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Lucas Menoita

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Jornalista e cinéfilo.

O MUBI, plataforma de streaming e distribuição de filmes, fará uma exibição gratuita, em parceria com o MIS (Museu da Imagem e do Som), do curta-metragem The Staggering Girl, do diretor Luca Guadagnino (Me Chame pelo Seu Nome). A exibição será nesta quinta-feira, 14, às 20h, no canal do Youtube do MIS, e faz parte da iniciativa #MISemcasa.

A obra de 37 minutos de duração conta a história de Francesca, uma escritora que vive em Nova Iorque e deve retornar a Roma para rever sua mãe idosa. Exibido no Festival de Cannes de 2019, é protagonizado por Julianne Moore, atriz vencedora do Oscar.

Bate-papo sobre o curta The Staggering Girl

Após a exibição do filme, haverá ainda um debate entre os jornalistas Lilian Pacce (curadora e consultora de moda) e Sérgio Rizzo (crítico e curador de cinema), com mediação do jornalista e cineasta Duda Leite.

Serviço

O que: The Staggering Girl, curta-metragem
Quando: Quinta-feira, 14 de maio, às 20h
Onde: Canal do MIS no Youtube
Quanto: Gratuito

A sétima edição do BIFF (Brasília International Film Festival) começa nesta terça-feira (21), em formato gratuito e totalmente online. A mudança, é claro, é por conta do isolamento em função da pandemia da Covid-19. Para assistir a programação, que vai até o próximo domingo, 26, o público terá apenas de acessar o site oficial do evento, biffestival.com, e fazer um cadastro.

Mostras e atividades

Durante os seis dias de duração, o BIFF 2020 terá cinco mostras diferentes. A Mostra Competitiva contará com filmes como o polonês Corpus Christi – indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2020 e derrotado por Parasita -, o português Hálito Azul e o bósnio Me Leve Para um Lugar Legal. Entre o júri estará a atriz e diretora Bárbara Paz.

Já a mostra BIFF Junior trará seis obras voltadas ao público infantil. Spotlight Brasília será a mostra do festival dedicada a filmes feitos na cidade, que completa 60 anos em 2020. Grandes Pré-Estreias, por sua vez, traz filmes ainda inéditos no Brasil e na América Latina. Por fim, Tributo Kirk Douglas exibirá cinco filmes estrelados pelo homenageado dessa edição do festival, o astro Kirk Douglas, morto no último mês de fevereiro, aos 103 anos.

O BIFF 2020 também contará com atividades formativas disponíveis até o fim do festival. Estão programados o curso Documentário – Da origem à produção contemporânea, ministrado pela documentarista e jornalista Flavia Guerra; o debate Mulheres em protagonismo – A batalha feminina por espaço no mercado audiovisual com a produtora Débora Ivanov e as jornalistas Flávia Guerra e Krishna Mahon, e mediado pela cineasta Cibele Amaral; e, por fim, a aula magna Tributo a Kirk Douglas, do jornalista e crítico de cinema Mario Abbade.

Programação do Brasília International Film Festival

Fique atento à programação completa do evento, que começa nesta terça feira (21) e vai até domingo (26). A maioria dos filmes estará disponível até o fim do festival, mas alguns só poderão ser assistidos em horários específicos.

21/4 terça-feira

FILME DE ABERTURA Anna Karina, para você lembrar, de Dennis Berry – disponível das 19h30 às 23h59
MOSTRA COMPETITIVA Blue girl, de Keivan Majidi
BIFF JUNIOR O livro de Lila, de Marcela Rincón
SPOTLIGHT BRASÍLIA Cano Serrado, de Erik de Castro
TRIBUTO KIRK DOUGLAS A montanha dos sete abutres, de Billy Wilder

22/4 quarta-feira

MOSTRA COMPETITIVA Fendas, de Carlos Segundo
MOSTRA COMPETITIVA Mapa de sonhos latino-americanos, de Martín Weber
BIFF JUNIOR Peixonautas: o filme, de Célia Catunda, Kiko Mistrogiro, Rodrigo Eba
SPOTLIGHT BRASÍLIA O tesouro esquecido, de Tom Ehrhardt
GRANDES PRÉ-ESTREIAS Um sonho de família, de Ginevra Elkann
TRIBUTO KIRK DOUGLAS Sua última façanha, de David Miller

