Nada de silêncio: é preciso falar de suicídio

10 de setembro é considerado o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. Para apoiar a causa, foi criada, em 2003, a campanha Setembro Amarelo, pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e a Organização Mundial de Saúde. A iniciativa tem o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e das suas formas de prevenção.

O suicídio é considerado, desde 1990, pelo Ministério da Saúde, um problema de doença pública, vitimando atualmente cerca de 32 brasileiros por dia (OMS). Um dos motivos que agrava estes números é o silêncio ensurdecedor que se criou em torno do assunto.

De acordo com especialistas, a notícia pode influenciar pessoas vulneráveis psicologicamente e alguns cuidados devem ser tomados. “Pode influenciar sim, não há certeza do grau de influência, mas o assunto é sério o suficiente para que não se experimente. Há também a preocupação de poupar os sobreviventes que podem estar em grande sofrimento e podem ter uma exposição pública que pode aumentar ainda mais a sua dor”, afirma a Dra. Maria Júlia Kovács, autora do livro “Morte e desenvolvimento humano”, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte do Instituto de Psicologia da USP.

No entanto, assim como o câncer, a AIDS e as demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), que há duas ou três décadas eram rodeadas de tabus e viam o número de suas vítimas aumentando a olhos nus até se tornarem assuntos frequentes na mídia, o suicídio precisa ser debatido, pois a sua taxa de mortalidade já supera a da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.

Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim (1977), que estudou a fundo as razões dos suicidas, o suicídio é uma manifestação individual de um fenômeno coletivo e cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias. As razões seriam processadas individualmente, mas sempre de modo a refletir uma realidade social.

As condições do meio social estão diretamente proporcionais ao aumento de casos de transtornos mentais, como Depressão e Bipolaridade. E essas doenças estão atreladas a 90% dos casos de suicídios (OMS).

A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. Ninguém que passa por um transtorno mental precisa chegar nessa solução definitiva para um problema temporário.

O que precisamos combater?

O silêncio! Não é agradável falar sobre quem se matou ou tentou se matar. Ao mesmo tempo, discutir o assunto – e entender os fatores que levam a ele – são as únicas armas que temos contra o suicídio.


O assunto é sério. Veja mais dados:

  • O Brasil é o oitavo país com mais episódios no mundo, mas em número de casos por 100 mil habitantes, o país passa a ser o 113.º do ranking mundial. Aqui,uma ocorrência é registrada a cada 45 minutos. O estado do Rio Grande do Sul tem mais casos por habitantes, e o Rio de Janeiro, menos.
  • Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 805 mil pessoas cometem suicídio por ano. Em 2012, foram 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. É a principal causa de morte entre jovens de 25 a 34 anos e a 15.ª causa no mundo.
  • Entre adolescentes de 10 a 14 anos, o aumento de casos chegou a 40%, de acordo com o último levantamento do Mapa da Violência.
  • Cerca de 60% das pessoas que se suicidam nunca se consultaram com um psicólogo ou psiquiatra.

Em caso de emergência

  • Ao ver uma postagem suspeita, notifique o Facebook e entre em contato com o amigo. Basta clicar no botão superior da publicação, denunciar publicação, escolher “Acredito que não deveria estar no Facebook” e depois seguir com as opções que citam ações suicidas como “Mostra alguém se ferindo ou planejando se ferir”.
  • Se alguém ameaçar tirar a própria vida, sempre leve a sério: ligue para o 190 ou acompanhe seu amigo pessoalmente até a emergência mais próxima.
  • Depois de uma ameaça de suicídio, entre em contato periodicamente com a pessoa.

 

Se você está com problemas:

Ligue para o CVV pelo número 141. O Centro de Valorização da Vida foi fundado em São Paulo em 1962 e a sua finalidade é realizar atendimentos via telefone, Skype, chat, e-mail e até presencial para estimular a discussão do suicídio como forma de preveni-lo. Assim, mesmo que a pessoa não tenha certeza de que precisa de ajuda, eles orientam o primeiro contato com os voluntários que estão à disposição.

Verdades e Mentiras sobre suicídio

1 / Se alguém está determinado a se matar, não há nada que você possa fazer.

MENTIRA. Depressão e sentimentos suicidas não passam com o tempo. Acolher a pessoa de modo que ela possa por seus sentimentos para fora, encorajando-a a buscar ajuda profissional para se tratar e dar suporte emocional até que a vontade suicida passe, são modos de ajudar.

2 / Tentativa de suicídio é um pedido de ajuda.

VERDADE. Tentativa de suicídio é um sinal claro de que a pessoa está enfrentando sentimentos os quais não está apta a lidar, precisando de ajuda para tanto

3 / Quase sempre, a pessoa manda sinais de alerta antes de cometer suicídio

VERDADE. Muitas pessoas irão fazer comentários sobre desejarem estar mortas ou como todos estariam bem melhor se elas não estivessem por perto. Até mesmo aqueles que não expressam desejo de morte podem mostrar sinais de depressão.

4 / Falar sobre suicídio com alguém que tem inclinação suicida irá influenciar mais ainda.

MENTIRA. Perguntar sobre sentimentos suicidas para a pessoa dará abertura para ela falar sobre os sentimentos que já existem, mas que ela mesma tem medo de encarar.

5 / Suicidas não querem realmente morrer, querem somente acabar com sua dor.

VERDADE. Suicidas querem viver, mas eles não conseguem achar nenhuma outra saída para acabar com a dor insuportável que sentem.

6 / Pessoas que cometem suicídio são fracas.

MENTIRA. Pessoas fortes podem cometer suicídio. Depressão e outros transtornos mentais são doenças, não um sinal de fraqueza.

Foto: divulgação

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