Crítica: Vidas à Deriva

Em 1983, o  mundo se chocou com a história da norte-americana Tami Oldham, que passou 41 dias à deriva em alto mar após o barco em que estava com seu noivo, o inglês Richard Sharp, naufragar durante a passagem do furacão Raymond. A história de superação virou livro escrito pela própria Tami, e agora foi adaptada ao cinema pelo diretor islandês Baltasar Kormákur com o filme Vidas à Deriva.

Tami é uma jovem viajante que, durante sua passagem pelo Taiti, na Oceania, conhece um velejador inglês. Os dois logo se apaixonam e após poucos meses de convivência se tornam noivos. Depois de aceitarem uma proposta financeira pela tarefa de levar um barco do Taiti para San Diego, na Califórnia, o casal é pego de surpresa por uma das tempestades mais fortes da história, ficando à deriva em alto mar. Com pouca água e comida e sem nenhuma possibilidade de comunicação com o continente, o casal inicia, então, sua luta pela sobrevivência.

Filmes sobre humanos em situações extremas na natureza podem se tornar cansativos para o público muito rapidamente. A forma encontrada por Kormákur, conhecido por dirigir filmes de tragédias reais, para evitar esse problema, entretanto, é com certeza o grande trunfo do longa. O filme começa com o casal logo após a tempestade, no primeiro dia à deriva, e segue alternando, até o fim, os 41 dias de naufrágio com os acontecimentos anteriores. Assim, com a narrativa de forma não-linear, aos poucos vamos conhecendo a história do casal e como os dois acabaram nessa situação extrema, ao mesmo tempo em que assistimos à luta pela sobrevivência.

Com isso, o filme se divide entre um drama de sobrevivência e uma história de amor. Entre sonho e pesadelo. E já que também há romance, a escolha pela atriz Shailene Woodley, que interpreta Tami, se mostra acertada – a atriz ficou conhecida mundialmente pela atuação no romântico A Culpa é das Estrelas -; Shailene se destaca interpretando uma jovem mulher decidida e disposta a se levar ao limite para garantir sua sobrevivência. O ator inglês Sam Clafin, de Jogos Vorazes, intérprete de Richard, o noivo, também não está mal, mas acaba ofuscado pela colega. 

O romance do casal, contudo, é morno, muito por conta do roteiro, incapaz  de fugir do óbvio, ainda que não apele para o sentimentalismo barato. A trilha sonora também não empolga. O grande momento do filme é a sequência da tempestade, filmada com um realismo inesperado para um filme como esse. Antes do fim, que com certeza pode levar os mais sensíveis às lágrimas, ainda há tempo para um plot twist, muito mais interessante do que propriamente chocante.

No fim, Vidas à Deriva se revela um filme decente, capaz de entregar mais do que a aparência de ‘filme piegas baseado em best-seller ainda mais piegas’ pode sugerir, surpreendendo quem não é muito chegado a esse tipo de história.

Divulgação/Diamond Filmes

 

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