23/4 quinta-feira

MOSTRA COMPETITIVA Hálito azul, de Rodrigo Areias
MOSTRA COMPETITIVA Encantado, o Brasil em desencanto, de Filipe Galvon
BIFF JUNIOR Mortadelo e Salaminho em missão inacreditável, de Javier Fesser
GRANDES PRÉ-ESTREIAS Uma lição de amor, de Amélie van Elmbt
TRIBUTO KIRK DOUGLAS Sede de viver, de Vincente Minnelli e George Cukor

24/4 sexta-feira

MOSTRA COMPETITIVA Corpus Christi, de Jan Komasa
MOSTRA COMPETITIVA The french teacher – Um amor a três, de Stefania Vasconcellos
BIFF JUNIOR CRSHD, de Emily Cohn
GRANDES PRÉ-ESTREIAS Liberté, de Albert Serra – disponível a partir das 19h
TRIBUTO KIRK DOUGLAS Assim estava escrito, de Vincente Minnelli
25/4 Sábado
MOSTRA COMPETITIVA Me leve para um lugar legal, de Ena Sendijarevi?
BIFF JUNIOR Copperman – Um herói especial, de Eros Puglielli
GRANDES PRÉ-ESTREIAS Liberté, de Albert Serra – até 23h59
TRIBUTO KIRK DOUGLAS Spartacus, de Stanley Kubrick

26/4 domingo

BIFF JUNIOR Ana, de Charles McDougall
GRANDES PRÉ-ESTREIAS Até que você me ame, de Edward A. Palmer
CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO – disponível a partir das 20h30

Prestes a completar um mês, a quarentena segue sem data para acabar em boa parte do Brasil. Para ajudar a enfrentar o isolamento, que vem se mostrando muito mais difícil do que imaginávamos, preparamos uma seleção de 16 filmes para assistir durante a quarentena.

Afinal, o cinema conta histórias e aproxima, então fique em casa, proteja-se e assista a grandes filmes.

Feel good

Dois filminhos água com açúcar pra quem tá estressado relaxar.

The Fundamentals of Caring

Um escritor recém saído de uma tragédia pessoal se torna cuidador de um rapaz cadeirante. Os dois saem em uma aventura pelas estradas dos EUA. Disponivel na Netflix!

Chef

Um chef de cozinha larga seu emprego em um badalado restaurante e decide abrir um food truck com seu filho, ex-mulher e amigos. Não assista antes de almoçar. Disponível no Prime Video!

Futuro pós-apocalíptico

Se estamos vivendo o princípio do apocalipse, não sabemos. Mas é fato que o cinema já produziu grandes obras ao imaginar um mundo após o fim do mundo.

Mad Max: Estrada da Fúria

O grande filme de 2015 e sem dúvida um dos melhores da última década. Charlize Theron (em uma atuação histórica) e Tom Hardy protagonizam um filme eletrizante de perseguição pelo deserto, gerado pela mente de George Miller. Testemunhem!

O Expresso do Amanhã

Esse filme de 2013 passou despercebido por muita gente, mas sem dúvida se trata de um grande história. Dirigido pelo coreano Bong Joon-ho (Parasita), o filme mostra um futuro em que o mundo ficou inabitável após uma tentativa frustrada de conter o aquecimento global. Os únicos sobreviventes vivem em um trem que circula sem parar por todo o planeta, divididos por classes sociais. Disponível no Prime Video!

Pandemia

A pandemia do novo coronavírus gerou interesse de muita gente por filmes que tratam da propagação de doenças. Em especial, pelos dois filmes abaixo. Mas atenção: se você tem se sentido ansioso e preocupado com tudo o que vem acontecendo, talvez seja melhor pular esses dois.

Contágio

O filme de 2011 voltou a ser assunto por conta de sua semelhança com o que mundo vive em 2020. De fato, a obra impressiona e até assusta pelo modo realista com que conta a história de um vírus perigoso surgido na China e que se espalha rapidamente pelo mundo. O elenco estelar é mais um atrativo.

