Crítica: Pantera Negra

Pantera Negra (Black Panter) é o mais novo filme da Marvel e o último antes do retorno dos Vingadores aos cinemas, em Guerra Infinita. O longa retoma à história de T’challa (Chadwick Boseman), após os acontecimentos de Guerra Civil.

Depois da morte de seu pai, o Rei T’tchaka (John Kani), T’challa precisa assumir o manto como líder de Wakanda, país mais desenvolvido tecnologicamente do mundo e sua terra natal. E apesar de ter se preparado a vida inteira para este momento, ascender ao trono pode trazer diversos conflitos internos e indagações sobre seus deveres como rei e como herói.

O longa traz muito da tão conhecida fórmula Marvel, mas se destaca diversas vezes. Uma das surpresas do filme é Erik Killmonger (Michael B. Jordan), um vilão forte, inteligente e com motivos que nos fazem questionar o quanto ele está ou não certo dentro do seu arco. Obviamente os meios utilizados por Killmonger jamais justificariam suas razões, mas o discurso empregado faz seu papel e convence.

O que difere Pantera Negra dos outros filmes da Casa das Ideias é justamente o discurso político do filme que está presente em suas 2h15 de duração. O contexto histórico trazido também é muito forte e Michael B. Jordan consegue expô-lo com excelência: todos os diálogos são bem executados e trazem a força necessária que o personagem precisa. A afinidade entre Jordan e Ryan Coogler, diretor do longa, fica bem visível em como o ator é dirigido; eles trabalharam jutos em “Creed: Nascido para Lutar” e “Fruitvale Station: A Última Parada”, ambos estrelados por Jordan.

Killmonger não é o vilão unilateral e superpoderoso que pretende dominar o mundo a qualquer custo – tipo de problema que permeia os filmes da Marvel há algum tempo -, mas sim alguém que confronta T’challa de igual para igual, se mostrando por diversas vezes ser muito mais que apenas um obstáculo a ser superado; ele é a lembrança viva dos erros de seu pai e da omissão da sua terra natal para com o mundo exterior.

Outro ponto alto do filme é o próprio país, Wakanda, que possui uma profundidade tão grande que deixa de ser um lugar e passa a ser um dos personagens centrais da trama – Wakanda para sempre! Das montanhas e cachoeiras ao corredor do palácio, aqui tudo salta os olhos – e fica ainda mais bonito em 3D. O único erro, porém, é explorar pouco as ruas da cidade. A Marvel, em conjunto com a Netflix, já havia conseguido esta mesma essência na série Luke Cage, que se passa nos subúrbios do Harlem.

Os figurinos cumprem a tarefa de dar personalidade à nação, criando diversas tribos e apresentando as várias culturas que um mesmo país pode ter. E para completar, a trilha sonora, que recebeu a curadoria de Kendrick Lamar, mescla sons convencionais e músicas africanas, dando ainda mais credibilidade à obra.

Pantera Negra revelou desde o primeiro trailer que seria um filme extremamente representativo e não falhou na missão: seu elenco é predominantemente composto de negros, e grande parte do casting principal é formado por mulheres.  E falando nas mulheres, elas roubam a cena diversas vezes, em especial a espiã Nakia (Lupita Nyong’o) e a líder das Dora Milaje, Okoye (Danai Gurira), que estão presentes tanto para apoiar T’challa em seu reinado quanto lutar ao seu lado para salvar seu país.

A graça do longa é comedida. Desta vez, as piadas certeiras ficam por conta de Shuri (Letitia Wrigth), irmã mais nova do rei T’Challa e gênia da tecnologia; Garra Sônica (Andy Serkis), um dos antagonistas do filme; e o agente Ross (Martin Freeman), que trabalha na CIA.

O maior problema do filme é o excesso de computação gráfica que pode causar certo estranhamento, principalmente nas cenas de perseguição e no embate final entre o Pantera Negra e o vilão. Em contrapartida, as lutas corpo a corpo são bem executadas. O destaque fica para a sequência no cassino e os combates para a posse do trono.

Pantera Negra é o longa mais particular do catálogo da Marvel. Ele possui erros pontuais, mas certamente seus acertos o tornam um filme extremamente essencial tanto na Marvel quanto no universo cinematográfico dos super-heróis.

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