Dormir de olhos abertos: a manifestação do sonambulismo

A ideia que ainda nos norteia sobre o sonambulismo é um pouco pitoresca: sempre pensamos na imagem de uma pessoa com os olhos fechados e os braços estendidos à frente do corpo, andando pela casa. Apesar desta representação ser um pouco exagerada, há certos pontos verídicos.

“Quando alguém apresenta um episódio de sonambulismo, geralmente se levanta da cama e anda com os olhos abertos, com um olhar vidrado. A coordenação motora continua funcionando normalmente, o individuo consegue desviar dos objetos, tudo isso ainda no estágio de sono”, informa Gustavo Antônio Moreira, médico especialista em medicina do sono e integrante do corpo clínico do Instituto do Sono de São Paulo.

Não há uma causa evidente para o distúrbio, mas sabe-se que ocorre devido uma predisposição genética, ou seja, se alguém da família apresenta o quadro, há mais chances de se ter. Também é sabido que pelo fato de ser considerado apenas como um distúrbio benigno, também não existe um tratamento com medicamentos. “O recomendado é que se proteja o ambiente, colocar grades ou algum outro tipo de proteção em escadas e nas camas altas, por exemplo”, explica Gustavo.

O sonambulismo se manifesta durante o estágio mais profundo do sono, que é denominado como “Não-REM”, que geralmente acontece depois das duas primeiras horas de sono. Os episódios são mais frequentes durante a infância, na faixa etária dos seis aos dez anos, mas podem ocorrer também durante a adolescência e na fase adulta.

“Sou sonâmbula desde os 15 anos, e os episódios não ocorrem com frequência, mais ou menos umas seis vezes por ano. Fiquei sabendo quando minha mãe me contou que eu descia as escadas no escuro, ia em direção ao seu quarto e falava frases aleatórias”, conta a estudante Pamella Deleame, de 18 anos.

Há outros mitos que cercam o distúrbio do sonambulismo, como a questão de não poder se acordar um sonâmbulo. Realmente não é muito recomendado que se acorde, pois o individuo ficará confuso, o ideal é que ele seja guiado de volta para a cama, com calma, para que não o assuste. O ato de se acordar, em si, não apresenta muita gravidade, mas traz consequências, fazendo com que os episódios fiquem mais frequentes.

Alguns acontecimentos do dia a dia podem colaborar para os eventos de sonambulismo. Com as crianças, por exemplo, é comum acontecer depois de um dia agitado, ou por estarem ansiosas com algum acontecimento. Já com os adultos, o consumo de álcool e drogas, problemas respiratórios e psiquiátricos também podem acarretar o distúrbio.

Andar, falar e até mesmo comer, são algumas das atividades que os sonâmbulos realizam durante os episódios / Foto: Pixabay

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