Epidemia

Esse filme também voltou a ser comentado e chegou a figurar entre os mais vistos da Netflix em março. Apesar da semelhança com Contágio, aqui a pegada é bem menos realista e bem mais “pipocão”, mas ainda é uma boa opção para uma noite (ou manhã ou tarde) de preguiça. Disponível na Netflix!

Pra ver com os pivetes

Já que as crianças estão fora da escola, por que não chamá-las pra participar? Se não tem criança na sua casa, assista mesmo assim!

As Aventuras de Paddington 2

A continuação da história do ursinho britânico é ainda melhor que o primeiro filme, e uma das melhores obras infantis do cinema dos últimos tempos. Um lindo filme pra ver com os filhos, sobrinhos, afilhados ou sozinho mesmo. Bom para adultos e crianças. Disponível na Netflix!

Rango

Um desenho muito engraçado sobre um camaleão pet (dublado por Johnny Depp) que se perde dos donos e vai parar em uma cidade de bichos ao estilo velho oeste, onde vira o xerife. Disponível no Prime Video!

Baseados em fatos

Filmes que retratam a vida real são sempre uma boa opção.

The Post: A Guerra Secreta

Steven Spielberg mostra história real de jornalistas do Washington Post que publicaram, nos anos 70, os chamados Pentagon Papers, documentos com segredos de três décadas do governos dos Estados Unidos. Com Tom Hanks e Meryl Streep. Disponível no Prime Video!

O Caso Richard Jewell

O último filme de Clint Eastwood narra a triste história de Richard Jewell, um segurança americano que minimizou os efeitos de um ataque a bomba durante as Olimpíadas de Atlanta de 1996 ao encontrar os explosivos, mas que passou a ser investigado como principal suspeito do ato terrorista.

Terror

Pra quem curte o gênero.

Invasão Zumbi

Antes de Parasita brilhar nos cinemas e premiações do mundo inteiro, Invasão Zumbi já mostrava, em 2016, que o cinema coreano vinha com tudo. Um filme de zumbi clássico mas que também trata de temas como a paternidade. Disponível na Netflix!

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite

Um grupo de amigos americanos viaja à Suécia para participar de um festival de verão local, onde coisas estranham acontecem e colocam a vida do grupo em risco. Disponível no Prime Video!

Clássicos

Tempo é o que não falta durante a quarentena, então que tal aproveitar para revisitar ou conhecer pela primeira vez alguns clássicos do cinema?

Tubarão

Considerado o primeiro blockbuster de todos os tempos, Tubarão é um clássico do terror e do suspense e uma ótima programação até hoje. Obrigatório! Disponível na Netflix!

Sem Destino

Sem Destino foi um dos principais filmes de Hollywood no fim da década de 60 e início dos anos 70, e conta a história de dois motoqueiros que decidem dar carona a um advogado. Disponível na Netflix!

Nacional

Também prestigie o cinema nacional nessa quarentena!

O Som Ao Redor

Antes de Bacurau e Aquarius, Kleber Mendonça Filho dirigiu o ótimo O Som Ao Redor, filme sobre a rotina de um bairro de classe média no Recife após a chegada de um grupo de seguranças particulares. Disponível na Netflix!

O Barato de Iacanga

O Barato de Iacanga é uma daquelas gratas surpresas que recompensam a paciência de quem garimpa a Netflix. O documentário relembra o Festival de Águas Claras, uma espécie de “Woodstock brasileiro” que acontecia no interior do estado de São Paulo na década de 70 e 80. Disponível na Netflix!

A expectativa para o retorno de Star Wars às telonas em 2015 era grande, afinal, mais de 10 anos haviam se passado desde que os fãs assistiram um episódio da saga de George Lucas nos cinemas. J.J. Abrams foi o escolhido pela Disney, a nova detentora da Lucasfilm, para retomar à história e criar uma nova trilogia que finalizaria o arco da família Skywalker, iniciado 38 anos antes.

