Saudades de uma guerreira

Não imagino como vai ser a minha próxima viagem ao Piauí. Chegar lá e saber que não vou poder ir à casa da minha bisa, ou simplesmente Maenisa, como todos a chamavam carinhosamente.

Sua casa no interior do Piauí é muito aconchegante. Sabe aquela casa simples e antiga? Assim é a casa da minha bisa! Um local calmo, familiar e que passa uma paz para todos aqueles que o visitam. Quando eu viajava, não dormia de ansiedade para poder ir almoçar ou jantar lá, ver minhas tias-avós, meus tios- avôs, primos e, é claro, a bisa. Sempre ia uma caminhonete D-20 com a galera da cidade para visitá-la, e todos com um sorriso estampado no rosto para verem a Maenisa.

Minha bisa, apesar de idosa, era uma senhora muito vaidosa, sempre estava com as unhas feitas, brincos e vestidos longos. Apesar do calor de 40°C, sempre usava uma toquinha; ela não gostava de deixar seus cabelos soltos. 

Quando todos se cumprimentavam, minha bisa chamavam todo mundo para ir à mesa se servir. Uma mesa de quase 2 metros, com vários tipos de carnes, arroz, feijão, salada. Para quem gosta de um bom rango  – assim como eu adoro -, os banquetes dela eram ideais para sair com a barriga cheia. A comida feita no fogão à lenha era uma delícia à parte, com aquele gostinho de comida do interior. Logo após a refeição, sempre eram servidas sobremesas como doce de leite, queijo, goiabada, rapadura, ou Maenisa pegava um saco de balas e bombons e jogava no quintal para a criançada. Era a maior festa e, na maioria das vezes,  as balas e bombons ficavam escondidas na areia e as crianças ficavam à procura de algum doce escondido. Ela sempre perguntava se todos estavam satisfeitos, não gostava de ver ninguém com fome. 

Em janeiro de 2016, fui ao Piauí e fomos à casa da minha bisa. No caminho, o carro atolou na lama e ficamos mais de 1 hora tentando sair de lá. Lembro- me que chegamos um pouco tarde e já era quase o horário do jantar. Antes de comermos, eu e minhas primas, Laisa e Vivian, decidimos ir ao quintal do nosso tio-avô, porque lá tinha um pé de seriguela e estávamos com vontade de comer. Minutos depois, chegou o cachorro do tio-avô e latiu muito, afinal estávamos invadindo o quintal do dono dele. Ficamos dentro da casa do tio, o cachorro cada vez mais bravo e os minutos passando; a esposa do meu tio decidiu distrair o cachorro para poder voltar à casa da bisa.

Chegando à casa da bisa, encontro minha mãe e conto todo o perrengue que passamos com o cachorro, no que minha bisa caiu na risada e disse: “Cuidado com o cachorro da roça”. Eu também aproveitei a situação e caí na gargalhada. Minutos depois resolvemos tirar umas fotos, para registrar aquele momento e tiramos várias. Apesar da minha bisa não ser muito fã de fotografias, ela caiu no embalo. Quando tiramos as fotos com todos, chamei minha bisa para tirar umas selfies somente eu e ela, e eu disse: “Bisa, quero tirar umas fotos com a senhora, para futuramente mostrar aos meus filhos e falar que a senhora é a tataravó deles”, ela sorriu e fizemos nossa sessão de selfies para eu postar nas minhas redes sociais e fazer um álbum de fotografia. Aquela noite foi inesquecível, após o jantar e a sobremesa foi à hora da despedida. Foi muito triste se despedir dela e saber que foi à última noite em que eu estive junto com minha bisa. Lembro- me que dei um abraço e beijo bem forte nela e agradeci por tudo que ela me proporcionou naquela noite.

No dia da sua morte perdi o meu chão. Acordei pela manhã e vi no grupo do WhatsApp da família a seguinte mensagem: “O céu acaba de ganhar um anjo: Maeniza”. Nesse momento, não sabia como eu ia seguir o meu dia, como eu ia pro estágio, pra faculdade. Chorei por alguns minutos, pedindo muita força a Deus para poder seguir o meu dia sem chorar. Quando cheguei da faculdade, minha mãe estava na sala assistindo televisão e começamos a conversar sobre a bisa. Falar dos maus bocados que ela já passou nessa vida, da morte do meu biso, morte dos seus filhos, entre outros momentos ruins que ela já passou. Minha mãe tinha um imenso orgulho de falar Maeniza, e sempre falava ela que ela era uma referência de força e superação. 

Hoje tenho muito orgulho de ter passado momentos especiais com ela, apesar da distância que existia entre nós duas. Quando estava no Piauí, sempre fazia de tudo para vê-la e aproveitar o seu carinho. Bisa, a senhora vai ser referência para as próximas gerações que estão por vir na nossa família, e todos vamos lembrar da senhora com o seu jeito alegre de ser que contagiava a todos.

1 comentário Adicione o seu

  1. josinayde Reis disse:

    Verdade Ana Paula essa é era a maeniza que todos conhecemos apesar de ñ ser sua neta de sangue mas tenho muito orgulho dela ser minha avó de coração de ter convivido com ela foi o maior presente que Deus me deu e assim como vocês eu também sofri pela a morte dela pois pedi uma avó.

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