O poder da gourmetização: alimentos já conhecidos de cara nova

De origem francesa, a palavra gourmet tem por definição caracterizar tudo o que representa sofisticação. Comumente associado à gastronomia, o termo é usado como adjetivo para qualificar e diferenciar alimentos premium das comidas mais tradicionais ou já conhecidas pelo público.

No entanto, o conceito vem se permeando e construindo um novo estilo de culinária. A revisitação de pratos cotidianos elegeu o termo para mostrar que aquilo que já era conhecido por todos pode ser tão sofisticado e chique quanto qualquer outro prato da alta gastronomia.

Cesar Yukio, professor de gastronomia e personal chef, acredita que dependendo das mudanças, elas são válidas no mundo gastronômico. “Penso que essas transformações fazem parte da culinária mundial e acabam sendo uma tendência reinventar produtos. Só não concordo em alterar a base de cada alimento, copiando apenas sua forma ou sabor”, esclarece o chef.

Yukio ainda acredita que a onda gourmetizadora já esteja perdendo força. “Já existem muitos movimentos ‘anti-gourmetização’ na internet e novos estabelecimentos trazendo a essência principal de cada prato”, afirma.

Yukio revela que a maioria de seus colegas defendiam a revolução gourmet com o intuito de ensinar, fazendo com que os alunos desenvolvessem suas próprias receitas com a base técnica tradicional. No entanto, ele acredita que este foi um boom e que outras tendências estão por vir: “Acredito que ter um produto realmente único e com características próprias será o trunfo dos chefs”, conclui.

Com o cenário econômico instável, muita gente tem optado por empreender no ramo alimentício e, com isso, apostado no marketing gastronômico para se diferenciar da concorrência. De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias brasileiro cresceu 8,3% em faturamento em 2015 e o ramo da alimentação teve alta de 8,9%. No último ano, a aposta da ABF era esta: franquias que vendem itens de linha gourmet ou premium deveriam continuar em alta.

Seguindo um caminho oposto, a Nagô Doces aposta na tradicionalidade de doces brasileiros e o resgate cultural que isso proporciona. “A valorização aqui é justamente essa lembrança das origens e a descoberta do antigo, do familiar, do DNA dos consumidores enquanto brasileiros”, conta Juliane Silva, proprietária da marca.

Ela acredita que a gourmetização não é um processo totalmente negativo. “Dentro do imaginário do consumidor, seguindo a interpretação de que o gourmet é o melhor, a segmentação pode se fortalecer ainda mais. Tudo depende da condução desta novidade e de como o público a entenderá e assumirá sua fidelização no decorrer dos anos”, pondera.

Revisitação da culinária será uma tendência após gourmetização
Revisitação da culinária será uma tendência após gourmetização / Foto: Juliane Silva

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