O resultado foi um filme a princípio muito bem recebido por fãs e críticos, mas que, ao ser revisto, se mostrou um pastiche do original de 1977. Ainda que tenha introduzido um novo trio de personagens, O Despertar da Força reciclou todas as ideias do primeiro filme da saga: um dróide recebe uma importante informação no deserto, se perde, é encontrado por um jovem órfão cuja origem não se conhece, e que partirá em uma aventura com um mentor.

Após a constatação de que Abrams se arriscou pouco, alguns fãs e críticos chegaram ao consenso de que estava na hora da saga encontrar novos rumos. Coube a Rian Johnson a ingrata missão. Seu episódio VIII trouxe novos conceitos para o universo estabelecido por Lucas, reviravoltas na trama e uma visão completamente diferente da de Abrams, que pregava o desprendimento dos velhos personagens e de todas as ‘regras’ estabelecidas naquele universo. A Força poderia estar com qualquer um, e não seria preciso ser ‘filho de alguém’. Nas palavras de Kylo Ren, “Deixe o passado morrer. Mate-o, se for preciso.”

Apesar da boa recepção por parte da crítica especializada, o episódio de Johnson causou a fúria de boas parte dos fãs da saga, insatisfeitos com as mudanças. Teve até petição online para que o filme não fosse considerado canônico, ou seja, que deixasse de ser um capítulo oficial da franquia.

Apesar do esforço de Johson em criar algo novo, e deixando de lado o exagero dos fãs mais ‘xiitas’ da saga – que inclusive passaram a perseguir e ofender o diretor nas redes sociais – Os Últimos Jedi, de fato, sofre com escolhas de roteiro questionáveis, viradas excessivas e com pouco sentido, além de novos personagens entediantes e poucos carismáticos e cenas de ação mal coreografadas, apesar de visualmente muito bonitas.

Foi o suficiente para que a Disney ligasse o sinal amarelo, reforçado pelo fraco desempenho nas bilheterias de Han Solo: Uma História Star Wars, spin-off lançado alguns meses após Os Últimos Jedi. J.J. Abrams, então foi chamado para retornar e concluir a história que ele mesmo começou, com o derradeiro (ao menos por enquanto) episódio A Ascensão Skywalker.

E como previsto, Abrams não seguiu a pegada de Johnson, e mais do que isso, simplesmente jogou fora ou ignorou 90% do legado do último episódio, o que fica nítido já na primeira meia hora do longa. Questões como a origem de Rey, dada como resolvida em Os Últimos Jedi – a protagonista descobria que seus pais eram anônimos que a venderam por nada – voltam à tona, e personagens criados por Johnson, como Rose, são relegados na trama, com pouquíssimo tempo de tela.

É uma verdadeira resposta de Abrams ao filme  de Johnson, com direito até mesmo à uma cutucada ao último episódio em uma fala de um dos principais da saga. Abrams segue sua proposta segura, talvez covarde, de entregar aos fãs o que eles querem ao invés de provocá-los, mesmo que isso signifique um filme arrastado, pouco inspirado, e repleto de  fans services que não agregam em absolutamente nada à história. A última parte do filme é repleta deles, com personagens clássicos da saga aparecendo – um deles pode até passar despercebido, já que tem apenas uma fala.

O modus operandi de Abrams aqui é o mesmo utilizado em O Despertar da Força: fazer quase um remake da trilogia clássica, desta vez reciclando ideias do O Retorno de Jedi. Com a morte de Snoke no filme anterior, Abrams resgatou os Cavaleiros de Ren, esquecidos por Johnson, e ainda ressuscita o Imperador Palpatine como vilão, tido como morto após O Retorno de Jedi. Leia ainda está no filme, mais como um holograma do que outra coisa, apenas respondendo outros personagens com frases genéricas e sempre distante fisicamente. É que a atriz Carrie Fischer, sua intérprete, faleceu em 2016, antes mesmo de Os Últimos Jedi ser lançado. Portanto, Abrams usou imagens de arquivo e truques de câmera para inseri-la no filme. O resultado é estranho, e nos faz questionar se não era melhor ter deixado a personagem morrer no filme anterior, quando sua nave foi explodida pela Primeira Ordem.

