Meninas de Ouro

Quem acha que lugar de mulher é na arquibancada torcendo está muito enganado. As mulheres têm invadido os campos e quadras pelo mundo afora, e no Brasil não é diferente. O número de garotas que dedicam-se a um esporte dito masculino e batalham contra o preconceito, por reconhecimento e pelo esporte do coração é enorme.

A primeira equipe de Futebol Americano Feminino do Brasil foi criada em 2007 com o nome de Cuiabá Angels. A Liga Femina de Futebol Americano (LIFEFA) foi criada, entretanto, somente em 2014, por iniciativa das próprias jogadoras.

Apesar do pouco tempo de existência a liga já contribuiu para o avanço do esporte no país. Antes da LIFEFA existiam apenas três times femininos full pad (categoria equipada) no país. No começo deste ano, o número já chega a nove, com a estimativa de crescer ainda mais nos próximos anos.

Segundo a Presidente da LIFEFA, Marcelly Macedo, o jogo não muda suas características ou regras quando jogado por mulheres. “A única adaptação é o tamanho da bola. Normalmente usamos uma bola um pouco menor. As demais regras seguem idênticas”.

Para Nathália Mota, jogadora do Corinthians Steamrollers e Diretora de Comunicação da LIFEFA a principal dificuldade do Futebol Americano hoje é o reconhecimento. “No Brasil, o futebol americano já tem grandes dificuldades de quebra de barreira cultural. E por ser um esporte de contato, alguns acham que nós mulheres não podemos e nem devemos praticá-lo”, afirma.

Além dos preconceitos as jogadoras ainda tem que lidar com o machismo. Nos Estados Unidos muitos times femininos jogam de lingerie, o que reafirma a figura feminina como sensual e empobrece a luta por reconhecimento.

“Quando digo que eu jogo futebol americano e mostro as fotos do meu time, alguns meninos me perguntam: ‘Mas por que vocês não jogam de lingerie?’, e eu respondo: ‘Pelo mesmo motivo que você não joga de cueca!’. Para mim, aquele tipo de jogo está longe de ser futebol americano”, conta Talita Mota, jogadora do Aracaju Alfa.

O Rugby feminino também tem ganhado espaço no Brasil. A Seleção Brasileira conquistou a 10ª posição no último Campeonato Mundial realizado em Dubai-EAU em 2009. A melhor posição alcançada por uma equipe brasileira em mundiais.

Contudo, ainda há dificuldades. “Como em qualquer outro esporte, a dificuldade é fazer as pessoas entenderem que você tem a mesma competência de um homem”, afirma Adriana Moraes, jogadora do Rio Branco.

A participação feminina em esporte ditos masculinos, apesar de enfrentar resistência, cresce a cada ano / Foto: Amanda Pavan

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