Palavras de Resistência

“Gritar, expressar, jamais calar ou parar. Deixar voar as palavras no ar. Libertar pensamentos, dar voz ao sentimento é um dom, um talento, esvaziar o que temos aqui dentro…”, em tom de suplica, Gustavo Lopes, ou melhor, Le Gusta, declamava mais que palavras: emoções.

E é assim que tudo funciona. Só chegar e falar para a parte do mundo presente tudo o que ocupa mente e coração. Não há restrições: política, economia, amor, amizade, questões de gênero. Todos os assuntos e posicionamentos são bem-vindos ao Slam Resistência.

O evento foi criado no final de 2014 para dar voz aos poetas anônimos, despertar o interesse das pessoas pela poesia e, acima de tudo, transformar uma segunda-feira normal em uma aguardada noite de arte e protesto. A única regra é “faça de suas palavras, sua única arma”, portanto, nenhum objeto cênico é permitido durante os três minutos de apresentação.

“É engraçado porque parece que o pessoal já chega engajado e é por isso que me orgulho desse movimento, ninguém nasceu pra ficar calado”, afirma Le Gusta, apresentador do evento, rapper, vendedor e gente fina. Gustavo conta que as coisas começaram a tomar grandes proporções no momento em que criaram um perfil no Facebook e com isso, assumiram também o papel de mídia, compartilhando conteúdo, comentando os principais acontecimentos e divulgando a cena cultural independente de São Paulo e sobretudo, da periferia.

Além disso, os representantes apoiaram e foram apoiados por movimentos sociais como Marcha da Maconha e o Retomada do Parque Augusta, o que ajudou a divulgar a ação para o público. “Já fomos convidados para ir para Rio de Janeiro, mas tivemos que recusar por falta de grana”,conta.

O projeto de intervenções poéticas não recebe nenhum tipo de patrocínio ou cobra algo dos artistas, ao contrário disso, eles servem como artifícios midiáticos para atrair cada vez mais público e divulgar o Slam pelas redes.

“Eu acho isso tudo muito incrível, um lugar em meio ao caos da cidade em que as pessoas têm a liberdade de expressão e com público para prestar atenção nas tuas ideias, é mais uma prova de que existe sim, amor em São Paulo”, afirma Lucas Santos, 25, estudante com alma de artista. O rapaz conta que é frequentador assíduo, mas que nunca declamou nenhuma poesia por “não ser tão bom com as palavras”.

O Slam Resistência acontece religiosamente na primeira segunda-feira de cada mês na Praça Roosevelt, localizada entre as ruas Consolação e Augusta, no centro de São Paulo

Apresentação feita na Praça Roosvelt/ Foto: Oficial Slam Resistência
Apresentação feita na Praça Roosevelt/ Foto: Oficial Slam Resistência

Confira a apresentação do Slam Resistência, feita na Praça Roosevelt.

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