Veja o que rolou no SPFW TRANS 42

Maquiagem pronta, roupas fenomenais, luz na passarela, muita música, máquinas fotográficas prontas para captar o primeiro e o último passo dos modelos. Assim aconteceu em todos os desfiles da 42º edição do São Paulo Fashion Week, que é uma das principais apresentações de moda no Brasil e na América Latina, sendo a quinta maior semana de moda do mundo, depois das de Paris, Milão, Nova York e Londres. 

O SPFW ocorre duas vezes ao ano para reunir estilistas, mídias, celebridades e amantes de moda, em shows grandiosos. Sua última edição aconteceu do dia 23 ao dia 28 de outubro de 2016 no parque Ibirapuera, São Paulo, e contou com 26 desfiles. Dentre eles, marcas como, LAB, Lolitta, Água de Coco, Osklen, Animale e Coca Cola Jeans marcaram presença.

O evento recebeu o nome de “SPFW TRANS 42” e isso não foi por acaso. O prefixo “trans” é a abreviação de transformação, transgressão e transição que as apresentações estão adotando. Uma das principais mudanças dessa edição em relação as demais é a utilização do conceito “see now, buy now”, ou, “veja agora, compre agora”

Muito se especulou sobre o evento estar menor em relação as outras edições – a 41º edição teve 37 desfiles -, porém, issso não interferiu na grandiosidade dos shows e principalmente na qualidade das roupas que foram apresentadas nos 26 desfiles. “A edição está menor, acho que o mercado está sentindo toda essa crise que está vivendo, mas não deixa de ser glamuroso. Eu acho que o SPFW é o evento de moda mais importante do nosso país, a gente continua com as melhores marcas e todos que trabalhando estão com a mesma vontade”, comenta a top model Viviane Orth.

Nós conseguimos convites para alguns desfiles e podemos afirmar: todos superaram as expectativas! O desfile do Laboratório Fantasma (LAB) por exemplo, fez um show com um casting composto por quase todos os modelos negros, se destacando pela inovação e representatividade nas roupas, apostando no melhor do streetwear.

Esse é o primeiro ano que a marca se apresenta no SPFW, mas com certeza deixou registrado todas as emoções que queria transmitir. O desfile foi embalado ao som do rapper Emicida, que é um dos idealizadores da LAB, junto com seu irmão Evandro Fióti. A coleção foi inspirada na história de Yasuke, um samurai negro e misturou elementos da África com o Oriente. Uma das peças mais representativas  foi a saia usada pelo cantor e compositor Seu Jorge para abrir o desfile.

Outro show que marcou bem essa edição foi o da Água de Coco, que além abusar da beleza nas roupas de moda praia , escolheu um lugar com clima tropical para o desfile. Dirigida por Liana Thomaz, o show ocorreu no artefacto beach & country, localizado na Avenida Brasil. O espaço contém uma decoração que remete à praia, além disso, o dia estava extremamente ensolarado, o que ajudou no contraste das roupas. A coleção teve como inspiração o paraíso tropical da República das Maldivas, no oceano índico e as roupas deixavam essa ideia bem clara com as estampas de coqueiro, fauna, flora e cores quentes que remetem ao sunset desse lugar maravilhoso.

Com um dos backstages mais disputados e desfile muito cheio, a Água de Coco mostrou a que veio. “Eu sou suspeita, acho tudo muito delicado, sensual mas chique. Ela não faz só roupa para praia, o que ela faz fica bem vestido e você pode usar em qualquer lugar, é uma roupa maravilhosa. Estou com um vestido deles, e não estou na praia”, comenta a modelo Gianne Albertoni.

A cantora Claudia Leitte também não mediu esforços para elogiar a marca: “Eu fiquei tão emocionada que eu vou ter que ver as filmagens que eu fiz, porque é tudo tão lindo, eu já tinha visto algumas coisas. Eu fico tão feliz, conheci a família toda, eu conheço a história deles, me sinto filha de Liana”, diz a cantora.

Mas o espaço do SPFW não foi utilizado para discutir apenas moda. Nas entrevistas, também foram discutidos a posição da cantora em relação à mulher mais atuante e o feminismo. “As pessoas falam de empoderamento como algo muito atual. Engraçado que eu vi minha mãe que é professora, me criar a trancos e barrancos, e a figura dela e da minha vó, ali presentes na minha vida, aquela época era uma vanguarda, não é aqui desse tempo, mas é muito presente. Eu aprendi que você tem que lutar pelo que você é independente de ser homem ou mulher, independentemente de qualquer coisa. Eu não faço essa dissociação entre o que eu fui ontem, eu cresci assim para lutar, eu sou um ser humano assim, sou uma pessoa feita para lutar”, enfatiza a cantora Claudia Leitte.

Apesar de menor, essa edição do São Paulo Fashion Week TRANS foi um sucesso e promete ser o início de uma nova era para a semana de moda no Brasil. As próximas edições vão apresentar ainda mais mudanças para terminar de conquistar todos que amam moda.

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