Esclerose múltipla afeta 45 mil brasileiros

“Um dia eu acordei e estava com uma dor insuportável no olho esquerdo, com a vista embaçada e não conseguia ver a claridade do dia”, relembra Rosilene Albuquerque, que há 5 anos descobriu que possui esclerose múltipla. Nesta quarta-feira, 30 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, doença autoimune e neurodegenerativa que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta mais de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, 45 mil delas no Brasil.

Com índices de diagnósticos expressivos entre os 20 e 40 anos, a doença atinge duas vezes mais as mulheres. Os surtos inflamatórios da esclerose atacam o sistema nervoso central (SNC) e destroem a bainha da mielina (responsável pela condução dos impulsos elétricos que transportam a mensagem do cérebro para o corpo). Ao danificar a membrana, os impulsos são interrompidos, o que gera dificuldade nesta comunicação e provoca a falta de movimentos ou visão.

Entre os principais sintomas estão os transtornos visuais, problemas no equilíbrio e na fala ou paralisia dos membros, que facilmente são confundidos com outras doenças ou crises. Para um diagnóstico correto, é necessário que o paciente procure um neurologista. “Confundiram minha esclerose com enxaqueca duas vezes. Apenas quando fui ao Hospital Adventista e passei com o segundo neurologista, o Dr. Leonardo Medeiros, meu diagnóstico foi fechado. Naquele dia eu perdi o chão”, comenta Rosilene.

Por não ter cura, o tratamento da esclerose é feito através de medicamentos que auxiliam no combate aos sintomas e reduzem sua progressão. Em alguns casos, o transplante de células-tronco é uma opção. Reeducação alimentar, fisioterapia e neuroreabilitação também contribuem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, realizar trabalhos manuais pode auxiliar a coordenação motora, amplamente afetada pela doença.

Instituições como a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) oferecem apoio terapêutico e social aos pacientes e familiares. A Abem possui um Centro de Neuroreabilitação que dispõe de diversas atividades como pintura, tricot e artesanato, visando a independência funcional dos pacientes.

Tipos

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Esclerose Múltipla (PCDR), do Ministério da Saúde, aponta para a existência de quatro formas de evolução clínica para a doença: a remitente-recorrente (EM-RR), a primariamente progressiva (EM-PP), a primariamente progressiva com surto (EM-PP c/surto) e a secundariamente progressiva (EM-SP).

Segundo o levantamento, quando apresentados os primeiros sintomas, em 85% dos casos o tipo de esclerose é a remitente-recorrente, enquanto a primariamente progressiva e primariamente progressiva com surtos representam cerca de 15%. A secundariamente progressiva é uma evolução natural da remitente-recorrente, após 10 anos do diagnóstico.

 

Dia a dia

Uma das principais dificuldades para quem convive com a esclerose múltipla é a fadiga, principalmente em dias mais quentes. Por ser uma doença invisível em muitos dos casos, a falta de compreensão por parte da população e até mesmo da família é preocupante. Muitos pacientes sofrem quando precisam utilizar assentos reservados no transporte público, em filas de banco ou caixas de supermercados.

“É uma doença silenciosa que nos pega no auge da vida e muda nossos planos, mas não podemos nos deixar abater, temos que seguir em frente. Ela não atinge apenas pessoas idosas, acontece com qualquer pessoa, em qualquer idade. Por isso é tão importante conscientizar a população para que entendam, ajudem e respeitem”, esclarece Rosilene.

Para conscientizar os cidadãos sobre os sintomas da doença, o movimento #MúltiplasRazões tem como proposta realizar ações interativas com realidade virtual. De acordo com o site do projeto, o objetivo é possibilitar que o público vivencie os sintomas por meio da realidade aumentada.

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Infográfico sobre esclerose múltipla / Stephanie Passos

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