Críticas

Livro | “Mataram Marielle”; alerta spoiler: ainda não se sabe quem foi!

Quem matou Marielle Franco? Hoje faz 1.056 dias deste crime brutal que chocou o Brasil e o mundo, em 14 de março de 2018, e a pergunta ainda não tem resposta.

Sabendo disso, o livro “MATARAM MARIELLE”, de Vera Araújo e Chico Otávio, parece se tratar de uma obra prematura no início; é ler sabendo o final – que não é nada feliz. A obra não traz respostas sobre o motivo do crime ou quem foi o mandante da execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. Contudo, ela abre a caixa de pandora do submundo do crime carioca, trazendo nomes e revelações de muitos casos que passaram batido da mídia brasileira. Em certos momentos, esses casos caminham de forma tão ordenada que quase nos fazem acreditar que há um “bônus”: como assim acharam o assassino e não divulgaram o nome? Sim, essa sensação vem, mas logo passa.

O crime contra a vereadora e seu motorista fez com que a polícia chagasse a nomes que deveriam estar atrás das grades há muito tempo. Mas o livro se refere a “peixes grandes”. Sabia que existe um escritório de crimes para contratação de assassinos altamente treinados? Pois é, eu também não e talvez não saberia sem ler esse livro.

“MATARAM MARIELLE” é o primeiro livro investigativo sobre o caso, que apesar de não trazer respostas, nos apresenta como caminhou o processo de investigação sobre o caso e como aconteceram tantas mortes após a de Marielle e Anderson, quando a população acreditou que o caso estava perto de ser solucionado.

Ler pessoas falando sobre a luta de Marielle, faz o choque de ter perdido alguém que fazia a diferença na comunidade, com um ímpeto de justiça ímpar, ser ainda maior.

A obra de Vera e Otávio nos apresenta muitos nomes de possíveis assassinos, nomes estes que, de alguma forma, estiveram ligados ao presidente Jair Bolsonaro, mesmo ele não conhecendo Marielle.

O livro apresenta uma linguagem simples, fatos muito bem descritos e de forma linear e, em alguns momentos, faz
parecer que o leitor está em uma cadeirinha de canto de delegacia. Não é uma leitura leve, mas é instigante.

E a pergunta que fica é: são 1.055 dias de um caso que parece não ter solução, ou de um caso não querem solucionar?

Aspirante a véia dos gatos

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