Crítica: Capitã Marvel

Capitã Marvel” é um longa que traz um respiro para o gênero de super-heróis graças a sua narrativa diferenciada, principalmente por se tratar de um filme de origem. O grande acerto é jogar o público dentro da história, sem a necessidade de muitas explicações, fazendo com que os expectadores fiquem atentos desde a primeira cena. Isso acontece porque a Capitã Marvel, alter ego de Carol Danvers, não se lembra de seu passado, e a medida que a história avança, flashbacks vão direcionando o público e a personagem.

Muitos fãs questionaram a qualidade da atuação de Brie Larson (“O Quarto de Jack”) como Capitã Marvel, já que a atriz foi duramente criticada quando materiais promocionais do filme começaram a ser divulgados. Acontece que nos 128 minutos da película, toda essa discussão causada por trailers se prova tão sem fundamento quanto desnecessária.

A atriz traz camadas diferenciadas à Carol Danvers, quando comparada aos outros atores e personagens já estabelecidos no universo. O motivo? Ela não precisa provar nada a ninguém! Ela é extremamente poderosa – e sabe disso -, não tem medo de enfrentar seus adversários ou lutar pelo que acredita ser o certo, sendo que esses sentimentos são expressados através de uma atuação linear, calma e pouco jocosa. A graça que Larson oferece como Capitã Marvel é diferente de personagens como Tony Stark (Robert Downey Jr.) ou Thor (Chris Hemsworth), já que ela aposta em um tom mais firme, seco e debochado para suas piadas.

Em contra partida, Nick Fury (Samuel L. Jackson) é o oposto da personagem principal. Mais novo e menos experiente, o espião que futuramente se tornará o líder da S.H.I.EL.D é o alívio cômico, principalmente quando interage com o gato Goose. Ele sim brinca de maneira escrachada e dá ao longa características já conhecidas nos filmes da Casa das Ideias.

Quem também se destaca pelo humor é Talos (Ben Mendelsohn),  um líder alienígena da raça Skrull que está em guerra com os Kree do qual Danvers pertence. O ator consegue fazer valer cada segundo em cena, tendo um ótimo timing cômico, desarmando o público em cenas mais tensas e divertindo em momentos precisos.

Capitã Marvel se passa nos anos 90, muito tempo antes do estalar de dedos do Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita”. A representação da época é marcada por objetos e ações simples como ligar de orelhões, utilizar internet discada ou aterrizar dentro de um locadora. Toda a parte visual e narrativa se esforça para nos transportar para aquele tempo, inclusive a interação entre Danvers e Fury remetem aos filmes de comédia policial que faziam sucesso nesse período. Entretanto, a trilha sonora não entrega tudo o que poderia e isso fica claro quando a comparamos com Guardiões da Galáxia, que tem uma forte ligação com a mesma época e oferece um dos trabalhos mais memoráveis de composições musicais da Marvel.

Um dos maiores problemas do filme é que ele traz muitos personagens que não têm tanta ou nenhuma relevância à história, como a tropa Kree que Carol trabalha, o que acaba impactando no desenvolvimento dos personagens importantes como Yon-Rogg (Jude Law), que é facilmente esquecido. Os efeitos visuais em cenas pontuais causam certa estranheza, como a primeira conexão da Capitã Marvel com a Inteligência Suprema Kree e algumas cenas dela no espaço, bem como a caracterização da raça Skrull, que traz uma maquiagem muito pesada tornando-os inexpressivos.

Capitã Marvel traz como pano de fundo questões atuais como o feminismo, com destaque para a luta das mulheres por espaços majoritariamente ocupados por homens. Ela é uma das únicas mulheres da força aérea a pilotar aeronaves, ao lado de sua melhor amiga Maria Rambeau (lashana Lynch), e é privada de fazer parte do seu trabalho pelo fato de ser uma mulher. Outra personagem que dá peso nesse sentido é a Mar-Vell (Annette Bening), uma cientista que ocupa uma posição extremamente importante, se tornado a grande inspiração de inteligência, altruísmo e força para a heroína, sendo que esse apreço é destacado algumas vezes na história.

Por ser a primeira mulher a protagonizar um filme solo de heroína no UCM, Capitã Marvel não só preparou o terreno para o próximo longa dos Vingadores como abriu espaço para mais diversidade dentro do gênero de heróis, quebrando recordes já no primeiro final de semana de distribuição, sendo a 6 ª melhor bilheteria de estreia da história e a maior bilheteria de estreia de um filme protagonizado por uma mulher. “Mais alto, mais longe, mais rápido”, frase marcante dita por Carol Danvers, sintetiza bem a importância da heroína dentro e fora das telas.

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