Recicle o seu “eu digital”

Se as pessoas tivessem mais consciência sobre a ausência de fronteiras entre as suas intimidades e o mundo, filtrariam as informações e temeriam por suas privacidades. Inda se fossem visionárias utilizariam esse filtro para aproveitar as vantagens do ciberespaço, gerando conteúdo emancipador.

 “Estou profundamente convencido de que permitir que os seres humanos conjuguem suas imaginações e inteligências a serviço do desenvolvimento e da emancipação das pessoas é o melhor uso possível das tecnologias digitais”. (LÉVY, P. Trad. Carlos Irineu da Costa. “Cibercultura”; São Paulo: Editora 34, 1999. 208 p)

A cibercultura, nada mais é do que a cultura desenvolvida na rede (ciberespaço). Ela atrai os jovens com a sua singularidade. “(…) O crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem”. (LÉVY, P. Trad. Carlos Irineu da Costa. “Cibercultura”; São Paulo: Editora 34, 1999. 11 p). Este novo espaço de comunicação, com características promissoras para diversas áreas como a econômica, cultural, social e humana, caiu no gosto popular e vem sendo utilizado pela maioria dos internautas como canal de entretenimento e exibicionismo, apenas.

Após um dia cansativo de trabalho, os “homers simpsons” – expressão utilizada, certa vez, pelo jornalista William Bonner para caracterizar o perfil do trabalhador brasileiro – apenas desejam chegar em casa, abrir uma latinha de cerveja e se divertir. Nada de consumir assuntos chatos como a mudança na previdência privada, a cassação do mandato do Eduardo Cunha ou as eleições municipais.

Todavia, tal rejeição tratou de moldar a cultura da internet. Esta que apresenta memes, emojis e hashtags como linguagem denominada “internetês”, além de usos inferiores perante toda a sua capacidade.

O Twitter, utilizado como “segunda tela” da televisão, se tornou o ponto de encontro para a repercussão dos assuntos midiáticos e as discussões feitas mostram que, embora o homem digital seja extremamente criativo, ele também é raso. “Eu não acredito na eficácia do Twitter na promoção de conteúdo emancipador. O site é muito dinâmico com relação a temas. É uma rede social muito momentânea”, declarou Iuran Souza, de 22 anos.

Segundo o estudante e “tuiteiro” assíduo, o que atrai os jovens a plataforma é a possibilidade de diversão e primeiro contato com as notícias. “O Twitter serve para não ficarmos perdidos na roda de amigos, pois de fato para se informar melhor, o ideal é pesquisar em sites de notícias mais confiáveis para checar a veracidade dos assuntos”, completa.

Nas mídias sociais, no geral, os assuntos de interesse comum não ganham direito a publicações rotineiras de internautas. Quando ocorrem, trocas ácidas e opiniões baseadas em “disse-me-disse” são realizadas no campo dedicado aos comentários, ceifando o debate saudável e o anonimato para novas divulgações similares.

Canceladas as tentativas de debates construtivos, o que resta? A autoexibição. Funções como onde você está trabalhando e estudando atualmente e até como está se sentindo, existem no Facebook para saciar a necessidade humana e atual de compartilhar intimidades de uma intimidade perdida.

O mundo digital precisa ser visto como uma vitrine. É como se estivéssemos nus em tempo integral, mostrando o que somos, como pensamos, o que queremos e assim por diante. Sendo as piores partes as fantasias de que há algo “privado” na internet e que se apagarmos uma foto dos nossos perfis, aquilo foi realmente exterminado da rede.  Há universos paralelos e interligados.  E toda essa aldeia global gera uma demanda pujante: a reciclagem do nosso “eu digital”.

Modelo de autoexibição atual / Foto: Pixabay
Modelo de autoexibição atual / Foto: Pixabay

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