descobrir algo novo. E para as pessoas que virão, estarei aberta para tudo isso de novo.

A todas as pessoas que hoje considero e que fazem parte do meu eu, obrigada. Obrigada por me fazer começar sempre e de novo.

Foto: tumblr

Eu sou a bola que vai pra lá e pra cá à procura de uma rede para estufar, por 90 minutos ou mais. Eu sou a alegria nas pernas deles e delas, que ginga, dribla, corre, dá chapéu e faz graça.

Eu sou a alegria de um povo que me espera com muita ansiedade, seja lá onde for, para me ver ou me ouvir no local do espetáculo, em casa, no bar, na sala de aula, no ônibus, na rua, no trabalho ou em qualquer outro lugar! Tenho o dom de fazer o coração explodir de tanta felicidade!

Faço com que aqueles que nem se conheçam se abracem e comemorem com gritos, cânticos, vibrando muito! Levo a esperança a lugares em que ela raramente chega… às vezes, causo raiva momentânea, mas logo passa, pois o amor que sentem por mim é muito maior que qualquer sentimento ruim. Falando em ruindade, tem quem faça algumas em meu nome, mas eu não sou disso, sou amor, paz e alegria!

Existo há muitos anos, tem quem queira me dar um país como casa fixa, mas eu sou livre e percorro desde grande centros até as vielas mais escondidas. Para que eu possa existir, não é preciso muito. Se não tiver trave, não tem problema! Pega um par de chinelo que tá tudo certo; se não tiver bola, faça uma com meia, e se o time não tiver completo, não tem problema também, dividimos o que tem e que comece o jogo.

Sou a pauta de muitas conversas e gero muitas notícias, às vezes fazem disso uma superespetacularização e se esquecem da minha essência! Sou os xingamentos que saem da sua boca, a lágrima que corre no seu rosto, aquele que faz seu coração bater mais forte, desperto em você as sensações mais intensas que pode haver…eu sou o futebol!

Crônica sobre futebol
Foto: Pixabay

Dizem que um amigo de verdade vale ouro, e eu acredito muito nesta frase. O amor de amigo é algo diferente, algo que nos completa; é aquela pessoa que está ao nosso lado em todos os momentos que precisamos.

A palavra amizade quer dizer companheirismo, lealdade, parceria. Na amizade, podemos encontrar muitas coisas boas, ter uma pessoa em quem podemos confiar, estar à sua disposição para qualquer situação, seja em um momento de alegria ou até mesmo nos momentos mais difíceis. É poder compartilhar os nossos segredos e ter aquele confidente que sempre irá guardar ou até mesmo ficar em choque quando você faz algo fora do comum, e ter a plena segurança que o segredo não cairá nos ouvidos de terceiros. Não posso esquecer de citar aquele amigo colorido,  que vai deixar os seus dias mais felizes, e também aquela pessoa com quem você curte ir ao cinema.

É estar disposto a ouvir todos os seus problemas familiares ou profissionais e dar um ombro para poder desabafar ou chorar sem nenhum constrangimento, pois sempre vai ter uma palavra de consolo ou até uma solução para tal problema.

Os amigos nos dão força, nos encorajam e sempre vão nos ajudar quando caímos. A amizade começa de mansinho, e aos poucos toma conta da nossa vida, pois os amigos são enviados por Deus para fazer parte da nossa vida. Eles sempre abrem aquele sorriso no rosto quando ficamos tempos sem nos ver mas, mesmo longe, sempre nos levam no coração e nos pensamentos.

Sou muita grata por todas as amizades que eu fiz na trajetória da minha vida. Agradeço imensamente por tudo que fizeram por mim, por todas as gargalhadas, micos , segredos, aprendizagens, abraços, zoeiras e entre outros momentos especiais que já vivemos. Por mais que o tempo passou, e a responsabilidade aumentou, eu levo cada um em meu coração. Hoje eu sei o verdadeiro significado da palavra amizade. Obrigada por fazerem parta da minha vida e deixar os meus dias mais coloridos.

Foto: Pixabay

Não imagino como vai ser a minha próxima viagem ao Piauí. Chegar lá e saber que não vou poder ir à casa da minha bisa, ou simplesmente Maenisa, como todos a chamavam carinhosamente.

Sua casa no interior do Piauí é muito aconchegante. Sabe aquela casa simples e antiga? Assim é a casa da minha bisa! Um local calmo, familiar e que passa uma paz para todos aqueles que o visitam. Quando eu viajava, não dormia de ansiedade para poder ir almoçar ou jantar lá, ver minhas tias-avós, meus tios- avôs, primos e, é claro, a bisa. Sempre ia uma caminhonete D-20 com a galera da cidade para visitá-la, e todos com um sorriso estampado no rosto para verem a Maenisa.

