No embalo do viaduto

Era mais uma noite comum naquela cidade que já considero minha. Na real, não era uma noite tão normal assim, já que as temperaturas, que costumam ficar lá no alto, independente da hora, estavam bem baixas, e uma blusinha por cima do vestido se fazia necessária.

A dúvida de ir ou não naquele lugar  permaneceu durante quase o dia todo, mas nesse momento já tinha certeza que iríamos pois chamamos o carro que nos levaria – eu iria com minha irmã. Já no caminho, meus olhos ficavam atentos à cada curva, pois o trajeto era desconhecido para mim. O tempo correu e o motorista também; correu tanto que até passamos do caminho, mas em uma manobra rápida finalmente chegamos ao nosso destino!

Aquele que sempre cantei com a boca cheia como “o meu lugar”, e quer saber? Chegando lá, foi exatamente assim que me senti: no meu lugar… Madureira!!! Como disse, não estava sozinha, minha irmã que me acompanhava já conhecia o espaço, o Baile Charme do Viaduto de Madureira.

Enquanto os carros, ônibus, bicicletas e motos passavam por cima daquele viaduto, lá embaixo estava eu, encantada com tudo que via. Confesso que, por um bom tempo, esqueci do celular  que estava comigo, que poderia sim captar quase tudo através da lente da câmera, mas naquele momento  preferi não ter uma tela na minha frente. Com os olhos vidrados e atentos, fui captando aos poucos tudo que via: os passos sincronizados, a leveza da dança, os mais diferentes estilos, os grafites lindos e coloridos nas paredes e a alegria que exalava na maioria ali.

Aos poucos, eu que amo dançar, fui me soltando. Os pés e a cintura começavam a trabalhar juntos, e quando tocava AQUELA  música  – que a gente ama –, eu já estava ali entregue à dança do meu jeito mesmo. Até tentei arriscar uns passinhos, mas me perdia e voltava para estaca zero. Acho que uma semana de treino me renderia a coreografia de pelo menos uma música inteira. Mas tudo bem, eu estava me divertindo muito. Se eu pensava em encostar na parede, parecia que o DJ adivinhava e, na sequência,  acertava o hit, e lá estava eu dançando novamente, como a maioria ali, e como um homem que nem estava lá dentro e começou a dançar também. Olhei pra cima e lá no alto, nas laterais do viaduto, um senhor dançava de modo sincronizado com quem estava ali embaixo. Que máximo!  Não demorou muito e um outro chegou  para lhe fazer companhia. E assim seguimos, aqueles senhores lá do alto, os grupos dançando com seus mais diferentes passos lá dentro e eu me acabando do meu jeito, sendo contagiada por toda aquela energia!

Baile Charme do Viaduto / Foto: Thamara Prado

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