A Cidade do Futuro: Conversa com os atores

Além da conversa que tivemos com a dupla de diretores do filme “A Cidade do Futuro”, Marília Hughes e Cláudio Marques, nós também entrevistamos o trio principal de atores do longa: Milla, Igor e Gilmar.

A nossa conversa foi ao mesmo tempo com os três e fluiu de forma leve e descontraída. Perguntei como foi a experiência deles atuarem pela primeira vez, sobre as dificuldades que eles encontraram em encenar a própria vida e o que eles esperavam trazer para os espectadores. Confira!

Portal Opa: Como vocês lidaram com a possibilidade de participar de um filme?

Milla: Para a gente foi uma surpresa e uma oportunidade de ter uma experiência com audiovisual que a gente pensou que nunca ia acontecer no interior do Oeste da Bahia. Aceitamos a proposta logo de cara e a cidade ficou animada para fazer o teste. Foi uma grande mobilização para que acontecesse.  

Gilmar: Foi uma experiência digna de louvor para a gente, que além do crescimento enquanto profissionais e artistas, acabou propiciando para a cidade uma explosão  de conhecimento. O Cláudio conseguiu trazer Serra do Ramalho para o mundo, sendo que o filme foi exibido em mais de 14 países e participou de mais de 30 festivais, sendo premiado em alguns deles. Trazemos uma cidade do interior, com uma história do interior, marcada pelo machismo, homofobia, preconceito, ódio, e a gente traz uma proposta de amor dentro deste contexto. Para a gente foi mágico!

Portal Opa: “A Cidade do Futuro” recebeu diversas premiações e passou por diversos países. Vocês imaginaram que o filme ia ter essa repercussão toda mundo a fora?

Gilmar: Na verdade eu nunca imaginei! Este foi o meu contato com o cinema. Para nós, tudo foi novo, desde gravar até participar de festivais. Cada país que o filme ia a gente tinha um retorno positivo. O lindo disso tudo foi esse percurso do filme que traz boas energias e o público tem gostado. As pessoas se identificam com a história, elas acreditam nesse processo de mudança. O filme me surpreendeu de fato quando ele ganha esse mundo todo e essas pessoas de forma tão intensa.

Igor: Foi  tudo experiência nova para a gente, até mesmo para o pessoal de Serra do Ramalho, nossa cidade, que não acreditou muito que o filme ia ter uma repercussão como essa. As pessoas acharam que era algo amador e não depositaram tanta fé. E aí hoje o filme está em várias premiações e festivais, em países que a gente participou como Cuba, onde eles lotaram as salas de cinema com mais de 800 pessoas em cada sessão, foi muito gratificante.

Portal Opa: A homofobia é algo que sempre esteve muito presente na nossa sociedade e atualmente é muito mais repercutida graças as redes sociais. Como vocês imaginam que este filme vai mobilizar os espectadores? Vocês acham que ele trará uma perspectiva de mudança para a sociedade?

Gilmar: A proposta dos diretores enquanto motivadores do projeto e a nossa proposta enquanto atores que interpretam as nossas vidas é exatamente motivar o pensamento da galera em relação as questões que o filme trata, desde a homofobia até a visão da mulher de forma machista, na qual ela tem que estar dentro de casa para limpar, lavar e cozinhar. A nossa proposta é justamente desconstruir esses paradigmas, sendo tudo pautado pelo amor. O fruto da nossa história é resultado do amor de pessoas que se encontraram, que acreditam nos mesmos ideais e vão contra o machismo, homofobia e todas as formas de morte que se pregam no mundo hoje.

Igor: Todos nós nos conhecemos no mesmo ano através do teatro; nos conhecemos pela arte. Levando esse amor e essa história diferente, dizemos que a gente pode levar a vida da forma que a gente quiser, mantendo o amor e paz, que é tudo o que importa. Nós mantemos uma relação muito boa, dividimos o cuidado com o nosso filho e a gente tem esse cuidado entre nós mesmos. Esta é uma proposta que não se calou, está de pé e vai permanecer assim para todo o sempre!

