Pré-escola e outros causos

Era um dia quente do ano de 2000. Os alunos do Pré-III do Colégio Nossa Sra. Da Misericórdia desenhavam sob o olhar atento da professora que anos mais tarde viraria garçonete de um buffet infantil ali perto da ACM de Osasco.

O menino Lucas tentava desenhar a cena de um anime que havia assistido na manhã daquele mesmo dia, mas a falta de coordenação motora já o atrapalhava naquela época. Nem mesmo o novo conjunto de lápis coloridos que ganhara alguns dias antes de sua mãe deixava a coisa menos feia. Provavelmente,  se alguém no futuro um dia encontrasse aquele rascunho, pensaria de imediato se tratar de um desenho feito por uma criança com algum tipo de retardo, ou até mesmo por um chimpanzé adestrado. Mas o garoto não ligava para isso, apenas queria terminar seu desenho e entregá-lo à futura garçonete de um Buffet infantil ali perto da ACM de Osasco.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

De repente, uma brisa entra pela sala, levando um estranho odor aos narizes das crianças e da futura garçonete de um Buffet infantil ali perto da ACM Osasco. O menino Lucas e as outras crianças, ao sentirem a forte catinga, fizeram careta e gritaram em coro:
— EEEEEEWWWWWW!

Não havia dúvidas: o cheiro era de bosta; alguém daquela sala havia defecado nas calças.
A professora, em seus primeiros anos na prática da pedagogia, percebeu que deveria agir rápido para que o terror e o medo não tomassem conta da sala. Era uma situação inesperada e nova para todos e, se algo não fosse feito, vidas poderiam ser perdidas.
A professora futura etc então esbravejou:

— QUEM FEZ COCÔ NA CALÇA?

Não houve resposta, e a inexperiente professora percebeu que o seu tom de voz fizera as crianças se assustarem ainda mais.
Então, dessa vez, fez a pergunta com mais calma:

— Por acaso alguém fez cocô nas calças? Se fez, pode falar, não vai acontecer nada!

Não obstante, novamente não houve resposta.

Era óbvio que quem havia cagado não iria confessar na frente de todos os amiguinhos. Isso poderia acarretar anos de zoação e deboche (na época, ainda não usávamos a expressão ianque “Bullying”). Era inútil continuar perguntando.

Então, a professora, futura garçonete de um buffet infantil ali perto da ACM, pediu para todas as crianças irem para o corredor. Foi o suficiente para deixá-las em estado de choque. Para onde as levariam? O que fariam com elas? Na mente fértil do menino Lucas, começaram a pipocar diversas possibilidades. A professora futura garçonete de um buffet infantil ali bem pertinho da ACM de Osasco, então, manda os alunos encostarem na parede do corredor:

— Todo mundo com as duas mãos na parede!

Lucas se lembrou de um filme em que os soldados fuzilavam os prisioneiros nesta posição, que havia visto com seu pai.

— “É isso que ela vai fazer! A megera vai nos fuzilar!”- Pensou Lucas.

O medo somado ao cheiro horrível de bosta paralisava suas pernas. As outras crianças não ousavam virar a cabeça para ver o que estava de fato acontecendo. Lucas teve essa coragem, mas logo se arrependeu. O que a futura buffet garçonete de ACM Osasco estava fazendo era muito pior do que os soldados daquele filme fizeram com seus prisioneiros: ELA ESTAVA OLHANDO A CALÇA DAS CRIANÇAS PARA ACHAR A QUE ESTAVA CAGADA!

O menino Lucas sentiu o maior medo de toda sua vida até então. Ninguém,  a não ser sua mamãe, havia mexido em sua bundinha pelada. Agora uma mulher estranha se aproximava para abaixar suas calças, uma humilhante situação que dificilmente seria superada. Por sorte, Lucas era um dos últimos da fila, mas a professora chegava cada vez mais perto, enquanto outras teorias pipocaram na cabeça do pequeno Lucas.

“E se tiver sido ELA MESMA quem cagou nas calças, e está tentando plantar a bosta nas calças de uma das crianças para salvar sua pele?”

Sendo isso verdade ou não, não havia mais como fugir. O garoto apenas abaixou a cabeça para esperar sua vez. Mas, no último minuto, a professora futura garçonete gritou:

— EUREKA!

Ela havia encontrado a criança cagada. Era Mariana, a menina esquisita da sala, que tempos depois se tornou lésbica. Lucas pôde enfim respirar aliviado. Ninguém chegaria perto de seu buraquinho naquele dia.

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