Crítica: A Melhor Escolha

Três amigos que se conheceram no exército, uma tragédia e diálogos inverossímeis. É possível resumir A Melhor Escolha (Last Flag Flying), filme dirigido e escrito por Richard Linklater, a essa única frase. O filme conta a história da jornada de Larry “Doc” Shepherd (Steve Carell), Sal Nealon (Bryan Cranston) e Richard Mueller (Laurence Fishburne) por memórias e problemas vividos por eles e reencarnados em outros jovens soldados.

O filme tem um ritmo lento e por vezes entediante, mas possui bons momentos. Os acontecimentos parecem se desenrolar sem nenhuma pressa, o que poderia não ser algo tão ruim, não fosse por estabelecer um ritmo que não prende o espectador ao que acontece na tela. Salvo raras exceções, como alguns momentos cômicos do trio principal e falas bem encaixadas de personagens secundários, o filme não é muito impressionante.

O roteiro trata de amizade, perdas e reestruturação, e até mesmo reintegração de militares a vida civil. Traz personagens caricatos que têm diálogos impossíveis, que parecem questionar a inteligência de quem está assistindo. Ao invés de utilizar recursos visuais mais dinâmicos, como flashbacks ou memórias perdidas, utilizam diálogos entre personagens do presente como uma fuga fácil para uma situação complicada a ser explicada ao espectador.

A fotografia é um dos méritos do filme, sendo suave e traduzindo fielmente o clima de melancolia que o roteiro demanda. Com tons pastéis em cenas com alto teor emocional e cores mais vívidas em momentos de alegria e descontração, as imagens auxiliam no storytelling e até mesmo tentam fluir a história de forma mais agradável aos olhos.

Quanto às atuações, Steve Carell com certeza surpreende. Famoso e conhecido por seus papéis em comédias, em A Melhor Escolha ele prova também ser talentosíssimo em papéis dramáticos e de peso. Traz a figura de um pai amoroso, preocupado e extremamente abalado, que confia em amigos para ajudá-lo em um momento difícil.

Bryan Cranston e Laurence Fishburne parecem estar desconfortáveis, entregando performances caricatas e estereotipadas considerando as características de seus personagens. No tempo de tela, o personagem de Cranston tenta a todo momento fazer piadas infames e chamar a atenção para si, claramente desrespeitando um momento delicado. Pode ser uma tentativa de humor, mas ela é extremamente falha.

A Melhor Escolha é um filme de poucos bons momentos, se atendo a personagens rasos, diálogos absurdamente questionáveis e méritos que não compensam (ou justificam) seus longos e pesarosos 124 minutos.

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