Eles escrevem por você – conheça os Ghostwriters

Escritores fantasmas dão vida às ideias de quem não tem aptidão para escrever livros

Escrever um livro é um talento para poucos, entretanto, todos os anos, mais e mais títulos ocupam as prateleiras de livrarias e bibliotecas e, muitas vezes, com assinaturas de pessoas que nunca pensamos possuir tal habilidade de escrita, como celebridades, grandes empresários, etc. Mas, e se essas pessoas que assinam seus livros na verdade não escrevem uma linha sequer? Achou estranho? Pois há casos em que isso acontece no meio literário. Muitos não têm tempo nem talento para colocar suas idéias no papel, e é ai que entra o ghostwriter – escritor fantasma.

O nome é auto-explicativo: o escritor fantasma escreve livros para alguém que não consegue fazê-lo e desaparece, sem deixar rastros, deixando os méritos do trabalho para a pessoa que o contratou. Os ghostwriters escrevem desde biografias, livros técnicos, passando por ficção até discursos políticos.

A profissão ainda é pouco conhecida no Brasil, mas muito popular na Inglaterra. Tanto que, em 2010, foi lançado o filme de suspense The Ghostwriter, com o ator Ewan McGregor interpretando um escritor fantasma contratado para concluir a biografia do misterioso ex-primeiro-ministro britânico Adam Lang, interpretado por Pierce Brosnan.

Em um primeiro momento, a situação pode parecer uma propaganda enganosa para o público, já que o nome que aparece na capa do livro não é de quem de fato o escreveu, além da impressão de que o escritor não recebe o verdadeiro crédito.

Tania Carvalho, jornalista e ghostwriter, afirma que “o livro é da outra pessoa: são suas ideias, suas palavras, seu contexto. Eu apenas organizo.” Tania escreve biografias e livros técnicos e leva de três a seis meses para concluir cada livro, “dependendo da disponibilidade do autor e de seu humor”, recebendo em média R$ 25 mil por cada trabalho.

Ela explica como é o processo de criação do livro. “Normalmente recebo consultas através do site da minha empresa ou de editoras. Após a negociação de preços, passamos à segunda fase: muitas entrevistas, não menos do que 20 horas. Depois é entrar na alma no entrevistado e escrever. Por fim, é feita a leitura pelo autor, as correções devidas e voilà!”

A ghostwriter também conta que, após o lançamento de um livro, nunca acompanha a repercussão e as críticas feitas a ele. “Se gostarem é por causa do autor, se não gostarem, também. Sou apenas a ghost que escreve e desaparece.”

Quanto às perspectivas em relação à profissão no Brasil, Tania tem certeza de que esta ficará cada vez mais conhecida no país. “Por mais que as outras mídias cresçam, as pessoas sempre querem ser imortalizadas em livros.”

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

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