Gravidez após os 35 anos tem aumentado no Brasil

Dar prioridade à carreira profissional é um dos principais motivos das gestações tardias

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) mostra que na última década o número de mulheres grávidas após os 40 anos passou de 53,016 para 62.371, o que representa um aumento de 17,6%. A faixa etária que compreende gestantes entre 35 e 39 anos também cresceu: 26,3%, segundo o IBGE. Foram 201.077 gestações em 2003 e 254.011 em 2012.

Dados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apontam que 25% das gestações em mulheres com mais de 35 anos resultam em aborto. A taxa de bebês prematuros também é maior, chegando a 15%, e as principais causas são complicações como diabetes e hipertensão.

Karla Maria Pereira Silva, 39, optou por ser mãe tarde e, apesar das dificuldades para engravidar, não se arrependeu da escolha. “Por ser mais velha, o ânimo é outro. O cansaço é maior, os riscos de doenças genéticas e a ansiedade também. Mas para mim foi o momento certo, estava financeiramente estável, já havia estudado e posso acompanhar minha filha em todas as consultas médicas e atividades”, conta.

Desde os 34 anos, após seu casamento, ela engravidou várias vezes, no entanto, o embrião não se formava. Tentativas e mais tentativas aumentavam ainda mais a expectativa de Karla e de seu marido em relação à gravidez. Após baterias de exames, abortos espontâneos e idas a especialistas de diversas áreas, ela conseguiu uma gestação de sucesso aos 37 anos e teve o bebê aos 38.

“Confesso que não aproveitei muito a minha gravidez por medo. Todos os ultrassons foram tensos, pois lembranças anteriores voltavam. Risco de síndromes, eclampsia, devido eu ter pressão alta, mas a Gabriela nasceu ótima. Fiz cesárea com 38 semanas por indicação médica. Não senti nada tanto na gravidez quanto no parto, somente a ansiedade atrapalhou” relembra.

Maria Emília Souza tem uma história um pouco diferente: aos 44 anos descobriu que estava grávida de seu segundo filho, 21 anos após sua primeira gestação. Ao contrário de Karla, ela não havia planejado ser mãe novamente. “Fiquei com medo no início devido a minha idade, mas a médica me tranquilizou após os primeiros exames”, afirma.

O bebê de Maria, seu segundo menino, nasceu no fim de julho de 2015. Assim como Karla, ela não tem enfrentado complicações, apenas sente ansiedade. “Na minha primeira gravidez, tinha muitos enjoos, praticamente nos nove meses. Desta vez não tive nenhum problema”, diz.

Não existe uma idade certa para engravidar, e apesar dos riscos da gravidez tardia, muitas mulheres têm buscado estabilidade financeira e equilíbrio profissional antes de construir uma família. O universo feminino tem mudado ao longo dos anos, e os métodos anticoncepcionais cada vez mais seguros ajudam as mulheres a decidirem quando ter filhos.

Karla  e Gabriela no seu aniversário no último ano / Foto: Arquivo pessoal
Karla e Gabriela no seu aniversário no último ano / Foto: Arquivo pessoal

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