Star Wars: Os Últimos Jedi

Quem torceu o nariz para O Despertar da Força (2015) pelo fato do filme ser um remix descarado de Uma Nova Esperança (1977), reciclando todas as temáticas e ideias do Episódio IV com nova roupagem e novos personagens, não se decepcionará com Os Últimos Jedi. Pelos menos não por esse motivo.

O novo episódio da saga, escrito e dirigido por Rian Johnson, diretor de filmes indie e com o currículo ainda bastante curto, caminha por novos trilhos jamais explorados na saga e contraria as expectativas de que seria apenas um nova versão de O Império Contra-Ataca (1983), considerado por boa parte dos fãs como o melhor filme da franquia. Não que não haja elementos que emulam o filme de 83. Eles estão lá: a relutância do mestre em treinar seu pupilo, a impaciência do aluno e sua esperança de redenção do vilão. Porém, o filme consegue trabalhar todos esses conceitos de outro jeito, algo que o longa de 2015, de J.J. Abrams, não conseguiu (ou sequer tentou?) fazer.

Em Os Últimos Jedi, o foco da trama é a desconstrução da dicotomia do bem e do mal na qual todos os outros filmes foram calcados. Aqui vemos um Luke Skywalker atormentado pelos erros do passado, um eremita que não deseja ser encontrado e muito menos treinar um novo jedi; Kylo Ren e Rey encontram uma conexão entre si e questionam suas motivações e posições. O que difere o bem do mal, a Resistência da Primeira Ordem, os Jedi dos Sith, senão o ponto de vista? Rogue One (2016), spin-off da saga lançado ano passado, já havia trazido em sua trama questões como essa, mas a pouca profundidade do enredo e dos personagens atrapalhou a execução da ideia.

É um filme pessimista do início ao fim. Não há vitória completa, e nenhuma batalha é vencida sem um custo alto. O humor também é usado de maneira singular na saga, o que alguns podem estranhar e até achar exagerado, mas certamente não é nada que comprometa a obra como um todo.

O ponto fraco do filme é seguir a sina dos segundos capítulos de boa parte das trilogias: não trazer mudanças, evoluções e desenvolvimentos para a história, servindo mais como uma mera ponte para o capítulo final, no qual as verdadeiras reviravoltas e conclusões irão acontecer. Alguns mistérios deixados no ar pelo primeiro filme até são revelados, mas nada muito marcante.

Algo que também incomodou este autor foi a subutilização dos outros vilões da Primeiras Ordem além de Kylo Ren. General Hux, personagem que no primeiro filme chamou a atenção por ser uma espécie de rival de Kylo Ren dentro da Primeira Ordem – o que nos fazia supor que ele fosse tão especial quanto o filho de Han e Leia – numa rivalidade equivalente a de Tarkin e Darth Vader no longa de 77, aqui é reduzido a um mero fantoche atrapalhado, covarde e patético. A Capitã Phasma continua subutilizada e com pouco tempo de tela, enquanto a participação do Supremo Líder Snoke também acaba sendo bastante frustrante, para não entrar em detalhes.

Há menos ação do que no último episódio, mas as cenas de batalhas são lindas e de tirar o fôlego, com destaque para a última, filmada na Bolívia.

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