Inevitabilidade

Efeito borboleta. Sempre fui fascinada por textos que falam dele e como ele pode tratar de diversas coisas da nossa vida, mesmo que não tenhamos uma percepção tão ampla de suas consequências. Caso você não saiba, essa teoria diz que uma borboleta batendo suas asas em algum lugar hoje pode causar um grande tornado daqui a semanas em outro ambiente, desde que isso aconteça no momento exato e da forma exata.

Ontem à tarde li um pequeno texto que me fez parar para refletir, um péssimo hábito que tenho. Ele dizia que você não devia se apaixonar por alguém “como ele”. Esse texto diz que depois de imprimir tantas boas lembranças na sua mente, tantos bons momentos, tantas emoções, aquela felicidade acabaria se tornando uma espécie de veneno, para que seu “gosto” fosse sentido “como sangue na sua boca”.

Nossas ações carregam uma carga curiosa de inevitabilidade. Algumas mais do que outras, mas isso não vem ao caso agora. O ponto aqui é: tudo o que nós fazemos (ou por vezes deixamos de fazer) geram consequências num futuro por vezes não tão distante. Qualquer passo dado e toda ação tomada causam uma sequência de passos e ações que fogem assustadoramente do nosso controle.

Nós temos o péssimo costume de odiar coisas que não podemos controlar. Por vezes seremos a borboleta a bater as asas e causar o furacão, fazendo questão de causar boas impressões e gerar boas memórias, mesmo sem ter a certeza de que aquilo vai durar. Ou apenas somos a pessoa que observa tudo isso acontecer, e tem que aceitar que sua vida foi supostamente destruída por esse fenômeno natural.

Aliás, esta seria a palavra perfeita para descrever toda essa situação.“Natural”. Sabendo que nossas ações têm esta carga de inevitabilidade, não podemos controlar qual das duas pessoas seremos, tornando-se um ciclo vicioso e algo natural. Acontece com todos em algum ponto da vida. Não temos poder para determinar como cada um reage a algo, e também não podemos nos lamentar por cargas emocionais acumuladas por outros.

Existe, é claro, uma fina linha entre sentir, porém não poder interferir (empatia) e simplesmente não se importar e nem mesmo querer interferir (apatia). Pessoas que se encaixam nesta segunda categoria nem mesmo se dão ao trabalho de gerar boas lembranças, pois não sentem necessidade de causar boa impressão. Não se importam.

 “Eu sou o herói desta história, e não preciso ser salvo”. Nenhuma frase poderia ser mais perfeita; ao fim do dia, cada um é o herói de sua própria história, e não precisa ser salvo, a não ser que peça ajuda ou salvação. Se você deixa experiências e traumas do seu passado decidirem como você é, não se permite mudar ou se transformar.

Ninguém é obrigado a passar por essa mudança ou autoexame de consciência. Mas nosso dever é perceber como moldamos as pessoas ao nosso redor e como somos moldados por elas. Não somos perfeitos, e é óbvio que em algum ponto deixaremos alguma memória feliz que se tornará amarga na mente das pessoas, e isso é inevitável. Mas ninguém é esse poço de coisas ruins que jorra tristeza em outros que muitas vezes acreditamos ser.

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