Com rótulos inspirados em pecados capitais, cervejaria abre as portas para consumidores

Oh! Comandante, capitão, tio, brother, camarada, chefia, amigão desce mais uma rodada!

Para os amantes do líquido cor de ouro, cerveja é coisa séria e foi com essa premissa que visitamos a cervejaria Mea Culpa, na cidade de Cotia, em São Paulo, para conhecer a produção artesanal da marca. Apresentado pela sommelier Julia Reis e pelo mestre cervejeiro Rodrigo Louro, o tour recebe curiosos, apreciadores da bebida e produtores caseiros nas quase três horas de visitação.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope, em novembro de 2013, revelou que a cerveja é a bebida preferida de 2/3 dos brasileiros para comemorações, com 64% da preferência, o que faz do brasileiro um dos maiores consumidores de cerveja do mundo. A média anual de litros consumidos por habitante cresce a cada ano.

E essa é uma das grandes razões para ser um mercado em franca expansão: o Brasil é o terceiro maior produtor do mundo, atrás dos Estados Unidos e China, e supera a Rússia e a Alemanha. Microcervejarias e importadoras estão ocupando um importante espaço no mercado nacional. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), as chamadas cervejas especiais reúnem as artesanais, as importadas e as industriais de categoria “premium”.

“A gente tem muito que crescer, estamos no início da revolução. Temos que nos desenvolver muito quando nos comparamos a outros países, mas é um começo promissor e cada vez mais o brasileiro tem procurado as cervejas artesanais”, comenta Victor Lucas, proprietário da cervejaria Mea Culpa.

Depois de ouvir da esposa que deveria trabalhar com uma coisa que gostasse, como um hobby, Victor, que sempre gostou de cerveja, fez um curso caseiro e, aos poucos, a brincadeira se  tornou um verdadeiro negócio.  Fundada em 2015, a Mea Culpa tem uma linha de produtos artesanais inspirados nos pecados capitais, traduzindo o melhor da Gula, Ira, Preguiça, Luxúria, Avareza, Inveja  e Vaidade em rótulos exclusivos e cheios de personalidade.

“Sempre tive uma curiosidade grande de saber como se fazia cerveja. Por coincidência, depois, acabei descobrindo que meu avô fazia cerveja em casa, em ocasiões especiais. Ele produzia de uma maneira bem artesanal, não tinha sistema de refrigeração, então  enterrava as cervejas na argila para maturar e fermentar, durante a produção. Estava no DNA e eu nem sabia”, conta o proprietário da fábrica.

Tour Mea Culpa

O tour pelas instalações da fábrica acontece mensalmente. Nele  a sommelier Julia Reis e o mestre cervejeiro Rodrigo Louro apresentam, passo a passo, a produção da bebida.

O tour divide os convidados em dois grupos, todos com toucas nos cabelos. Julia nos revela alguns traços do DNA da bebida: em suas palavras, uma “cerveja com propósito”.  Diversos tipos de maltes e lúpulo nos são apresentados e com eles algumas características dos rótulos da marca.

Seguimos para a sala de armazenamento, onde o malte é estocado e moído. A sala, com temperatura rigorosamente controlada para evitar a umidade, guarda a matéria prima da bebida. De acordo com Louro, o moedor tem capacidade de meia tonelada por hora.

De lá, o produto, e nós também, somos guiados para as panelas e tanques. São nestes recipientes gigantescos que a bebida, já com água, é fervida a mais ou menos 74º. Neste momento, bebemos direto do tanque a Luxúria, cerveja com 10% de teor alcóolico e que possui em sua composição gotas de chocolate e café, perfeitamente linkadas com o pecado.

Depois de resfriado, o líquido, em linhas gerais, permanece por mais ou menos duas semanas nos tanques, onde é fermentado e aguarda o tempo de maturação. A média de tempo varia entre um tipo de bebida e outro. Para preservar aromas e sabores, parte da linha de produtos não é pasteurizada e filtrada. Isso garante frescor e presença marcante dos lúpulos e especiarias a cada gole.

A estação de engarrafamento e rotulagem das latas e garrafas é de uma tecnologia ímpar para processos artesanais: 1000 garrafas por hora. A cervejaria ainda aceita alguns trabalhos independentes nesta área e rotula embalagens de outras cervejarias.

Já o laboratório é o lugar de onde saem os pecados, com receitas assinadas pelo mestre cervejeiro Rodrigo Louro. Antes da produção em larga escala, são feitos testes em laboratório, onde  pressão, aroma, sabor, entre outros aspectos são rigorosamente avaliados. É lá que descobrimos porque o armazenamento em lata é o ideal para a bebida. O recipiente protege a bebida da luminosidade, um dos fatores que alteram o sabor da cerveja.

Ao final do tour, fomos apresentados aos sete pecados, que também poderiam ser sete maravilhas. Cada tipo de cerveja traz aroma e sabor específico, um “quê” na bebida que se conecta, perfeitamente, ao pecado proposto. O rótulo preguiça, por exemplo, traz camomila em sua composição. Diferente, intrigante e inteligente, não é?

Beba menos, mas beba melhor

Com 30 mil litros produzidos mensalmente e exportados para os estados de São Paulo e Porto Alegre, a cervejaria está em pleno crescimento.  Hoje, os produtos da Mea Culpa são encontrados em quase 100 pontos de venda no estado de São Paulo, fora os pontos de venda na capital gaúcha.

“A gente quer atender bem o cliente e para isso vamos padronizar nossas latas e garrafas. Para essa padronização serão feitas garrafas de 600ml para pontos de vendas que não conseguem ter refrigeração e latas para aqueles que conseguem manter o produto refrigerado. Isso é feito pensado, também, no transporte de produtos não pasteurizados e nos clientes mais exigentes”, conclui Victor.

Pecados e maravilhas capitais

GULA
Cerveja para os insaciáveis, muito refrescante. Com sabor sutil de cereais e leve amargor, tem dry hopping de lúpulos nobres. Foi medalha de prata no Concurso Brasileiro de Cervejas 2015.

VAIDADE
De cor dourada, com amargor agradável e perfume cítrico dos lúpulos americanos Centennial, Galena e Cascade.

IRA
Leva 7 tipos de lúpulos ingleses e americanos que resultam em uma combinação intensa de amargor, sabor e aroma. O mais agressivo dos pecados!

PREGUIÇA
Uma aromática e inusitada cerveja com trigo, adição de sementes de coentro, camomila e lúpulo Sorachi Ace.

LUXÚRIA
Cerveja escura e potente, aveludada. Com adição de nibs de cacau e aveia, tem notas de café e chocolate.

AVAREZA
Dourada e refrescante, com sabor de malte e discreto aroma de lúpulo. Uma deliciosa lager artesanal.

INVEJA
Levemente ácida, com corpo leve. Tem aroma e sabor de lúpulo, mas baixo amargor.

 

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