Apesar de agradar os fãs – as reações na internet e nas salas de cinema têm sido positivas, principalmente entre quem odiou Os Últimos Jedi – a Ascensão Skywalker pode até ser visto como um filme ok individualmente, mas é um fechamento morno de uma trilogia que não conseguiu justificar sua realização e que, por conta da falta de unidade e a dissonância entre os dois diretores e roteiristas, se tornou desconjuntada e esquizofrênica.

A princípio, a saga Skywalker está finalizada, mas é difícil acreditar que seja pra valer, uma vez que esta já é a terceira vez que ela acaba. Os próximos filmes, caso existam, poderiam deixar de lado os sabres de luz, os jedis e impérios, e focar mais em histórias menores pela galáxia. A série The Mandalorian, comandada por Jon Favreau, pode ser um bom norte.

O nono longa de Quentin Tarantino, “Era uma vez em… Hollywood”, é uma declaração de amor do diretor ao cinema e, em especial, às obras que mais influenciaram o seu estilo único, que desde os anos 1990 vem o consagrando como um caso raro de sucesso entre público e crítica.

Em suas quase três horas de duração, o filme é um tour pela velha Hollywood guiado por Tarantino, que cria seu conto de fadas (o nome Era Uma Vez não poderia ser mais adequado) ambientado em uma época de efervescência cultural na qual o cinema passava pelas mudanças mais drásticas de sua jovem vida e começava a ser moldado do jeito que o conhecemos hoje: a década de 1960.

O filme acompanha três dias na vida dos três protagonistas, Rick Dalton (DiCaprio), um ator de western decadente; Cliff Booth (Brad Pitt), dublê, faz-tudo e amigo de Rick; e Sharon Tate (Margot Robbie), esta uma personagem real, atriz casada com o diretor Roman Polanski e assassinada pelo séquito de Charles Manson em 1969. A forma com que Tarantino nos apresenta a história de cada um desses três personagens é com certeza a principal característica do filme. Devagar, sem o compromisso de envolvê-los em uma premissa ou em conflitos propriamente ditos e conferindo ao filme um caráter quase episódico, o diretor e roteirista leva os personagens de um lado ao outro, passando por histórias vividas por eles, como uma luta do personagem de Pitt com Bruce Lee no set de filmagem da série “O Besouro Verde” e uma ida ao cinema de Sharon Tate para assistir ao próprio filme.

Durante todos esses pequenos episódios que compõem o filme, até a parte final na qual Tarantino finaliza seu conto de fadas com sua reinterpretação revisionista da chacina encomendada por Charles Manson e que resultou na morte brutal de Sharon Tate, o cineasta presta homenagens e mais homenagens a dezenas de filmes da velha Hollywood, em referências e mais referências.

Há quem venha achando o filme arrastado e entediante, e o revisionismo de Tarantino, principalmente em relação à maneira como retrata alguns personagens reais, como o astro das artes marciais Bruce Lee, tem causado polêmica, com direito a farpas disparadas ao diretor pela filha do ator, que considerou o retrato do pai desrespeitoso. Aparentemente, o diretor usou toda a sua influência e respeito conquistados ao longo dos quase 30 anos de carreira para criar uma obra bastante pessoal e livre de amarras de estrutura convencional, sem precisar mais se provar como um cineasta autoral. O resultado naturalmente divide opiniões quase sempre extremas. Ame ou odeie.

Mais comedido em relação à violência gratuita (apenas três pessoas morrem nesse filme), tão presente em toda a sua obra, Tarantino parece ter se dedicado como nunca a criar protagonistas com os quais se importa e trata com muito carinho. Cliff Booth, o dublê e peão de Rick Dalton, tem um quê de melancolia, apesar da interpretação de Brad Pitt ser limitada e muito parecida com outros personagens interpretados pelo ator antes. O personagem também funciona claramente como uma homenagem de Tarantino à classe dos dublês, heróis anônimos presentes no cinema desde que a sétima arte ainda dava seus primeiros passos.

Já Rick Dalton, muito bem interpretado por DiCaprio, representa o drama vivido por muitos atores durante a metade do século XX, em uma época em que o cinema passou por drásticas mudanças fazendo muitos artistas perderem a barca de uma nova era. Antes um ator de sucesso em uma série de western, o personagem arrisca uma carreira nos filmes, que não decola e o deixa no ostracismo, relegado a pequenas pontas em séries de TV, sempre como o vilão. Até que surge a oportunidade de um recomeço no cinema italiano, assim como aconteceu (e deu certo) com Clint Eastwood.