Minha bisa, apesar de idosa, era uma senhora muito vaidosa, sempre estava com as unhas feitas, brincos e vestidos longos. Apesar do calor de 40°C, sempre usava uma toquinha; ela não gostava de deixar seus cabelos soltos. 

Quando todos se cumprimentavam, minha bisa chamavam todo mundo para ir à mesa se servir. Uma mesa de quase 2 metros, com vários tipos de carnes, arroz, feijão, salada. Para quem gosta de um bom rango  – assim como eu adoro -, os banquetes dela eram ideais para sair com a barriga cheia. A comida feita no fogão à lenha era uma delícia à parte, com aquele gostinho de comida do interior. Logo após a refeição, sempre eram servidas sobremesas como doce de leite, queijo, goiabada, rapadura, ou Maenisa pegava um saco de balas e bombons e jogava no quintal para a criançada. Era a maior festa e, na maioria das vezes,  as balas e bombons ficavam escondidas na areia e as crianças ficavam à procura de algum doce escondido. Ela sempre perguntava se todos estavam satisfeitos, não gostava de ver ninguém com fome. 

Em janeiro de 2016, fui ao Piauí e fomos à casa da minha bisa. No caminho, o carro atolou na lama e ficamos mais de 1 hora tentando sair de lá. Lembro- me que chegamos um pouco tarde e já era quase o horário do jantar. Antes de comermos, eu e minhas primas, Laisa e Vivian, decidimos ir ao quintal do nosso tio-avô, porque lá tinha um pé de seriguela e estávamos com vontade de comer. Minutos depois, chegou o cachorro do tio-avô e latiu muito, afinal estávamos invadindo o quintal do dono dele. Ficamos dentro da casa do tio, o cachorro cada vez mais bravo e os minutos passando; a esposa do meu tio decidiu distrair o cachorro para poder voltar à casa da bisa.

Chegando à casa da bisa, encontro minha mãe e conto todo o perrengue que passamos com o cachorro, no que minha bisa caiu na risada e disse: “Cuidado com o cachorro da roça”. Eu também aproveitei a situação e caí na gargalhada. Minutos depois resolvemos tirar umas fotos, para registrar aquele momento e tiramos várias. Apesar da minha bisa não ser muito fã de fotografias, ela caiu no embalo. Quando tiramos as fotos com todos, chamei minha bisa para tirar umas selfies somente eu e ela, e eu disse: “Bisa, quero tirar umas fotos com a senhora, para futuramente mostrar aos meus filhos e falar que a senhora é a tataravó deles”, ela sorriu e fizemos nossa sessão de selfies para eu postar nas minhas redes sociais e fazer um álbum de fotografia. Aquela noite foi inesquecível, após o jantar e a sobremesa foi à hora da despedida. Foi muito triste se despedir dela e saber que foi à última noite em que eu estive junto com minha bisa. Lembro- me que dei um abraço e beijo bem forte nela e agradeci por tudo que ela me proporcionou naquela noite.

No dia da sua morte perdi o meu chão. Acordei pela manhã e vi no grupo do WhatsApp da família a seguinte mensagem: “O céu acaba de ganhar um anjo: Maeniza”. Nesse momento, não sabia como eu ia seguir o meu dia, como eu ia pro estágio, pra faculdade. Chorei por alguns minutos, pedindo muita força a Deus para poder seguir o meu dia sem chorar. Quando cheguei da faculdade, minha mãe estava na sala assistindo televisão e começamos a conversar sobre a bisa. Falar dos maus bocados que ela já passou nessa vida, da morte do meu biso, morte dos seus filhos, entre outros momentos ruins que ela já passou. Minha mãe tinha um imenso orgulho de falar Maeniza, e sempre falava ela que ela era uma referência de força e superação. 

Hoje tenho muito orgulho de ter passado momentos especiais com ela, apesar da distância que existia entre nós duas. Quando estava no Piauí, sempre fazia de tudo para vê-la e aproveitar o seu carinho. Bisa, a senhora vai ser referência para as próximas gerações que estão por vir na nossa família, e todos vamos lembrar da senhora com o seu jeito alegre de ser que contagiava a todos.

Você é romântico? Desapegado? Quem sabe um cara durão, mas que continua todo apaixonado pela colega de classe? Talvez, pela vizinha? Ou quem sabe por uma garota que ficou lá no seu passado e que até hoje continua a morar nos seus pensamentos? Não importa quem seja essa pessoa, o sentimento que chamamos de “amor” uma hora ou outra vai morar em você. Nesta vida, ou você já teve seu coração partido, ou partiu o de alguém.

É tão curioso o modo como todos que estão a nossa volta tentam mudar seus destinos, seus sentimentos e até mesmo a si próprios. Creio que não adianta tentar. Logo, você estará gostando de alguém, e nessa hora irá se perguntar: o que devo fazer? Aqui vão algumas dicas de como proceder neste paraíso do delírio que chamamos de amor: em primeiro lugar, saiba tentar; não desista fácil, tente e obtenha o máximo de resultados que conseguir coletar.

