Precisamos falar sobre Hannah Baker

“Oi. É a Hannah. Hannah Baker. Não precisa ajustar… Seja lá que aparelho em que você está ouvindo. Sou eu, ao vivo e em estéreo. Sem próximas datas, sem bis, e dessa vez, não aceitando pedidos. Pegue um lanche. Fique confortável. Porque eu vou te contar a história da minha vida. Mais especificamente, como a minha vida acabou. E se você está ouvindo essa fita… Você é um dos porquês.”

A série da Netflix “13 reasons why” conta a história de Hannah Baker, uma garota que, após uma série de acontecimentos, tira a própria vida. Não é apenas a história de um garoto que está apaixonado por sua amiga e não tem coragem de contar para ela. Não é apenas a história de uma amiga que surtou e deixou de falar com você. Não é apenas a história de uma garota que se suicidou.

Não, esta é uma história que te fará pensar sobre a vida, seus amores, suas amizades e suas reviravoltas.  Esta história fará você se perguntar o que tem de bom em sua vida, o que tem de ruim, e como você pode melhorar tudo. E, acima de tudo, fará você pensar se existe uma Hannah Baker ao seu lado, e se você é um dos porquês de alguém.

Clay Jensen chega a sua casa após a escola e encontra uma caixa de sapatos estranhamente embalada. Ao abri-la, se depara com 7 fitas com a voz de Hannah contando os 13 motivos que a levaram a cometer suicídio. Os eventos desencadeados por tais fitas guiam a série, que mescla brilhantemente flashbacks narrados pela própria Hannah com acontecimentos da atualidade, que de certa forma foram influenciados pelo conteúdo das fitas e de decisões tomadas por conta deles.

A trilha sonora sabe nos levar para os lugares certos nos momentos certos, a fotografia faz um ótimo trabalho ao trazer ambientes mais escuros em momentos sombrios e ambientes abertos e claros em momentos leves, de alegria. A performance de Katherine Langford (Hannah Baker) é impressionante, trazendo personalidade e dando vida a uma personagem com a qual o público simpatiza e se identifica, em certos momentos, além de evoluir na tela de uma forma surpreendente.

Alguns arcos na história são abertos desnecessariamente e fechados de forma abrupta, e você se pega perguntando como isso ou aquilo acabou acontecendo, além de perguntas sem respostas. Serão essas perguntas respondidas em uma possível segunda temporada? Nunca saberemos. A crítica a pais e escolas alheios ao que acontece na vida de seus adolescentes é latente, e você mesmo se pega pensando se, por vezes, você não fez mal para alguém daquela forma, e se perguntando se você receberia aquelas fitas.

A série está causando um grande impacto nas redes sociais. A hashtag #NaoSejaUmPorque está nos Trending Topics do Twitter, e diversos posts de conscientização sobre depressão e suicídio estão sendo feitos tanto no Twitter como no Facebook. Na página oficial no Facebook, existe um post referente a um dos episódios da série, no qual é mostrado uma foto do saco de papel (onde os alunos devem deixar elogios uns para os outros) com o nome de Hannah. As pessoas estão deixando mensagens de apoio e depoimentos reais para ela, simpatizando com sua história e compartilhando suas experiências pessoais.

A importância dessa série pode até parecer banal para alguns. Porém, pense por um instante. Se alguma Hannah Baker estiver assistindo a ela, em um final de semana, para se distrair de seus problemas e afastar pensamentos nocivos, essa pode ser sua salvação. Essa pode ser sua salvação, ou conscientização, caso você seja um bully (ou um Porquê). Depressão não é frescura; suicídio não é egoísmo; solidão não é uma escolha. Se você está passando por problemas, procure ajuda. E se você está causando problemas, pare e pense “Eu gostaria que fizessem isso comigo?”.

Foto: Divulgação

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Th disse:

    Eu sou uma hannah backer.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Gabriela F. de Souza disse:

      Olá Th. Sabe, eu já fui uma Hannah Baker. Sei o que é estar mal, sentir como se ninguém fosse sentir sua falta. Mas você é a diferença no meu mundo, no mundo das pessoa que te machucaram e no seu mundo. Infelizmente, nós precisamos viver as coisas ruins para agradecer pelas coisas boas. Eu entendo o que é não conseguir ver isso. Como eu já disse, já estive onde você está, e sei como é ruim. De qualquer forma, se quiser entrar comigo, pode me procurar no Facebook. Seja qual for o seu motivo, não se desespere. Tem pessoas aqui para te ajudar. Se você permitir, eu serei uma delas. Me mande uma mensagem no Facebook dizendo quem você é, e nós vamos resolver isso juntos(as).

      Curtido por 1 pessoa

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