Mas é no retrato de Sharon Tate que Tarantino baseia seu faz de conta. A atriz, assassinada brutalmente quando começava a brilhar, vive uma nova história pela visão de Tarantino, uma história que o diretor e todos nós preferíamos que fosse a real, e cujo final nos faz sentir confusos, melancólicos e empolgados ao mesmo tempo, como só o cinema, tão admirado e reverenciado por Tarantino, é capaz.

 

Um Mufasa fotorrealista cai de um penhasco após ser traído pelo fratricida Scar. A câmera corta para Simba, que grita pelo pai, replicando quadro a quadro a icônica cena do desenho de 1994. Mas desta vez não há qualquer expressão de desespero ou de qualquer outro sentimento no rosto do personagem, apenas um olhar vazio, como o de qualquer animal genérico da vida real.

A cena dá a tônica deste novo “O Rei Leão”, o mais novo remake de um clássico Disney. Dirigido por Jon Favreau e com elenco estelar de dubladores, o filme, que foi vendido como um live-action, aposta na animação ultrarrealista para dar vida à clássica animação que encantou gerações na década de 1990.

Se a técnica cumpre a expectativa de nos levar ao coração da África e de proporcionar a sensação de que estamos diante de um documentário com animais de verdade, graças a uma qualidade de computação gráfica jamais vista na história do cinema, também acaba sendo a ruína do filme. Isso porque leões, javalis, suricatos e hienas são, afinal, animais, seres incapazes de expressar sentimentos, e já que estamos falando de animais que cantam, dançam, fazem piada, se vingam e lutam por um trono de uma monarquia absolutista, a falta de expressividade acaba trazendo estranheza e torna o filme inócuo, incapaz de emocionar, tornando a escolha do idealizador pelo ultrarrealismo injustificável, sem servir ao filme e à história a ser contada.

Não conseguimos sentir um décimo da alegria de Rafiki ao descobrir que Simba está vivo, ou o tom de ameaça de Scar durante sua música “Se Prepare” (mutilada e reduzida nesse novo filme), ou o desespero durante a debandada de gnus no desfiladeiro, nem a tristeza pela morte de Mufasa, etc. O filme tem um visual tão realista que acaba dando a volta e se tornando artificial demais. A cada cena esperamos nos emocionar como quando assistimos, até hoje, o desenho original, mas as cenas se passam, o filme termina, e as emoções nunca chegam, restando apenas a sensação de que estamos vendo um clone desalmado dessa história.

A coisa melhora somente na segunda metade do filme, quando entra em cena a dupla Timão e Pumba, e muito pelo talento de seus novos intérpretes, Billy Eichner e Seth Rogen, que, ajudados por um novo roteiro que atualiza as piadas e traz um muito bem vindo frescor ao humor do filme, caem como uma luva nesses personagens.

No fim, o fato do filme ser uma cópia cena a cena do original não é o grande problema aqui, como boa parte das críticas negativas alegam. Ora, esse poderia ser muito bem o principal trunfo do novo filme, uma vez que os fãs querem mesmo mergulhar em uma jornada de nostalgia e relembrar a história contada à exaustão em reprises na TV ou em sessões em VHS. A questão é que este novo O Rei Leão, ao renegar o cartunesco e o antropoformismo, falha em despertar esses sentimentos novamente por conta da busca obcecada ao realismo.

O filme fará rios de dinheiro, como tem sido comum com todos os longas da Disney, o Estúdio Esfinge que devora franquias, sagas e concorrentes rumo ao monopólio da sétima arte, e que agora também regurgita seus antigos sucessos em versões esterilizadas por fórmulas que garantem o retorno financeiro de maneira infalível. Em breve, porém, este e outros remakes devem ser esquecidos, enquanto o rugido do primeiro e verdadeiro Rei ainda ecoará por muitos anos.

