A mulher no cinema

No Dia da Mulher sempre existe uma enxurrada de textos bonitos e admiração, mas sabemos que na prática não é bem assim. Então parei para pensar sobre mulheres nos filmes, uma forma de entretenimento que atinge tantos públicos. Sempre me inspirarei em figuras independentes e fortes, que me deram forças para seguir em frente. Mulheres representadas dignamente, como nós merecemos. 

Abaixo, confira cinco filmes (e algumas franquias) com mulheres empoderadas e fortes, que nos mostram o espírito e a força do que realmente significa ser mulher.

Alien, o Oitavo Passageiro

Na história, a nave espacial Nostromo está em sua viagem de volta de Thedus para a Terra, carregando sete tripulantes em criossono. Eles então recebem uma transmissão de fonte desconhecida e o computador da nave acorda a tripulação. Ao investigarem o local de origem do sinal, um dos tripulantes é atacado por uma criatura estranha. O que parecia um ataque isolado se torna uma ameaça eminente quando o tripulante, após o ataque, leva a bordo um embrião da criatura dentro de sua barriga.

Após toda a tripulação ser dizimada, Ripley (Sigourney Weaver) tem que reunir todas as suas forças em busca da sobrevivência. Alguns podem até mesmo argumentar que a imagem de Ripley é masculinizada, já que ela literalmente pega em armas e luta para sobreviver. A meu ver, isso apenas mostra uma mulher com força e determinação, que faz o que for preciso para sobreviver. Ripley possui uma resiliência de dar inveja.

Mamma Mia

O filme, adaptação ao cinema da peça musical de Catherine Johnson, acompanha o casamento de Sophie (Amanda Seyfield), filha de Donna (Meryl Streep). Após descobrir um diário de sua mãe que conta suas aventurar amorosas quando jovem, Sophie vê a oportunidade de saber finalmente quem é seu pai. Para sua surpresa, ela descobre sua mãe se envolveu com três homens em tempos próximos, e para tirar as dúvidas ela convida os três para seu casamento.

Donna é uma mulher a ser admirada. Ela criou a filha, administrou um hotel e cuidou de uma ilha grega praticamente sozinha, sem nunca nem mesmo ter se preocupado em saber quem realmente era o pai de sua filha. Nunca quis nada de ninguém e sempre quis mostrar que conseguiu as coisas por mérito próprio, além de ter educado Sophie para seguir seu espírito de liberdade e justiça. Donna não deixou as impossibilidades do destino interferirem em sua vida, usando elas como combustível e motivação para seguir em frente.

Star Wars

De Padmé Amidala a Jyn Erso, o universo de Star Wars é tão amplo que seria possível escrever um artigo apenas sobre mulheres nestes filmes, HQs, games e livros. Um filme lançado em 1977, com uma personagem tão icônica e poderosa quanto a Princesa Leia (Carrie Fisher), influenciou (e ainda influencia) milhares de meninas e mulheres ao redor do mundo. Ver ela pegando o blaster das mãos de Han Solo e literalmente se resgatando foi icônico, e ainda mais ver como ela era humana, comandava uma rebelião e era senadora por seu planeta, tudo aos 19 anos.

Depois, tivemos Padmé Amidala (Nathalie Portman), uma jovem rainha de Naboo e senadora que não se contentava com palavras vazias feitas por homens em uma reunião do Senado. Literalmente levantava e tomava as ações necessárias, não se deixando abalar por ações contrárias a ela. É necessário dizer que, infelizmente, no último filme de sua trilogia ela foi mal representada, resumindo sua participação literalmente a sua gravidez. Mas sua força foi passada adiante para seus gêmeos Luke e Leia, e é possível ver traços de sua personalidade muito claros na Princesa Leia.

A nova trilogia traz ainda mais mulheres fortes. Rey (Daisy Ridley), uma garota de Jakku que não precisa de um homem para sobreviver, se defender ou conseguir pilotar uma nave. Rose e Payge (Kelly Marie Tran e Ngô Thanh Vân) , duas irmãs que sobreviveram às adversidades impostas pela cruel Primeira Ordem. Almirante Holdo (Laura Dern) e sua força ao comandar uma fuga aparentemente sem esperanças de sucesso. Capitã Phasma (um dos personagens mais injustiçados pela produção), uma mulher forte e em posição elevada de poder em uma organização majoritariamente masculina. Desde O Despertar da Força, estamos sendo presenteadas com mulheres fortes e irreverentes, dando continuidade ao costume da saga.

Estrelas Além do Tempo

1961. Guerra Fria e profunda cisão racial entre brancos e negros. Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) são grandes amigas que lutam para provar sua competência profissional e lidam com o preconceito enraizado para que consigam ascender na hierarquia da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). O filme trata de temas importantes, como a mulher no mercado de trabalho, preconceito racial e meritocracia.

A forma como é tratado a participação das personagens nos lançamentos e testes de foguetes, suas habilidades profissionais ressaltadas e o posicionamento duro e incisivo perante injustiças é muito presente e pertinente, colocando na tela do cinema a dificuldade de ser uma mulher negra num ambiente machista e misógino, além de mostrar como a força feminina é capaz de inspirar mudanças reais de realidade. Isso tudo durante uma das épocas mais complicadas na história dos EUA.

O Diabo Veste Prada

Um dos filmes que, devo confessar, me inspirou a cursar jornalismo. E mais um filme com Meryl Streep em seu elenco principal. O filme é baseado no livro de Lauren Weisberger e acompanha a história da jornalista iniciante Andy (Anne Hathaway) em seu primeiro emprego na Revista Runaway como assistente da exigente e intensa Miranda Priestly (Meryl). Após alguns desentendimentos e mudanças radicais, Andy começa a perceber que apesar de todas as frases irônicas e olhares reprovadores, Miranda tem muito conhecimento para passar.

Tanto Miranda, editora de uma das mais famosas revistas de moda do mundo e respeitada no meio como autoridade, quanto Andy, que não permite que seu namorado prejudique sua carreira sob o pretexto de “falta de atenção”, nos ajudam a compreender de forma mais ampla a necessidade de maior respeito a mulher no mercado de trabalho. Ambas a sua maneira e considerando seu tempo de profissão enfrentam problemas e balanceiam a vida pessoal e profissional. Ambas nos mostram como é possível ascender sem o auxílio ou interferência de um homem.

Para o Dia da Internacional da Mulher deste ano, enquanto escrevo essa matéria usando os coques icônicos da Princesa Leia, me pergunto como esses filmes e sagas interferiram na minha educação. Como ver mulheres que faziam mais do que falar sobre homens foi importante para meu desenvolvimento pessoal e até mesmo profissional. Nós somos fortes, belas e inteligentes. Somos poderosas a nossa própria maneira. E acima de tudo, não precisamos de um dia só nosso.

Todos os dias são o Dia da Mulher, porque nós vencemos o mundo.

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