Saiba como se tornar doador de medula óssea

Parentes próximos têm poucas chances de compatibilidade, o que faz os pacientes, na maioria dos casos, precisarem de um doador desconhecido

Segundo a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), atualmente, quase 1.600 pessoas aguardam a cirurgia no Brasil. As chances de o paciente ter um irmão (de mesmo pai e mãe) compatível são de apenas 25%. Por conta disso, a ação voluntária de doar é tão importante.

Para quem doa, os riscos do procedimento são muito pequenos. Ele é feito com anestesia geral e é retirada apenas quantidade necessária de medula, que não ultrapassa os 15%. Em apenas 15 dias, o doador se recompõe. Alguns sintomas como dor de cabeça, dor local ou fraqueza podem surgir após o transplante, mas são passageiros. As informações são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Segundo Lucia Silla, hematologista e membro da (SBTMO), as patologias que requerem este tipo de procedimento são: doenças benignas e malignas (cânceres), como linfomas, leucemias agudas, mieloma múltiplo, síndrome mielodisplásica, tumores sólidos e, até mesmo, problemas autoimunes.

Para ser um doador, é necessário ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em boas condições gerais de saúde, não possuir doenças infecciosas ou incapacitantes e pesar mais de 50 quilos. Quem tem interesse deve se cadastrar em um dos hemocentros do seu estado. Na capital paulista, a unidade fica na Santa Casa de Misericórdia. Durante a visita, é coletada uma pequena amostra de sangue.

Para definir a compatibilidade, o sangue da pessoa é analisado em um exame para identificar suas características genéticas que, posteriormente, serão cruzadas com as dos pacientes que precisam do transplante. Depois, os dados são incluídos Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

Daí em diante basta aguardar. Quando surgir um paciente compatível, o indivíduo cadastrado será chamado para decidir sobre o transplante. “As pessoas que estão decididas a doar precisam manter seu cadastro atualizado nos hemocentros, pois, muitas vezes, achamos um doador e não o encontramos mais. Outra dificuldade é a desistência. Precisa ter muita consciência sobre a importância de doar e salvar vidas”, comenta Lucia.

De acordo com o Inca, o número de doadores voluntários no Brasil tem crescido muito nos últimos anos. Em 2000, apenas 2 mil pessoas estavam inscritas, e atualmente há cerca de 3,5 milhões. Naquela época, somente 10% das cirurgias de transplante eram feitas com inscritos no Redome. Hoje, esse número já chega a 70%. Com isso, o país se tornou o terceiro maior banco de dados do gênero.

Jéssica Brito, estudante de administração, decidiu ser doadora por vários motivos. “A princípio para ajudar ao próximo, mas também por ter pesquisado sobre o assunto e visto como é difícil e desesperador encontrar um doador compatível, isso me sensibilizou, além de ter entre meus familiares casos de câncer. Hoje é alguma família que não conheço. Amanhã pode ser a minha”, diz.

O ato de doar pode salvar uma vida e, às vezes, é a única chance do paciente / Foto: Pixabay
O ato de doar pode salvar uma vida e, às vezes, é a única chance do paciente / Foto: Pixabay

 

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