O segundo passo vai exigir grande empenho, pois você precisa aprender a mostrar o quanto aquela pessoa é importante para você, de modo que seja impossível esquecê-la. Desenhos, flores ou poesias são eficazes na arte de eternizar uma pessoa, afinal, ser guardado na memória de alguém é certamente um tiro certeiro.

O terceiro passo é simplesmente dizer o quanto você gosta dela. Esta, é talvez, a mais difícil tarefa que você terá em relação a tudo isto, mas vale o esforço. Chame-a para conversar em algum lugar reservado e tenha coragem para dizer o que sente. O máximo que poderá acontecer é ouvir um tímido “não”. Ainda que isso possa doer no primeiro momento, você deve agradecer pela sinceridade da resposta, levantar a cabeça e continuar tentando.

Uma coisa muito interessante, é que as pessoas são diferentes demais umas das outras, e isto é ótimo, assim você sempre terá chances com outras que conhecer. No fim, não é como você se sente, e sim como você decidirá agir sobre este sentimento. Talvez seja hora de tentar, talvez seja hora de esquecer. Talvez, tudo o que você precisa fazer é chegar um pouco atrasado no primeiro dia de aula, e notar que naquela mesma sala, existe alguém que possa ser o seu destino. E mesmo que você não saiba ao certo o que fazer, não existirá dia dos namorados em que você não esteja pensando em alguém, afinal, se o amor é tão complicado assim, não será da noite para o dia que você conseguirá resolver como vai agir em relação a ele.

Foto: divulgação / Pixabay

Era mais uma noite comum naquela cidade que já considero minha. Na real, não era uma noite tão normal assim, já que as temperaturas, que costumam ficar lá no alto, independente da hora, estavam bem baixas, e uma blusinha por cima do vestido se fazia necessária.

A dúvida de ir ou não naquele lugar  permaneceu durante quase o dia todo, mas nesse momento já tinha certeza que iríamos pois chamamos o carro que nos levaria – eu iria com minha irmã. Já no caminho, meus olhos ficavam atentos à cada curva, pois o trajeto era desconhecido para mim. O tempo correu e o motorista também; correu tanto que até passamos do caminho, mas em uma manobra rápida finalmente chegamos ao nosso destino!

Aquele que sempre cantei com a boca cheia como “o meu lugar”, e quer saber? Chegando lá, foi exatamente assim que me senti: no meu lugar… Madureira!!! Como disse, não estava sozinha, minha irmã que me acompanhava já conhecia o espaço, o Baile Charme do Viaduto de Madureira.

Enquanto os carros, ônibus, bicicletas e motos passavam por cima daquele viaduto, lá embaixo estava eu, encantada com tudo que via. Confesso que, por um bom tempo, esqueci do celular  que estava comigo, que poderia sim captar quase tudo através da lente da câmera, mas naquele momento  preferi não ter uma tela na minha frente. Com os olhos vidrados e atentos, fui captando aos poucos tudo que via: os passos sincronizados, a leveza da dança, os mais diferentes estilos, os grafites lindos e coloridos nas paredes e a alegria que exalava na maioria ali.

Aos poucos, eu que amo dançar, fui me soltando. Os pés e a cintura começavam a trabalhar juntos, e quando tocava AQUELA  música  – que a gente ama –, eu já estava ali entregue à dança do meu jeito mesmo. Até tentei arriscar uns passinhos, mas me perdia e voltava para estaca zero. Acho que uma semana de treino me renderia a coreografia de pelo menos uma música inteira. Mas tudo bem, eu estava me divertindo muito. Se eu pensava em encostar na parede, parecia que o DJ adivinhava e, na sequência,  acertava o hit, e lá estava eu dançando novamente, como a maioria ali, e como um homem que nem estava lá dentro e começou a dançar também. Olhei pra cima e lá no alto, nas laterais do viaduto, um senhor dançava de modo sincronizado com quem estava ali embaixo. Que máximo!  Não demorou muito e um outro chegou  para lhe fazer companhia. E assim seguimos, aqueles senhores lá do alto, os grupos dançando com seus mais diferentes passos lá dentro e eu me acabando do meu jeito, sendo contagiada por toda aquela energia!

Baile Charme do Viaduto / Foto: Thamara Prado

Eu sou a purpurina que faz morada em milhares de rostos, antes, durante e depois. Eu sou o salto de vinte e cinco centímetros que samba por mais de uma hora na Sapucaí e sustenta o mais lindo gingado e sorriso. Eu sou o nascer do sol no Farol da Barra depois de horas de festa; brilho e aqueço os corações dos foliões. Eu sou o frevo mais agitado e colorido que possa existir. Sou o bloquinho com as marchinhas mais antigas. Sou a fantasia mais tradicional e mais moderna que possa haver.

