Crítica: Titãs

Os Jovens Titãs são personagens de uma das principais equipes da DC Universe, ficando atrás apenas da Liga da Justiça. Recentemente, os heróis foram adaptados para a série “Titãs”, que foi produzida pela nova plataforma de streaming de serviços exclusivos da editora, a DC Entertainment, e no Brasil é distribuída pela Netflix.

É sabido que nos cinemas, o universo compartilhado da DC vem passando por grandes obstáculos, desde roteiros ruins a escalações de atores. Contudo, ao mudar o tom sombrio que ditava as obras, desde o “Batman:  O Retorno” (1989) de Tim Burton até “Liga da Justiça” (2017), com os filmes solo da “Mulher Maravilha” e o recente sucesso “Aquaman”, uma luz de esperança recaiu de forma positiva sobre as bilheterias.

Mas se Warner Bros., que é a produtora dos longas metragens, errou a mão  em grande parte dos seus filmes, a CW conseguiu criar uma fórmula mágica que conquistou uma legião de fãs para suas séries (Arrow, Supergirl, Flash e Legends of Tomorrow) de uma forma mais descontraída que as apresentadas nos cinemas. Entretanto, Titãs é uma criação singular, trazendo os principais acertos dos dois movimentos. Ainda mais pensando que ela tem a responsabilidade de reapresentar os heróis que ficaram conhecidos principalmente pela aclamada animação de 2003, podendo ser um grande problema caso falhasse.

Os internautas eram outro ponto que conspirava contra a série, já que todas as informações divulgadas foram amplamente criticadas, como a escalação dos atores, trailers, ataques racistas nas redes sociais, entre outros problemas que poderiam prejudicar a distribuição e a aceitação do público. E por mais que diversos percalços tenham aparecidos, Titãs se provou nos seus 11 episódios e consegue ser excelente ao que se propõe a fazer.

Titãs traz às telas os personagens Dick Greyson/Robin (Brenton Thwaites), Rachel/Ravena (Teagan Croft), Garfield/Mutano (Ryan Potter) e Kory Anders/Estelar (Anna Diop) de uma forma mais realista e palpável, sendo este um dos principais motivos das diferenças da HQ/animação para o live-action. Além deles, outros personagens famosos como Rapina e Columba, Garota-Maravilha e a Patrulha do Destino também fazem participações especiais e deixam pontas para spin-offs.

A trama gira em torno de Robin, que almeja sair da sombra do Batman para se tornar uma pessoa diferente, e sua relação com Rachel, garota que pediu sua ajuda e proteção após presenciar um assassinato e ser perseguida devido ao seu poder.

De forma gradativa, cada um dos heróis vai aparecendo e se integrando a equipe, sempre ligados de alguma forma com a personagem de Teagan Croft. Enquanto Estelar sofre com a perda de memória, com vagas lembranças que precisa encontrar a Rachel, Mutano conhece a protagonista e sente vontade de ajudá-la e ficar ao seu lado.

A série se preocupa em desenvolver seus personagens de diversas formas: os primeiros episódios focam em cada herói; a ambientação escura combina com o universo do qual eles estão inseridos, já que o lado infantil é posto de lado e a violência é mais explorada; os diálogos são espontâneos e não subjugam a inteligência do espectador com a autoexplicação; os vilões são interessantes e ajudam no crescimento da equipe; e o roteiro e a direção extraem o melhor de cada ator.

Brenton Thwaites traz um Robin cheio de nuances e complexidades que se desenvolve bem durante toda sua trajetória, se caracterizando como um dos melhores atores da trama. Ao lado dele, Anna Diop rouba a cena como Estelar, trazendo imponência e uma presença de palco muito forte, além é claro de todo mistério sobre o passado de sua personagem e qual sua relação com a Ravena.

Titãs apresenta cenas de luta muito bem coreografadas, efeitos especiais bem feitos, quando pensados para uma série, principalmente na transformação do Mutano em fera e nas rajadas de energia disparadas por Estelar.

A série não se isenta de alguns problemas funcionais como a demora de Teagan Croft em incorporar a Ravena de forma orgânica, sem parecer forçada nos momentos em que ela necessita apelar pelo sentimentalismo. O Mutano, entre os quatro protagonistas, é o menos explorado e ainda não conseguiu transmitir a importância que o herói tem para equipe e principalmente para a Rachel. Os primeiros episódios tendem a ser mais introdutórios e dar ênfase em personagens secundários que, em primeiro momento, não agregam a trama principal, como é o caso da Patrulha do Destino, apenas para ser o pontapé inicial de uma próxima produção focada neles.

Titãs traz o melhor de dois mundos e se torna algo único para DC, se consagrando como uma das melhores séries de heróis da atualidade. Com um final aberto para uma segunda temporada, existe muito a ser desenvolvido e a fonte de ideias está transbordando, basta agora saber administrá-la para que não fique seca!

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