Sound System e a filosofia amplificada

O clima é de paz, gratidão, música boa e mente aberta. Assim acontece mais uma edição do Sound System, movimento vindo da Jamaica que, atualmente, vem ganhando espaço nos bairros de São Paulo. Em meio ao mundo rodeado de tecnologias, aonde para ouvir uma música basta um clique, eis que surge uma novidade um tanto quanto antiga, o vinil. E é através dele que a cultura jamaicana vem se difundindo pelos bairros como Butantã, Liberdade e pela Zona Norte da cidade.

Pouco se é falado sobre o assunto, aguça a curiosidade, quem em pleno século XXI se interessa em ouvir discos de vinil? Difícil é passar por perto e não dar aquela paradinha para saber o que está tocando em um alto falante em meio ao parque em pleno dia de sol. O movimento vem se espalhando através de coletivos que tem como objetivo passar para as pessoas o que elas não têm acesso no seu dia-a-dia. Levar o que é raro, e mais do que isso, levar história, compartilhar momentos e agregar informação. Os sounds são realizados em sua maioria em locais abertos, conta com amplificadores e alto falantes. Os discos são trazidos pelos próprios DJ’s que soltam suas sequências enquanto o público dança e sente a mensagem que a música transmite, que na maioria das vezes, são de resistência.

Kaique Andrade, 21 anos, mora na zona Oeste de São Paulo e é integrante do coletivo Ulião Oeste, movimento que leva a cultura regueira para as comunidades. As edições normalmente acontecem no Centro Municipal de Campismo (CEMUCAM), parque localizado no município de Cotia, mas que pertence a prefeitura de São Paulo. Ele conta que não ganha nada para fazer o Dub, muito pelo contrário, acaba gastando com os equipamentos e não há nenhum tipo de apoio de órgãos públicos. “A ideia surgiu como forma de levar coisas boas para as pessoas, passar a mensagem para o povo preto, pobre e periférico”.

Vinícius Santos da Silva, 23 anos, conhecido como VN, também realiza eventos do mesmo gênero e conta que não vive de reggae, mas vive a filosofia que há por trás, para ele não foi uma escolha, mas algo que veio de dentro. Em sua opinião o dinheiro gasto com sound não é perda e sim aquisição de informação através dos discos. “Nós poderíamos curtir qualquer tipo de música, mas se não tem conteúdo, não adianta”.

O reggae traz, desde as primeiras aparições, a luta contra o preconceito e a resistência do povo negro, tema que ainda persiste nas letras atuais. É uma batalha continua que está longe de se chegar ao fim. “Em muitos lugares, as pessoas usam uma festa como baile, musica atrás de música, e o reggae não é isso, é história atrás de história”, acrescenta Vinícius.

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Ana Carolina

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s