O Rei Leão
Imagem: Divulgação

Após receber o Star Wars In Concert em abril, São Paulo será palco do espetáculo The Lord of The Rings In Concert: The Fellowship of The Ring (O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel In Concert), confirmando o crescimento da popularidade desse tipo de espetáculo, já consagrado nos Estados Unidos, no Brasil. As apresentações acontecerão nos dias 4, 5, 6 e 7 de julho, no Espaço das Américas.

A orquestra responsável por performar a trilha sonora vencedora do Oscar, composta por Howard Shore, será a Orquestra Sinfônica Villa Lobos, sob a batuta do maestro Adriano Machado. Enquanto a trilha sonora é tocada ao vivo, a plateia assiste ao filme do diretor Peter Jackson, o primeiro da trilogia baseada na saga criada por J.R.R. Tolkien, em uma tela gigante e em alta definição.

A produção do evento é da Yellow Eventos juntamente com a americana Cami Music, em parceria com a Ingresso Rápido.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel In Concert no
Espaço das Américas 

Quando:
• 04 de julho de 2019 (quinta): 19h00 – Abertura da casa | 21h00 – Início do show
• 05 de julho de 2019 (sexta): 19h00 – Abertura da casa | 21h00 – Início do show
• 06 de julho de 2019 (sábado): 17h30 – Abertura da casa | 19h30 – Início do show
• 07 de julho de 2019 (domingo): 16h00 – Abertura da casa | 18h00 – Início do show
Censura: 12 anos 
Local: 
Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo – SP)
Acesso para deficientes:sim

Ingressos: S
etor Rohan e PCD: a partir de R$ 67,50 | Setor Condado: a partir de R$ 97,50 | Setor gondor: a partir de R$ 130,00 | Setor Rivendell: a partir de R$ 170,00 | Setor lórien: a partir de R$ 200,00.

Compras de ingressos: Nas bilheterias do Espaço das Américas (de segunda a sábado das 10h às 19h – sem taxa de conveniência ) ou Online pelo site Ingresso Rápido (https://site.ingressorapido.com.br/senhordosaneis/)
Call center Ingresso Rápido: (11) 4000-1139

 

No último sábado, os fãs paulistas da franquia Star Wars tiveram a oportunidade de assistir o primeiro filme da saga, Uma Nova Esperança (1977) de uma maneira única no Allianz Parque, na Zona Oeste da capital paulista. O Star Wars In Concert, pela primeira vez no Brasil, traz o filme em tela gigante e com acompanhamento musical de uma orquestra, que toca a trilha sonora do filme de maneira simultânea à projeção.

A orquestra escolhida para performar uma das trilhas mais famosas da história do cinema, composta por John Williams, foi a Orquestra Sinfônica Villa Lobos, com cerca de 80 músicos e comanda pela batuta do maestro Thiago Thiberio.

Os cerca de 10 mil fãs – de todas as idades, importante salientar – que foram à moderna arena vibraram com o filme do começo ao fim, aplaudindo a primeira aparição de Darth Vader e a destruição da Estrela da Morte com um tiro certeiro de Luke Skywalker.

No fim da projeção, os músicos foram ovacionados de pé pelos fãs por cerca de cinco minutos, que vibraram ao ouvir o maestro Thiago Tiberio deixar em aberto a possibilidade de uma exibição do quinto episódio da saga, O Império Contra-Ataca, no ano que vem.

No próximo sábado, dia 27, será a vez dos cariocas receberem o Star Wars In Concert, na Jeunesse Arena, com performance da Orquestra Sinfônica Brasileira.

“Operação Fronteira” é novo filme de ação da Netflix lançado nesta quarta-feira (13). Com elenco estelar, direção de J.C. Chandor e produção de Kathryn Bigelow, o filme conta a história de cinco ex-militares americanos de elite que se unem numa missão clandestina e independente para matar um traficante na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru e roubar sua fortuna, avaliada em 75 milhões de dólares.