Mas tem quem não goste de mim, quem me julgue antes mesmo de me conhecer. Quem me aponte como algo ruim e quem me culpa por coisas ruins. Calma lá, não é nada disso, eu faço parte da história e ajudo a gerar muitas delas também. Sou patrimônio cultural. Eu gero empregos e momentos inesquecíveis. Se você não gosta de mim, tudo bem, eu entendo e peço respeito. Aliás, o respeito é meu parceiro e ele deve andar comigo sempre, em todos os momentos!

Gostou de mim? Já te conto quem eu sou. Se não me conhece, convido a me conhecer e há várias formas pra isso. Se me julga ou me usa como desculpa, peço para que espere um momento e reflita um pouco, pois eu não mereço uma carga de coisas negativas atribuídas em meu nome.

Eu sou alegria, felicidade, festa, farra…

Eu sou o carnaval!!!!

Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

As pessoas costumam dizer que quando chega a hora de se despedir dessa vida, é possível ver os momentos mais marcantes dela passarem bem diante dos seus olhos. Eu estava caído na rua com uma arma apontada para a minha cabeça a menos de sete metros de distância e nada me vinha na cabeça. Talvez não fosse minha hora, talvez as pessoas se enganem de propósito apenas para algum tipo de conforto. Naquele momento, não vi nenhuma imagem, não me lembrei de ninguém e, mesmo que eu quisesse, não conseguiria, pois a única coisa que ecoava na minha cabeça era o som abafado de tiros que a arma não disparará.

Alguns minutos antes de me encontrar nessa situação, meu dia havia acontecido como de costume. Acordei às 6h da manhã para ir ao trabalho. Tomei um longo banho demorado e um café da manhã reforçado. O celular estava na mão, eu trocava mensagens com um amigo que faria entrevista na mesma empresa que eu trabalhava. Nos encontraríamos no ponto de ônibus próximo de casa em poucos minutos. Tudo estava ocorrendo conforme o planejado, exceto que, ao subir as escadas da garagem de casa para abrir o portão, avistei um homem subindo a rua de maneira lenta e compassada e logo senti um frio na espinha. Dei meia volta e comentei com minha mãe sobre minha má impressão. Fiz uma rápida oração antes de sair de casa, em seguida, dei continuidade ao meu trajeto.

Ao fechar o portão e atravessar a rua, peguei o celular para avisar que chegaria atrasado ao local combinado. Infelizmente, antes de terminar de escrever minha mensagem, fui abordado por dois homens em cima de uma moto que já me fitavam desde o momento que entraram na avenida. Eles falavam alto, exclamavam para eu entregar meu celular. Nesse momento, a avenida em que eu passava, tão movimentada, estava completamente vazia. Não passavam veículos na rua, as calçadas estavam desertas – com exceção do homem que já estava muito a frente -, mesmo os vizinhos curiosos não deram as caras em suas janelas.

Neste tipo de situação o máximo que se pode fazer é lutar contra os próprios  instintos de medo, agressividade, desespero e tentar ser o mais racional possível. Aquele momento era eu contra eu mesmo. Luta perdida! Minha racionalidade foi vencida pelo medo e meu corpo respondeu aos primeiros impulsos. Corri para o outro lado da rua,  respirando fundo o ar gélido de uma manhã fria e, ao sentir o mesmo ar passando rápido em meus pulmões, comecei a arfar. Ao olhar para trás, percebi que o garupa desceu da moto, levantou o visor do capacete, sacou uma arma de sua cintura e começou a gritar coisas irreconhecíveis para mim.

Minhas pernas, até então firmes, cederam a pressão e logo me levaram para baixo.  Com o rosto tão colado ao chão era possível sentir o cheiro cálido do asfalto. Levantei quase tão rápido quanto caí, peguei o celular que estava em minhas mãos e o lancei em direção ao ladrão sem olhar para trás. Antes de me virar, eles gritaram para continuar andando para frente e não olhar para trás. Já estava sem ar, eu acreditei que aquele momento seria o último da minha vida. Sonhos, família, amigos, tanto para se ver, conhecer, viver trocados por um simples aparelho eletrônico completamente desgastado. Felizmente eles seguiram seu caminho e eu o meu. Voltei para casa com a palma das mãos raladas e o joelho sujo, mas o  pior não era visível aos olhos.

Depois de literalmente sacudir a poeira, fui encontrar o meu amigo que já estava preocupado com o meu atraso. Dali para frente o dia foi tão normal quanto poderia ser, exceto pelos eventuais barulhos de motos que me causaram calafrios durante um longo período de tempo.  

Crônica: o típico conto de um assalto
Vista de casa do local onde fui assaltado / Foto: Guilherme Moura