Roda da inclusão

Primeiros acordes do berimbau. Expectativa…surpresa! A roda da inclusão, realizada pelo mestre Jefferson Fagundes, conhecido como mestre Taka, em Goiânia (GO), reúne hoje mais de 120 criança, algumas com deficiência física. A vida como professor de capoeira teve início como forma de retribuir a ajuda que teve quando era pequeno. Quando criança, participava de um projeto social, no qual jogava capoeira junto de seus irmãos, enquanto sua mãe trabalhava.

Hoje, ele desenvolve com seus alunos o mesmo que aprendeu anos atrás: a transformação pelo esporte. A convite de uma amiga, passou a fazer parte do projeto Conviver, do Centro Integrado de Educação Moderna (CIEM) em 2009, escola na qual desenvolve a roda da inclusão. As aulas acontecem duas vezes na semana, e promovem a interação entre alunos do projeto, os da educação infantil e séries até o quinto ano.

“Há sete anos participo do projeto, pelo bem que ele faz ao próximo, pelo bem que acredito que todo ser humano deve fazer ao próximo e o carinho que recebo das crianças. Desde então estou lá e tenho conseguido desenvolver não só as crianças com particularidades, mas as outras também”, explica o mestre.

Em São Miguel Paulista (SP), a academia Alvorada Capoeira Inclusiva desenvolve trabalho semelhante. O professor de educação física e capoeirista Ednaldo Adelino, conhecido também como mestre Mamão, começou sua trajetória no esporte em 1979, mas foi em 1995 que deu início as aulas adaptadas, como voluntário, na extinta Estação Especial da Lapa. Hoje, em sua própria academia desenvolve estas mesmas aulas para pessoas com deficiência. “Através da capoeira adaptada, o aluno com deficiência desenvolve as mais diversas formas de habilidade motora, como, por exemplo, ritmo, controle muscular, noção de espaço, condicionamento cardiológico e muito mais”, explica o mestre.

Rosilene Fernandes é mãe de Ana Laura, de 15 anos, que tem espinha bífida, resultado de uma má formação congênita do sistema nervoso central. Sua filha é uma das alunas do CIEM e participa do projeto de capoeira inclusiva do mestre Taka. A mãe acredita que a capoeira tem o poder de incluir aqueles que não teriam espaço. “A maior dificuldade foi encontrar um lugar que realmente trabalhasse em prol da inclusão, porque só assim a Ana Laura tinha possibilidade de superar uma barreira que é a exclusão social. A gente percebe, nos olhos dela, muita felicidade toda vez que ela é estimulada a jogar com gingados de dança e autodefesa. O momento da capoeira é um momento ímpar em sua vida, no qual ela se sente verdadeiramente igual aos seus pares”, explica Rosilene.

Ana Laura é uma das alunas do projeto Conviver, em Goiânia / Foto: Arquivo pessoal
Ana Laura é uma das alunas do projeto Conviver, em Goiânia / Foto: André Freitas

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