Milla: O filme vai trazer alguma identificação para quem assistir, seja algo bom ou ruim, vai ficar alguma coisa, e a pessoa vai fazer disso o que ela quiser, ou usar para o bem ou para o mal. O filme vem de uma forma sensível que vai tocar as pessoas e aí vai de cada um deles como vai receber essa informação.

Portal Opa: Agora é uma pergunta direcionada à Milla e ao Igor: como vocês lidaram com a cena de nudez? Tiveram vergonha ou algum tipo de complicação na hora da gravação?

Milla: O Cláudio já até tinha perguntado para a gente se existia algum problema relacionado a nudez e como estávamos fazendo o primeiro filme dissemos que não. Mas nós criamos um laço afetivo com o pessoal da produção e estávamos bem próximos, então chegou num grau que não senti medo de gravar pois estava muito à vontade com eles.

Igor: Eu, por outro lado já fiquei meio assim … Quando Cláudio me perguntou se eu topava fazer a cena do filme eu disse que topava, mas precisaria trabalhar isso. E trabalhei! No momento da cena, estava muito tranquilo, nos bastidores eles diminuíram a quantidade pessoas, pedi para a Milla acompanhar e ela ficou comigo. Na cena eu estava muito tranquilo, mas no início eu fiquei muito apreensivo com medo de não rolar.

Portal Opa: Como foi misturar a realidade de tudo aquilo que vocês vivenciaram com a ficção?

Milla: Parece que é fácil fazer a própria vida, mas não é. Mas mesmo que a gente estivesse fazendo um personagem que a gente já viveu,  quando vai encenar é um outro sentimento, outra energia. Melhorou muito colocar ficção, pois a gente trouxe mais da nossa realidade geral da cidade. Algumas coisas da nossa vida que foram mostradas no filme acontecem com outras pessoas.

Igor: Não foi fácil, apesar de nossas vidas serem apresentadas como nós mesmo, aquilo é um personagem, é uma representação. Eu não sou vaqueiro de verdade, e no filme tive eu sou pois é algo cultural da cidade.

Portal Opa: Foi tranquilo para a família de vocês atuarem ou eles estavam relutantes com a ideia?

Milla: Minha mãe estava um pouco resistente para poder gravar. Ela ouviu uns rumores que o filme tinha beijo gay e disse que não queria estar no meio disso. Mas os diretores conversaram com ela, foram amadurecendo a ideia e ela topou. Ela fez duas cenas e ficou preocupada pois tinham que fazer vários takes, ela ficava perguntando se tinha ficado ruim e se deveria fazer de novo. No final foi tranquilo, mas por conta da aproximação que tivemos com os produtores.

Igor: Cláudio lançou a proposta para minha mãe  e para minha avó. Minha vó estava com vergonha, mas minha mãe cedeu logo de cara porque ela sempre teve o sonho de atuar e ser atriz, e como apareceu uma oportunidade, ela abraçou de cara. Para eles foi tranquilo por conta da aproximação com os diretores. O Cláudio e a Marília viraram nossos amigos.

Portal Opa: Como vocês enxergam o futuro de vocês dentro da atuação?

Milla: Com o nosso primeiro trabalho eu fiquei apaixonada pelo cinema, pelos processos de gravação, produção e depois de pronto quando estamos assistindo, estamos participando dos festivais conversando com o público é muito gratificante. Eu sou estudante de artes cênicas e atualmente trabalho mais com o teatro, mas estou aberta a convites para continuar no audiovisual.

Igor: É uma carreira apaixonante. É muito bacana você ver um trabalho tendo resultado e toda a repercussão que o filme teve. Eu gosto de arte, vim do teatro e participei do cinema. Continuar seria ótimo!

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