Nunca é tarde para recomeçar e aprender

De segunda a sexta-feira, durante quatro horas por dia, um grupo de mulheres se encontra com um objetivo em comum: aprender. Esta é a rotina daquelas que estão em busca de uma nova chance através das aulas oferecidas em uma turma especial do projeto EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Secretaria da Mulher de Barueri. A sala é formada por 30 alunas com uma faixa etária diversificada. “A nossa aluna mais nova tem 19 anos e a mais velha tem 78 anos”, conta a professora Rosa Escarabelo de Oliveira, que atua há dez anos na rede estadual e foi a responsável pela turma de 2016.

Os motivos das desistências nos estudos são os mais variados, seja por baixas condições financeiras ou pela necessidade de trabalhar ainda na infância, e a população feminina é a mais encontrada nesses índices, tendo em vista uma pesquisa realizada em 2010 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que revela que dos 796 milhões de analfabetos adultos no mundo, aproximadamente 64% deles são mulheres.

O EJA atende todos que buscam a oportunidade de concluir os estudos da educação básica, como o Ensino Fundamental e Médio. Cerca de 1,6 mil escolas estaduais e municipais de toda a São Paulo oferecem aulas gratuitas para aqueles que possuem acima de 18 anos e têm o grande desejo de voltar a estudar.

A decisão de criar uma turma composta apenas por mulheres foi feita após se realizar uma pesquisa de opinião entre as frequentadoras do Espaço Mulher, um seguimento da secretaria que oferece cursos esportivos e educacionais. “Perguntamos qual era o maior desejo delas, e constamos que muitas gostariam de ter mais chances no mercado de trabalho e também possuíam o sonho de aprender a ler e escrever”, diz a supervisora responsável pelo projeto em 2016, Cláudia Zanelato.

As aulas acontecem desde 2014 e o conteúdo aplicado é elaborado de acordo com as dificuldades individuais, pois cada aluna tem um grau de conhecimento diferente. “Algumas delas sabem realizar todas as operações matemáticas, enquanto outras possuem mais dificuldade nisso, mas conseguem ler e montar algumas palavras e frases”, explica a professora Rosa. Os exemplos dados nas atividades realizadas em sala são baseados no cotidiano das alunas, como receitas culinárias (para ensinar medidas, quantidades e escrita).

A diarista Maria Antônia Gomes é uma das alunas. Com 53 anos e tendo concluído apenas o primeiro ano do Ensino Fundamental, ela pretende dar continuidade aos estudos e realizar uma graduação em história. “Precisei deixar a escola muito cedo, para ajudar minha mãe. Nunca aprendi a ler e escrever. Agora, graças às aulas, li o meu primeiro livro e consigo responder as mensagens que recebo pelo celular”, conta a aluna.

As matrículas abrem sempre no mês de janeiro. São solicitados os seguintes documentos: RG, CPF, comprovante de residência, certidão de nascimento ou casamento e três fotos 3×4. As aulas são de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h.

Diversos materiais didáticos são utilizados em sala, como os livros para os exercícios de leitura / Foto: Erica Lima
Diversos materiais didáticos são utilizados em sala, como os livros para os exercícios de leitura / Foto: Erica Lima

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