YouTube e o fenômeno das crianças produtoras de conteúdo

Youtubers da nova geração têm ganhado espaço na web, mas pais devem se atentar à exposição excessiva

A geração que nasceu junto com o YouTube agora está dentro dele. Não é difícil entender a intimidade dos pequenos com as câmeras: eles já conheceram o mundo com a tecnologia. Assim, inspiradas em grandes fenômenos da internet, muitas crianças gravam vídeos para falar sobre assuntos do universo infantil e teen. Em alguns casos, o sucesso é tão grande que o número de acessos assusta.

Julia Silva é um exemplo disso. Com apenas 10 anos, a menina de São José dos Campos (SP) já tem mais de um milhão de inscritos em seu canal, que fala sobre brinquedos, maquiagem, compras, viagens e outros. A pequena Bel, de 9 anos, do Bel para Meninas, faz sucesso com os teatrinhos e desafios produzidos ao lado da sua mãe, e já acumula mais de 1,6 milhões inscritos. Isaac, do canal Isaac do Vine, que tem vídeos de humor, tem cerca de 1,5 milhões de seguidores. Já Lorena, de 12 anos, que teve câncer, comoveu a internet ao ter seu canal, o Careca TV, hackeado. Hoje, ela já coleciona 1,5 milhões de inscritos.

Kamilla Souza, de 13 anos, do Kamilizando, conta que decidiu gravar os vídeos porque assistia a outros youtubers e adorava. “Quando eu era mais nova, gravava alguns com as minhas bonecas, mas não postava. Agora, quero falar de diversos assuntos, fazer tags, desafios divertidos e tutoriais. Se der certo, talvez eu queira trabalhar com isso no futuro”, diz.

Mas até que ponto esse excesso de exposição é saudável? Luiza Brandão, psicóloga associada à Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), explica que as crianças não têm desenvolvida a compreensão do que o que é público ou privado, assim como não conseguem entender o alcance que uma postagem pode ter. “Esses aspectos representam risco na medida em que informações privadas podem ser compartilhadas com estranhos e de maneira irrevogável. Não se tem controle sobre o uso que pode ser feito desses dessas publicações no futuro, colocando em risco tanto a segurança física quanto psicológica das crianças”, afirma.

Outro ponto importante é a existência de pedófilos na web, que podem utilizar vídeos infantis de maneira imprópria. “Os pais devem supervisionar a gravação e edição e atentar para o conteúdo, uma vez que as crianças podem dizer ou fazer coisas que podem ser interpretadas de maneira maliciosa por terceiros”, recomenda a especialista.

No que diz respeito a anúncios, ela também destaca que é importante que os responsáveis avaliem o quanto querem a imagem dos filhos associada à determinadas marcas ou produtos, visto que a propaganda ficará disponível permanentemente. “Vale ainda um cuidado especial com os comentários e feedbacks que a criança pode receber por estes vídeos. O ideal é que os pais façam uma triagem do conteúdo”, diz Luiza.

 Kamilla Souza se inspirou em outros youtubers para criar o canal 'Kamilizando' / Foto: Mislene Ribeiro
Kamilla Souza se inspirou em outros youtubers para criar o canal ‘Kamilizando’ / Foto: Mislene Ribeiro

 

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