Crítica: Hellboy

Ao contrário do que muitos imaginavam, Ron Perlman não voltou a reviver o anti-herói que veio das profundezas do Inferno, aposentando o manto – ou os chifres – e o entregando ao David Harbour (Stranger Things). Para os amantes dos dois longas anteriores, o reboot traz um frescor à franquia pela possibilidade de novas adaptações, entretanto faltou muito para que a história fosse plenamente satisfatória.

Hellboy” tem muitas semelhanças com seus filmes antecessores, como o surgimento do protagonista na 2ª Guerra Mundial em meio a uma organização nazista e ocultista, a organização B.P.D.P em que trabalha como detetive paranormal com seu pai e seu jeito badass, que foi eternizado nos quadrinhos pelas mãos de Mike Mignola. Mas nem todas as semelhanças impediram que o filme tivesse três grandes deslizes capazes de fazer até os fãs torcerem o rosto.

O primeiro gira em torno do protagonista; enquanto David Harbour entrega um Hellboy carismático, o roteiro estraga isso com piadas fora de hora, falas preguiçosas e explicativas, tornando o personagem extremamente raso e sem camadas.

O segundo ponto gira em torno dos personagens de apoio, que possuem sub-tramas mal exploradas e oferecem pouco à narrativa. O personagem que menos sofreu com isso foi o pai de Hellboy, Trevor Bruttenholm (Ian Mc Shane), pois a relação dele com o filho, apesar dos altos e baixos, é divertida. Entretanto Alice Monaghan (Sasha Lane) e Ben Daimio (Daniek Dae Kim) são quem mais sofrem pela falta de peso dramático e, de certa forma, de importância dentro da história, se diferenciando muito dos personagens da primeira versão, Abe Sapien (Doug Jones) e Liz (Selma Blair), que cativaram bem mais o público pelo simples fato de serem mais interessantes.

O terceiro ponto são os efeitos especiais; muitas cenas de computação gráfica são estranhas, principalmente a destruição da cidade e os demônios – algumas criaturas lembram bastante os monstros apresentados nos últimos filmes de Resident Evil. E falando na franquia de zumbis, Milla Jovovich vive a vilã Nimue, a Rainha de Sangue, uma personagem que tem uma introdução e backgound bem definidos, mas infelizmente não passa disso com uma atuação morna.

Hellboy não tem mais o clima soturno, marca icônica das obras do diretor Guillermo Del Toro, passando para uma fotografia com cores mais escuras, destacando bem a cor vermelha, seja na caracterização de Harbour, nas chamas do inferno ou no sangue derramado. O filme também traz diversas cenas gores e de ação divertidas, ainda que tenha ressalvas por não optarem tanto por efeitos práticos, que seriam mais assertivos.

O principal acerto de Neil Marshal (Abismo do Medo) foi, sem dúvida, a escalação de David Harbour como Hellboy. Ainda que tenha muitas observações sobre o timing cômico, o ator tem um carisma genuíno, sendo tão bom no papel quanto Ron Perlman, e uma legião de fãs que se sentirão ao menos curiosos em ver icônico xerife Jim Hopper estrelar outra franquia. Vale ressaltar que a possibilidade de uma sequência existe e o filme deixa isso bem definido nos minutos finais, dependendo agora do desempenho do Vermelho nas sessões do cinema para possíveis continuações.

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