Crítica: 22 Milhas, novo filme de Mark Wahlberg

22 Milhas é o novo e quarto filme estrelado por Mark Wahlberg e dirigido por Peter Berg. A dupla, desde 2013 trabalhando junta, lança seu novo filme de ação/paranoia governamental repleto de agentes duplos, críticas mais profundas que uma colher à política externa americana e muitas explosões. O típico filme de ação, tiro, porrada e bomba. E nada disso seria problema se esses elementos fossem bem executados durante seus 94 minutos de duração, mas não é o que acontece. Nem de longe.

A trama é bastante simples, para não dizer simplória: James Silva, um agente de uma divisão secreta da CIA interpretado por Wahlberg, e sua equipe, que conta com as presenças femininas de Lauren Cohan e a ex-UFC Ronda Rousey, precisam transportar em segurança um informante de um país asiático fictício até um aeroporto, num trajeto de 22 milhas. Não é preciso dizer que a equipe encontra todas as dificuldades possíveis, já que aparentemente todo o país parece querer matar o personagem de Iko Uwais.

Durante a missão, o filme parece buscar, como se de propósito, atingir os maiores níveis já vistos de ação por ação, com tiroteios e sequências de luta insossas, mal feitas e mal editadas. Peter Berg mira um filme sério sobre as questões do militarismo moderno, mas consegue apenar acertar em clichês de filmes de espionagem e paranoia governamental em tempos de internet, com os personagens arrotando frases feitas como ‘Soldados não usam mais uniformes’ para apresentar agentes trabalhando de forma remota na frente de um computador.

As atuações, para piorar, também são niveladas por baixo. A de Mark Wahlberg, em especial, é de irritar até o mais tolerante espectador. Seu personagem, como somos informados durante os créditos iniciais – poucas vezes se viu um artifício tão preguiçoso para contar os antecedentes de um protagonista – é um supersoldado que sofre de transtornos de personalidade e hiperatividade. Em outras palavras, apenas para justificar a atuação de Wahlberg, o roteiro o define como um nervosinho capaz de dizer sacadas machistas e preconceituosas numa velocidade frenética de deixar qualquer rapper no chinelo.

O protagonista age como um completo babaca a todo momento, gritando com todos ao seu redor, menosprezando e humilhando colegas e superiores a todo momento. Impossível esperar a identificação do público por um personagem tão chucro assim em pleno 2018. Em uma cena, ele chega a atirar um bolo de aniversário de uma colega no chão.

Aliás, essa insistência em tentar dar um fundo pessoal a estes personagens, como no caso da agente vivida por Lauren Cohan, que conversa com sua filha e ex-marido através de um aplicativo de mensagens voltados a casais divorciados e que não permite brigas e xingamentos (sim, ainda estamos falando de um filme de ação), sai pela culatra e se transforma em uma das muitas e principais ruínas de 22 Milhas, falhando na tentativa de agregar qualquer profundidade à trama e ao desenvolvimento desses personagens.

A única coisa que parece não fracassar miseravelmente aqui é a escolha de Iko Uwais como intérprete do informante asiático. O ator indonésio, conhecido pelos ótimos filme de ação Operação Invasão 1 e 2 e ainda pouco explorado por Hollywood, confirma ser um dos melhores atores de artes marciais da atualidade e aparece como o único destaque positivo do longa. Suas cenas de luta corporal são de longe os pontos altos (ou menos baixos) de 22 Milhas. Porém, a direção pouquíssimo inspirada de Peter Berg e a edição e montagem desastrosas do filme jogam a ótima atuação física de Iko e as boas coreografias das lutas por água abaixo. São tantos cortes e o trabalho de câmera é tão ruim que mal se entende o que está acontecendo, quem bate em quem, e quando menos se percebe, a luta já acabou.

No mais, sobram violências gratuitas, diálogos que parecem ter sido escritos em cinco minutos, todos os clichês imagináveis vistos em filmes sobre agentes da CIA – se você chutou espiões russos e menções ao 11 de setembro, acertou – e um final feito apenas para abrir a possibilidade de uma sequência que, com sorte, jamais será feita.

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