It: o seu medo é o protagonista

Se você tem coulrofobia (nome dado à fobia de palhaços), It definitivamente não é o filme para você. A história do Loser’s Club, sete crianças que decidem combater um grande mal após serem ameaçadas por ele, é definitivamente assustadora, e enquanto você assiste seu desenrolar na tela começa a se perguntar quais são os seus medos mais profundos. O filme, ao contrário do que se pensa, não é um remake do filme de 1990, e sim uma nova adaptação do livro de 1986 de mesmo nome e escrito por King.

A cena de abertura do filme é idêntica ao original, com o mesmo diálogo. Há quem diga que revelar a face de Pennywise nos primeiros minutos de filme foi um erro, e que esta surpresa deveria ter sido deixada para outra parte do filme. Neste caso sua presença apenas serviu para nos preparar para tudo o que estava por vir e já causar apreensão desde sua primeira aparição. O roteiro guia o filme de forma que você sabe o que acontecerá no fim, porém não consegue identificar como os personagens chegarão naquela conclusão específica, recurso inteligente e que acaba prendendo o espectador na história.

Bill Skarsgard dá um ar totalmente novo ao tão conhecido palhaço assassino, personalizando Pennywise como a criatura assassina que ele realmente é. Suas aparições, sempre muito pontuais, chocam pela insanidade e maldade demonstradas por um sorriso ou olhar. O personagem dança brilhantemente entre fazer as crianças rir e matá-las utilizando seus medos mais profundos. Claro, como todos os filmes de terror da atualidade, ele protagoniza jump-scares, porém o recurso é utilizado apenas como um complemento ao real perigo que A Coisa oferece.

Apesar de algumas falhas no roteiro e ações duvidosas tomadas por personagens, o filme tem um bom desenrolar e choca nos primeiros cinco minutos. O personagem Henry Bowers (Nicholas Hamilton), líder de uma gangue de bullies que aterrorizam o Loser’s Club, acaba se tornando um “enchimento de linguiça” e protagoniza algumas das cenas mais desnecessárias do filme. Beverly Marsh (Sophia Lillis) inicia o filme com um longo cabelo ruivo, o qual ela decide cortar como “sinal de força” depois de aproximadamente 20 minutos de filme; um recurso narrativo machista que só reforça o estereótipo de que uma menina só é forte se parecer um menino.

Bill Denbrough (Jaeden Lieberher), o personagem com quem o público mais se aproxima, é o líder do grupo. É inteligente e tenta sempre tomar a frente em situações de perigo, mas seu intelecto varia absurdamente entre gênio e completo imbecil. O roteiro pode até tentar justificar algumas de suas atitudes pela perda do irmão, porém nem sempre isso funciona plenamente. Quanto aos outros integrantes do clube, eles cumprem seu papel, mesmo não possuindo tanto protagonismo quanto Bill.

Com cenas impactantes, homenagens muito pontuais ao filme original, roteiro que traz um sentimento confortável de nostalgia, turma de bairro estilo Stranger Things e um bicho papão que busca seus medos mais profundos e os usa contra você, It: A Coisa é, sem sombra de dúvidas, o melhor filme de terror do ano.

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Adriana Oliveira Santos disse:

    Adorei o texto, já estou curiosíssima para assistir o filme.

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