Crítica: O Mundo Sombrio de Sabrina – Parte 2

Manter a coerência de uma série para sua segunda parte não é uma tarefa fácil, principalmente quando ela ganhou uma grande quantidade de fãs em tão pouco tempo. Felizmente todas as expectativas em torno de “O Mundo Sombrio de Sabrina 2ª Parte” foram atendidas positivamente.

Enquanto a primeira parte apresentada às vésperas do Halloween de 2018 mostrava Sabrina (Kiernan Shipka) aprendendo a lidar com seus poderes enquanto tenta levar uma vida mortal normal, a segunda acaba subvertendo a situação: conforme a deixa da season finale, ela está com seu lado sombrio mais evidente enquanto apenas transita na sua antiga rotina mortal.

A mudança de Sabrina vai além da cor do seu cabelo ou a tonalidade de seu novo batom; Kiernan Shipka conseguiu criar camadas para personagem a ponto de diferenciar os dois momentos de sua vida, com personalidades distintas, e ainda assim manter características como rebeldia, coragem e amor pelos entes queridos presente em ambos. Uma das cenas iniciais, por exemplo, mostra Sabrina trocando de roupa com mágica – fazendo uma divertida referência a série que apresentou a bruxa nos anos 90 “Sabrina: Aprendiz de Feiticeira” – e ouvindo rock’n roll no último volume, gerando estranhamento para suas tias e primo e nos mostrando como aos poucos ela está mudando.

A fotografia escura e a trilha sonora tenebrosa mantém o tom soturno que se faz presente em todos os episódios, principalmente neste momento que Sabrina está se aprofundando no conhecimento das artes das trevas e de seus poderes.  E apesar do universo de O Mundo Sombrio de Sabrina ser fictício, ele trata de temas reais como desconstrução da família tradicional,  bullying, homofobia, crenças cegas a qualquer tipo de religião, machismo e feminismo como pano de fundo. Nenhum dos temas levantados aparece de forma gratuita, eles são pincelados na trama de forma sutil ou como um estranho gosto amargo na boca – vide os 5 dogmas que Blackwood deseja implementar na Igreja da Noite.

Todos os personagens ganharam mais tempo de tela; infelizmente no processo algumas histórias se tornam desinteressantes, principalmente no lado dos humanos, em especial do Harvey (Ross Lynch). Já do lado místico é Mary Wardwell/Lilith (Michelle Gomez) que não consegue prender a atenção. Parte do problema está na construção da personagem por Michelle, que não traz o ar de perversidade e perigo real que Lilith representa, se mantendo frígida em suas expressões na maior parte do tempo.

O destaque da série fica para a família Spellman, em especial para as tias Zelda (Miranda Otto) e Hilda (Lucy Davis). Enquanto Zelda está focada em restabelecer o nome da família e ganhar poder, Hilda mostra que não é tão inofensiva quanto parece. Outra adição interessante na vida de Sabrina é Nick (Gavin Leatherwood), que além de par romântico e ter mais química com ela que seu antigo namorado, a ajuda em diversos momentos importantes durante sua caminhada na escuridão.

O Mundo Sombrio de Sabrina 2ª Parte se mantem coeso com uma continuidade excelente. O desfecho aparece como uma solução provisória para toda a problemática que a série apresentou até o momento. As pontas soltas deixadas também indicam uma continuação interessante para a história da bruxa adolescente.

O Mundo Sombrio de Sabrina -Parte 2
Foto: Reprodução
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