Crítica: 13 Reasons Why segunda temporada

Chegou ao catálogo da Netflix, na última sexta feira (18), a segunda temporada de 13 Reasons Why, a série que trouxe em 2017 assuntos delicados para debate e os expôs ao público geral. Depois de diversas polêmicas em torno de seu conteúdo e alguns meses de especulação, a rede de streaming confirmou a continuação da história de Hannah Baker e seus porquês.

A segunda temporada tem foco nas pessoas que supostamente levaram Hannah ao seu suicídio, além de acompanharmos de perto o julgamento do caso, seus testemunhos e provas. A historia começa cinco meses após os acontecimentos da primeira temporada, e acompanhamos uma Sra. Baker extremamente debilitada, uma escola proibida de falar sobre suicídio e uma situação cada vez pior.

Por mais que ninguém tenha pedido por mais uma temporada de uma história que já parecia estar finalizada, estes 13 episódios não apenas agregam à trama como também nos dão outra visão sobre os mesmos fatos. O interessante aqui é conseguir analisar o já conhecido contexto por outros ângulos diversos, mesmo que pensássemos não ser necessário.

A Netflix aparentemente aprendeu com os erros apontados na primeira temporada e se esforçou para melhorar e corrigi-los, apresentando uma trama complexa e que mesmo que se conecte com a anterior, funciona muito bem por conta própria. Com momentos emocionantes e de perder o fôlego, os episódios começam lentamente, nos situando da situação depois de tantos meses, apenas para nos jogar em um furacão de acontecimentos que se conectam brilhantemente.

Um dos pontos negativos é que a trama demora a realmente engatar. O romance de Clay com Skye não tem nenhuma química e nos deixa desestimulados para continuar a assistir, além de acompanharmos adolescentes e adultos agindo de maneira impulsiva e sem nexo. O roteiro pode até utilizar fragilidade emocional como pivô, mas não justifica muitas ações. Quanto à trilha sonora, está ainda melhor que a anterior. E devo dizer, em um momento específico, ela quase funciona como um personagem a parte.

Mas o mais importante aqui é o tema desta temporada: abuso. Ela trata de todas as formas de abuso que conhecemos (ou não) e como elas afetam as pessoas ao seu redor. Traz mensagens importantíssimas sobre consumo de drogas e álcool por adolescentes, sexo e consentimento. Em diversos momentos você se pergunta que tipo de adolescente foi ou é, e quem seria naquelas situações.

Com revelações bombásticas de personagens que já conhecíamos e novas interações, é curioso perceber como os roteiristas encontraram química onde jamais conseguiríamos ver. Destaque para Clay e Justin, que tem uma relação iniciada no ódio mútuo e evolui para uma dinâmica extremamente engraçada de irmandade. Além é claro do apoio entre os porquês, que parecem ter se aproximado nestes cinco meses.

Sem spoilers, se prepare para se emocionar, ficar com raiva, rir e mudar completamente sua visão sobre Hannah Baker. A segunda temporada de 13 Reasons Why não deixa de ser uma aposta arriscada da Netflix, mas também é uma história funcional e extremamente bem construída.

Como um amigo meu diria, é a temporada pela qual você não pediu, mas que precisava.

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