De Amélie Poulain à Katniss Everdeen: A participação das mulheres no cinema

Nos últimos anos, a participação das mulheres no cinema teve um aumento considerável, mas ainda não é o suficiente. Você sabe dizer o motivo ao qual as grandes produções de filmes não resolvem apostar em heroínas ou simplesmente retratar a mulher sem ser de maneira sexista? Vamos refletir isso com base em fatos históricos e franquias adolescentes.
Desde o início do cinema, o famigerado ‘galã’ sempre foi a aposta de todo e qualquer estúdio para promover seu filme, de modo a ensinar de maneira forçada e alienada o público a entender que a mulher é frágil, e sempre retratam o sexo feminino em cenas de donzela que precisa ser salva. A questão fica por parte do ego masculino que não consegue se provar de modo intelectual e apela para força física, para evidenciar sua ‘superioridade’. O curioso é sempre manter-se em esquemas passados e em quase desuso, afinal, a mãe que trabalha, cuida dos filhos e estuda tem que tipo de relação com a menina que precisa sempre ser salva e não possui a capacidade de vencer sozinha?
Tudo é construído por um sólido esquema de faturamento. Na grande mídia você tem a propaganda destinada a fazer o consumidor pensar que homem é sinônimo de grandeza, e mulher sinônimo de consumismo fútil, ou a ideia ultrapassada dos anos 50 que retrata o sexo feminino como simples donas de casa. As mulheres ganharam espaço logo após os homens retornarem da guerra, elas revidaram, protestaram, discutiram e mudaram seu modo de ouvir e aceitar tudo o que era imposto. Os estúdios de cinema percebendo este crescimento na época, decidiu agradar não apenas o pai e o filhos, mas agora, também as mães.
O gênero apostado foi o romance, porém, é um pouco duvidoso e utópico as relações que ainda são retratadas nos filmes. Hoje em dia, na melhor das hipóteses, você encontrará alguém que goste de você e vice-versa, agora apostar que será um grande amor cheio de promessas, viagens, frases bonitas, poemas intermináveis e juras de amor eterno é um pouco exagerado. Isso não significa que todas as mulheres gostem do tema, também existem as que preferem ação ao romance, o gótico ao clichê, a destruição ao terror e por aí vai.
Atualmente grandes diretores e produções independentes abrem diversas possibilidades para a escolha do que a mulher pretende assistir, ainda que, acabem por retratar alguém com subtítulo de ‘promíscua’, evidenciando um preconceito enraizado de categorizar e padronizar toda e qualquer mulher que seja diferente do personagem retratado nas telonas. Com o passar dos anos, e o avanço de escritoras e diretoras ganhando espaço em meio ao público, muito material está sendo disponibilizado para fazer com que as pessoas possam refletir e perceber o quão genial é ter uma protagonista e o quão diferente é ter uma mãe guerreira, que fale palavrão e que não abaixe a cabeça pra ninguém.
 
Em relação aos filmes citados, ”O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)” retrata uma mulher totalmente diferente, com manias e vocabulário despojados. Um retrato totalmente novo em produções cinematográficas. Casos assim tendem a estar em crescimento, a última grande personagem do gênero foi Rey em “Star Wars: O despertar da força (2015)”, uma menina que cresceu solitária e precisou sobreviver anos sem ter família, e evidencia  o quanto você pode ser independente e não precisar seguir regras para tornar-se uma boa pessoa e atingir seus objetivos.
Katniss Everdeen da franquia “Jogos vorazes (2012)” é um grande ícone a ter uma saudação honrosa, porém aos que prestaram atenção nos filmes e no contexto em que aquilo se passa, o seu mérito é apenas ser guerreira, mas não carrega a independência que o protagonismo feminina precisa. Em uma relação rodeada de clichês e o modo como é controlada pelo governo, acaba por expor sua fraqueza de ser manipulada e jogada contra a parede em situações que vão de razoáveis à totalmente sem nexo.
 
Em suma, o destaque feminino não depende apenas da mulher, a indústria cinematográfica precisa reconhecer que estão ainda presos por lucro e um sexismo camuflado, e a consciência de que estão educando e padronizando toda uma geração que precisa ser reformulada para conceitos verdadeiros e diversificados.
Foto: Disney

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s