Capitães da areia

O romance de Jorge Amado foi publicado pela primeira vez no ano de 1937. O livro teve sua primeira edição queimada em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Em 1944, foi lançada uma nova edição, e na mesma época que entra para história da literatura, foram traduzidos em outros idiomas e adaptados para o teatro, rádio e cinema.

Capitães da Areia retrata a história de garotos que vivem num trapiche abandonado. O livro inicia-se por cartas que eram enviadas à redação do Jornal da Tarde – Carta do Secretário do Chefe de Polícia; Carta do doutor Juiz de Menores; Carta de uma Mãe Costureira; Carta do Padre José Pedro; Carta do Diretor do Reformatório – a fim de falar sobre os garotos que vivem de furtos e ocupavam a cidade.

No primeiro capítulo, o leitor já tem conhecimento dos personagens e suas características. Os principais são: Pedro Bala, um garoto de 15 anos, loiro, com uma cicatriz no rosto, que virou o chefe dos capitães da areia após uma briga com uma navalha, e tem habilidade para liderar o grupo; o Professor é o único alfabetizado do grupo,  ele que conta histórias de aventuras para os meninos; Gato é aquele que utiliza truques para seduzir as mulheres; Sem-Pernas é deficiente físico, possui uma perna coxa, ele finge ser órfão para se aproveitar das pessoas e também roubá-las; João Grande é o mais respeitado do grupo em virtude da sua estatura e coragem; o padre José Pedro protege os meninos com o objetivo de regenerá-los.

Nos próximos capítulos é apresentada a personagem Dora, que depois da morte de seus pais, ela e o irmão vão fazer parte dos capitães da areia. No decorrer da história, Dora tem uma grande importância na vida dos meninos, mas sua morte vai fazer uma transformação na história. A vida no trapiche não será a mesma e cada um dos membros vai tomar um rumo em sua vida. O destino dos capitães da areia será variado: um vira artista; outros morrem; alguns insistem em viver na vida do crime. Pedro Bala foi perseguido pela polícia de cinco estados por ser um organizador de greves, e líder de partidos ilegais, mas tornou-se um grande herói da sua classe.

Jorge Amado traz em sua obra a vida desses garotos que não tiveram o privilégio de ter um lar e uma família. Apesar de ter passado alguns anos que o livro foi escrito, a história comove e encanta diversas gerações, pois é tão atual quanto na época que foi escrito. A narrativa me cativa a cada vez que leio, porque cada personagem tem uma maneira de fisgar o leitor, e mostrar o seu lado diferente. É impossível não se emocionar com a preocupação da Dora. Aquela que “fora mais valente que todas as mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu.” É um livro com muitos detalhes, mas de fácil compreensão, vale a pena conferir.

Foto: Capa do livro Capitães de areia
Foto: Capa do livro Capitães de areia

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