Alguma Coisa Assim resgata curta de 2006 e traz novas discussões

Curtas que fazem sucesso e se tornam longa-metragem estão longe de ser algo raro no cinema, mas no caso de Alguma Coisa Assim, filme inspirado no curta homônimo de 2006, há algo de especial. O longa, dirigido por Esmir Filho e Mariana Bastos – repetindo a dupla responsável pelo viral Tapa na Pantera, sucesso dos primórdios do Youtube brasileiro – dá continuidade à história do casal de amigos Mari (Caroline Abras) e Caio (André Antunes), apresentados no curta de 12 anos atrás. Além disso, os diretores reaproveitam as imagens de 2006 e apresentam dois novos capítulos da vida dos dois, passados em 2013, em São Paulo, e em 2016, na Alemanha.

Caio e Mari são dois jovens paulistanos vivendo a hoje finada noite de São Paulo da última década, em uma Rua Augusta repleta de neons das fachadas dos bares, baladas e prostíbulos. Enquanto o garoto vive suas primeiras experiências homossexuais, Mari parece esconder sentimentos sobre o amigo, algo que também se nota nas sequências de 2013, quando Caio se casa com outro homem. Em 2016, a dupla se vê em Berlim, onde Mari agora vive e Caio está fazendo uma residência de medicina.

As três linhas temporais do filme se alternam o tempo todo, não seguindo a ordem cronológica dos fatos. Embora seja interessante acompanhar o desenvolvimento dos personagens e suas mudanças físicas e emocionais durante 10 anos – aqui a comparação com Boyhood de Richard Linklater se torna inevitável –, o vai e vem com a passagem de tempo torna o filme um pouco arrastado, fazendo com que a hora e vinte de duração pareça ser muito mais longa, já que os flashbacks pouco ou nada agregam à trama. Quando eles surgem, estamos sempre na torcida para que acabem logo para voltarmos ao último capítulo da história.

A fotografia de Marcelo Totta e Juan Sarmiento é um dos grandes pontos altos do filme. Seja na Augusta que hoje só existe nas mentes dos paulistanos ou nas paisagens urbanas e bucólicas de Berlim, o filme consegue um olhar bastante peculiar que ressalta o protagonismo e a juventude do casal de protagonistas.

Dentre o enxuto elenco, todas as atenções são focadas em Caroline Abras, cuja carreira estourou justamente após o curta, em 2006, estrelando filmes, novelas e séries. Em uma cena em especial, na qual o casal de amigos discute, a atriz se aproveita da intensidade do momento para entregar a grande cena do filme.

Vale destacar também o trabalho de montagem do filme, de Caroline Leone, que faz com que as mudanças temporais acontecem de forma natural e não abrupta para os espectadores.

Além de questões já jogadas à luz no curta, como a homossexualidade, juventude e amizade, o filme traz também questões bastante atuais, como o aborto, imigração e relacionamentos, ainda que de maneira sutil e sem necessariamente escolher um lado.

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