Claudinho, de peão a cavaleiro!

É quinta-feira de manhã. Às nove horas, o dia está chuvoso e cinzento na cidade de São Paulo. Isso não aflige Cláudio Aleoni, que parece ansioso para montar em Talismã, seu cavalo e companheiro, na Hípica Paulista. O treino não demora a começar. Lá vem Claudinho, como é conhecido. Camiseta branca, cap com queixeira e segurando as rédeas do cavalo. Está tudo pronto para começar a aquecer. E lá vai ele, trotando ao redor da pista. Ao fundo, o treinador vai dando os comandos.

16 de abril de 1985. Já era tarde da noite quando Lisabeth Aleoni partia para a maternidade, preocupada com sua gestação de risco.  Teria que fazer uma cesárea, aos oito meses, de seu segundo filho: Cláudio Aleoni Arruda. O parto ocorreu às 21h.

No dia seguinte, Lisabeth, no mesmo quarto que o bebê, começou a perceber algumas características diferentes de sua primeira filha. “Eu perguntava para os pediatras que passavam e nenhum me dava informação. Comecei a reparar que o Cláudio não mamava. Chamaram o meu marido à noite e disseram que o bebê tinha um sopro. Quando o meu marido veio falar comigo, nossos olhares se interlaçaram e só confirmou que o nosso filho tinha síndrome de Down”.

Após essa notícia, a primeira noite foi a mais longa de todas. Ao sair da maternidade, Lisabeth sentia muita vontade de que Claudinho fosse um grande vencedor. De família mineira, eles sempre iam à fazenda. Adoravam praticar Motombike, mas Claudinho não se interessava. Era o único esporte pelo qual ele não tinha interesse em aprender. Foi então que surgiu a ideia de dar uma égua para ele, aos cinco anos de idade. Cláudio, que já adorava animais, foi se apaixonando cada dia mais. Seguia a família nos passeios de Motombike com sua égua.

Por conta de São Paulo ser longe de Minas e o garoto não conseguir sempre montar, os pais decidiram colocá-lo nas aulas de hipismo. Aos 17 anos, foi acolhido na Hípica Paulista. A primeira sugestão foi de que ele fizesse equoterapia, mas como Claudinho já sabia montar e era muito seguro, fez uma aula e comprovou que já dominava tudo o que a atividade podia oferecer. “Depois da aula, o professor falou que ele poderia começar quando quisesse. Tivemos alguns contratempos, pois o Cláudio fazia muitas atividades durante o dia, mas fomos ajeitando a rotina”.

Claudinho foi crescendo e se destacando. A participação de sua mãe e de todos os familiares foi marcante para chegar aonde chegou. Atualmente, aos 32 anos, é aluno nas modalidades Salto, Adestramento e Equitação de Trabalho na Hípica, além de professor, sendo um grande exemplo para todos que ali estão. Em 2009 foi vice-campeão do Ranking do Campeonato de Equitação Fundamental da Regional Metropolitana da FPH série 60 cm, um título importante para sua carreira. O grande cavaleiro sempre competiu de forma justa e igual a todos os outros participantes, sem precisar de auxílio ou vantagem para vencer. 

Em 2012 foi a Nova Iorque, para falar sobre seu livro Mude Seu Falar Que eu Mudo o Meu Ouvir. Além disso, Cláudio é palestrante e viaja o Brasil para mostrar às outras pessoas como o cavalo ajudou em seu desenvolvimento e na inclusão por meio do esporte. Ele não cobra nada para isso, apenas uma ajuda de custo para a viagem. Futuramente o sonho do atleta é poder ajudar outras pessoas com síndrome de Down e criar uma instituição para que todos tenham espaço. 

Cláudio comemorando uma de suas conquistas no hipismo / Foto: Antônio Chaves Arruda

2 comentários Adicione o seu

  1. Maysa Aparecida de Souza disse:

    Bela história, inspirador.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s