Cada um dos homens do grupo, composto pelas estrelas Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Pedro Pascal e Garrett Hedlund, representa a figura do soldado americano jogado ao relento após servir seu país, algo recorrente no cinema hollywoodiano desde Rambo, e é aí que reside a única crítica social do filme, ainda que apresentada de forma tímida no primeiro ato.  Tímida porque não se propõe a se aprofundar nas questões do estresse pós-guerra sofrido por soldados, explorados por outros filmes como Sniper Americano. O filme prefere nos dizer que o único problema para esses homens é não terem recebido o retorno financeiro apropriado após se doarem por 17 anos ao seu país.

Com a exceção de Pope, o personagem de Isaac, todos são militares aposentados e descontentes com o rumo de suas vida, lutando para sobreviver sem o auxílio do Estado que os cooptou para lutar. Quando Pope consegue a localização do traficante com uma informante – vivida pela porto-riquenha Adria Arjona -, não hesita em procurar os antigos companheiros, que agora se dividem em profissões como corretor de imóveis, lutadores de MMA e instrutores do exército.

Com a promessa de um plano simples, ainda que arriscado, e da divisão da fortuna do traficante, o grupo parte para a América do Sul em busca da redenção que seu país ficou devendo. Desde o começo, o roteiro de J.C.Chandor e Mark Boal deixa claro as orientações éticas e morais do grupo, o grande conflito do filme como um todo. Esses homens não são mercenários ou simples matadores sem um código que os guie, apenas soldados cansados atrás daquilo que acreditam possuírem o direito. Os cinco estão completamente cientes, desde o início, de que estão cometendo um crime. “Se ainda estivéssemos no exército, te levaria ao tribunal militar por isso”, diz o personagem de Bem Affleck ao de Oscar Isaac durante ao planejamento da operação.

Portanto, como se para convencer a si mesmo de que o apelo do dinheiro não é tudo e aliviar o peso na consciência do grupo, o personagem de Isaac diz a todo momento que a operação também ajudará a eliminar um dos piores traficantes do continente, algo que o exército e as forças policiais da América do Sul e dos EUA não foram capazes de fazer.

Porém, o plano sofre uma série de imprevistos um atrás do outro, que faz com que o grupo se pergunte se ainda vale a pena levar tudo aquilo adiante, e a operação, que antes envolveria apenas um assassinato e um assalto ao forte do traficante, agora se torna uma luta pela sobrevivência, na qual o grupo se vê obrigado a por seus valores à prova a todo momento para se manterem vivos.

Nesse ato do filme se encontra uma das grandes virtudes de Operação Fronteira. A fotografia do russo Roman Vasyanov é um dos pontos fortes da obra. Com sequências na selva e nas montanhas dos Andes, a paisagem bucólica da América do sul se torna um dos personagens do filme, e o trabalho de câmera nas sequências de ação traz imersão e senso de realidade a quem assiste. As sequências de ação, entretanto, são a grande decepção. Apesar de filmadas com competência, sem muitos cortes, o que proporciona ao espectador o entendimento do que está acontecendo, não há muito o que observar. Os tiroteios parecem sempre acabar tão logo começam, e a tensão esperada em filme como este, de guerrilha e assalto, jamais aterrissa.

Com um fim aberto para uma sequência, Operação Fronteira é um filme de ação sem muita ação, que parece ter confiado apenas no carisma de seu elenco estelar para garantir um filme memorável, se esquecendo de cumprir o que realmente poderia lhe trazer tamanha glória.

Operação Fronteira
Foto: divulgação

O filme ‘O Gênio e o Louco‘, estrelado por Mel Gibson e Sean Penn, ganhou um trailer nacional nesta terça-feira (22). Baseado no best seller de Simon Winchester, o filme conta a história por trás da criação do dicionário de Oxford e chega aos cinemas brasileiros em 25 de abril.

O longa é dirigido pelo estreante Farhad Safinia, que também assina o roteiro, juntamente com John Boorman, Todd Komarnicki e Simon Winchester.

O elenco conta ainda com Jeremy Irvine (“Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo”, “Fallen”), Ioan Gruffudd (“Quarteto Fantástico”, “Terremoto: A Falha de San Andreas”), Jennifer Ehle (“Cinquenta Tons de Cinza”, “A Hora Mais Escura”) e Steve Coogan (“Stan & Ollie”, “Uma Noite No Museu”).

Confira o trailer:

O Gênio e o Louco /Foto: Imagem Filmes