Crítica: Operação Fronteira

“Operação Fronteira” é novo filme de ação da Netflix lançado nesta quarta-feira (13). Com elenco estelar, direção de J.C. Chandor e produção de Kathryn Bigelow, o filme conta a história de cinco ex-militares americanos de elite que se unem numa missão clandestina e independente para matar um traficante na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru e roubar sua fortuna, avaliada em 75 milhões de dólares.

Cada um dos homens do grupo, composto pelas estrelas Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Pedro Pascal e Garrett Hedlund, representa a figura do soldado americano jogado ao relento após servir seu país, algo recorrente no cinema hollywoodiano desde Rambo, e é aí que reside a única crítica social do filme, ainda que apresentada de forma tímida no primeiro ato.  Tímida porque não se propõe a se aprofundar nas questões do estresse pós-guerra sofrido por soldados, explorados por outros filmes como Sniper Americano. O filme prefere nos dizer que o único problema para esses homens é não terem recebido o retorno financeiro apropriado após se doarem por 17 anos ao seu país.

Com a exceção de Pope, o personagem de Isaac, todos são militares aposentados e descontentes com o rumo de suas vida, lutando para sobreviver sem o auxílio do Estado que os cooptou para lutar. Quando Pope consegue a localização do traficante com uma informante – vivida pela porto-riquenha Adria Arjona -, não hesita em procurar os antigos companheiros, que agora se dividem em profissões como corretor de imóveis, lutadores de MMA e instrutores do exército.

Com a promessa de um plano simples, ainda que arriscado, e da divisão da fortuna do traficante, o grupo parte para a América do Sul em busca da redenção que seu país ficou devendo. Desde o começo, o roteiro de J.C.Chandor e Mark Boal deixa claro as orientações éticas e morais do grupo, o grande conflito do filme como um todo. Esses homens não são mercenários ou simples matadores sem um código que os guie, apenas soldados cansados atrás daquilo que acreditam possuírem o direito. Os cinco estão completamente cientes, desde o início, de que estão cometendo um crime. “Se ainda estivéssemos no exército, te levaria ao tribunal militar por isso”, diz o personagem de Bem Affleck ao de Oscar Isaac durante ao planejamento da operação.

Portanto, como se para convencer a si mesmo de que o apelo do dinheiro não é tudo e aliviar o peso na consciência do grupo, o personagem de Isaac diz a todo momento que a operação também ajudará a eliminar um dos piores traficantes do continente, algo que o exército e as forças policiais da América do Sul e dos EUA não foram capazes de fazer.

Porém, o plano sofre uma série de imprevistos um atrás do outro, que faz com que o grupo se pergunte se ainda vale a pena levar tudo aquilo adiante, e a operação, que antes envolveria apenas um assassinato e um assalto ao forte do traficante, agora se torna uma luta pela sobrevivência, na qual o grupo se vê obrigado a por seus valores à prova a todo momento para se manterem vivos.

Nesse ato do filme se encontra uma das grandes virtudes de Operação Fronteira. A fotografia do russo Roman Vasyanov é um dos pontos fortes da obra. Com sequências na selva e nas montanhas dos Andes, a paisagem bucólica da América do sul se torna um dos personagens do filme, e o trabalho de câmera nas sequências de ação traz imersão e senso de realidade a quem assiste. As sequências de ação, entretanto, são a grande decepção. Apesar de filmadas com competência, sem muitos cortes, o que proporciona ao espectador o entendimento do que está acontecendo, não há muito o que observar. Os tiroteios parecem sempre acabar tão logo começam, e a tensão esperada em filme como este, de guerrilha e assalto, jamais aterrissa.

Com um fim aberto para uma sequência, Operação Fronteira é um filme de ação sem muita ação, que parece ter confiado apenas no carisma de seu elenco estelar para garantir um filme memorável, se esquecendo de cumprir o que realmente poderia lhe trazer tamanha glória.

Operação Fronteira
Foto: divulgação
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Autor: Lucas Menoita

Sou jornalista, cinéfilo, são-paulino e faço o melhor miojo do Brasil

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